Candidatos aos vistos gold perderam 1,2 milhões às mãos do próprio advogado — a PJ deteve-o
Um advogado de 58 anos foi detido em Odivelas por desviar cerca de 1,2 milhões de euros a pelo menos 33 clientes estrangeiros candidatos aos vistos gold.
A pessoa contratada para proteger o processo era quem estava a esvaziá-lo. A Polícia Judiciária deteve em Odivelas um advogado de 58 anos suspeito de desviar cerca de 1,2 milhões de euros a clientes estrangeiros que lhe confiaram os pedidos de autorização de residência para investimento — os chamados vistos gold. Há pelo menos 33 lesados identificados, muitos deles cidadãos chineses, e a investigação admite que a lista cresça.
Como funcionava o esquema dos vistos gold?
Da forma mais simples e mais dolorosa: confiança. Segundo a investigação, o advogado aproveitava a relação criada com os clientes para aceder às contas bancárias abertas em Portugal para os investimentos, alegando que essas movimentações acelerariam as formalidades do processo. O dinheiro, em vez de garantir a residência, terá alimentado sobretudo o jogo — o esquema terá funcionado entre 2023 e março de 2026, até a PJ lhe bater à porta. O suspeito está indiciado por burla qualificada, abuso de confiança e branqueamento.
Como se proteger num processo de visto gold?
A regra de ouro é nunca perder o controlo das próprias contas: nenhum passo de um processo de residência exige entregar o acesso bancário ao mandatário, e os pagamentos ao Estado têm referências oficiais que o próprio requerente pode confirmar. Vale a pena verificar a inscrição do advogado no portal da Ordem dos Advogados antes de assinar qualquer procuração — e desconfiar de promessas de ‘agilização’ que passem por movimentar o seu dinheiro. O programa em si continua de pé, como explicámos no acompanhamento que fazemos da AIMA e do golden visa, e as regras oficiais não mudaram com este caso.
Para 33 famílias que escolheram Portugal, a lição chegou da pior maneira. Que sirva ao menos para quem vem a caminho: o visto compra-se com investimento — a confiança, essa, deve ser sempre verificada.
Por Juliana Castilho
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)