A Meta matou a função de IA do Instagram que imitava fotos de perfis públicos — durou três dias
A Meta removeu do Instagram a função do Muse Image que gerava imagens a partir das fotos e do estilo de contas públicas sem autorização dos donos. A ferramenta caiu três dias depois do lançamento, sob críticas de utilizadores e artistas.
Três dias. Foi quanto durou a função mais polémica que o Instagram lançou este verão: uma ferramenta do Muse Image que permitia mencionar qualquer conta pública com um arroba e pedir à IA que gerasse imagens novas inspiradas nas fotos, no estilo visual e na informação desse perfil — tudo sem pedir licença ao dono.
A Meta anunciou a remoção num blogpost a 10 de julho, com a explicação diplomática do costume: a funcionalidade “não atingiu o objetivo esperado”. A tradução livre é menos elegante — utilizadores, artistas e a indústria do entretenimento caíram-lhe em cima, e o sindicato de atores SAG chegou a orientar os membros para desativarem a opção nas definições de privacidade antes de a Meta puxar a ficha.
O que fazia exatamente o Muse Image no Instagram?
Bastava escrever o arroba de uma conta pública dentro do Meta AI para o modelo analisar as fotos e o estilo desse perfil e devolver imagens novas “inspiradas” nele. Na prática, qualquer pessoa com conta pública — fotógrafos, ilustradores, ou simplesmente quem publica a própria cara — passava a ser matéria-prima de geração de imagens de terceiros, sem consentimento e sem aviso. As novidades oficiais da empresa continuam na sala de imprensa da Meta.
A ferramenta desapareceu de vez?
Não: saiu do Instagram, mas o Muse Image continua disponível no WhatsApp e na aplicação Meta AI — sem a variante de imitar perfis. O recuo é por isso cirúrgico, e o padrão é conhecido: lançar primeiro, medir a indignação depois. Foi um verão inteiro assim, entre a China a proibir os namorados virtuais e um filme gerado por IA a ser recebido como slop — a fronteira do que o público aceita em IA está a ser desenhada à força de recuos como este.
Para quem tem conta pública, fica a lição prática: vale a pena visitar as definições de privacidade de vez em quando. As funções novas chegam sem convite.
Por Oliver Grant
Imagem: Yuri Samoilov / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)