Na Carris Metropolitana há uma operadora com 57% de motoristas estrangeiros
Os motoristas estrangeiros representam entre 25,3% e 57% do quadro das operadoras da Carris Metropolitana. Na Alsa Todi são 275 em 480 condutores, a maioria vinda de países de língua portuguesa.
Se apanha um autocarro amarelo na área metropolitana de Lisboa, há uma probabilidade considerável de quem vai ao volante ter nascido noutro país. Os números das operadoras da Carris Metropolitana mostram motoristas estrangeiros entre 25,3% e 57% do quadro, e a maioria vem de países de língua portuguesa.
A operadora com a percentagem mais alta é a Alsa Todi: 275 de 480 motoristas são de nacionalidade estrangeira, o que dá 57%. Seguem-se a Viação Alvorada com 37%, a Rodoviária de Lisboa com 31% e a TST — Transportes Sul do Tejo com 25,3%.
Porque é que há tantos motoristas estrangeiros na Carris Metropolitana?
Porque não havia portugueses suficientes a querer o lugar. A falta de motoristas ensombrou o arranque da Carris Metropolitana em 2022 e nunca foi verdadeiramente resolvida: horários partidos, turnos de fim de semana, salários que competem mal com a construção e a logística, e uma carta pesada que exige formação específica. As operadoras foram procurar quem estivesse disponível, e encontraram-no sobretudo no Brasil e nos PALOP.
O que é preciso para conduzir autocarros em Portugal vindo de fora?
O caminho passa por três coisas: título de residência que permita trabalhar, carta de condução da categoria D reconhecida ou trocada em Portugal, e o Certificado de Aptidão para Motorista, o CAM, obtido por formação certificada. Para quem chega ao abrigo do regime de autorização de residência CPLP, a parte documental é mais direta do que para nacionais de países terceiros, mas a troca de carta e o CAM continuam a ser obrigatórios para todos. As regras de reconhecimento de cartas estrangeiras estão no portal do IMT.
Vale a pena olhar para o número sem drama. Um sistema de transporte público de uma área metropolitana inteira que só funciona porque há gente que veio de fora não é uma anomalia — é como funcionam praticamente todas as grandes cidades europeias. A diferença é que em Portugal isto aconteceu depressa, e o debate público ainda não apanhou os dados.
Da próxima vez que o autocarro chegar a horas, é provável que tenha sido alguém que chegou ao país há dois anos a fazê-lo acontecer.
Por Juliana Castilho
Imagem: José Carlos Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)