Os estudantes estrangeiros de Évora já tratam da residência dentro da universidade
A Universidade de Évora e a AIMA abriram um gabinete CLAIM no Edifício de Santo Agostinho, com dois funcionários formados para instruir processos no sistema da agência. A biometria continua a ser feita em Lisboa.
Quem estuda em Évora com passaporte de fora da União Europeia deixou de ter de resolver o primeiro passo do processo de residência a 130 quilómetros de distância. A Universidade de Évora e a AIMA abriram na quarta-feira um gabinete do Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, o CLAIM, no Edifício de Santo Agostinho, e entrou em funcionamento no mesmo dia.
Funciona com dois funcionários da própria universidade, formados pela AIMA para trabalhar diretamente no sistema informático da agência. Não é um balcão de informação: os processos passam a ser instruídos ali dentro.
O que o gabinete faz e o que não faz
Depois de instruído no gabinete, o processo segue para os serviços centrais da AIMA, de quem depende a emissão de parecer. A recolha de dados biométricos continua a ser feita depois, nas instalações da agência em Lisboa. Portanto a deslocação não desaparece, mas deixa de ser a primeira coisa que acontece — e é normalmente na primeira que os processos encalham.
O reitor António Candeias enquadrou-o em números. A universidade tem cerca de 650 estudantes internacionais, dos quais aproximadamente 600 vêm de fora da União Europeia, e a comunidade académica estrangeira, contando docentes, investigadores e funcionários, vem de mais de 80 países. O protocolo com a AIMA tinha sido assinado em outubro de 2025, ainda na reitoria anterior.
Uma rede maior do que parece
Pedro Portugal Gaspar, presidente do conselho diretivo da AIMA, diz que há cerca de 100 CLAIM municipais e perto de 50 ligados a associações e entidades da sociedade civil. No ensino superior, a rede aproxima-se da dezena de gabinetes — e nem todos fazem o mesmo. Alguns asseguram tramitação documental, como este; outros concentram-se em informação e integração social.
Para a universidade, há um segundo objetivo por trás do primeiro: facilitar a vinda de docentes e investigadores estrangeiros por períodos curtos, para mestrados ou unidades curriculares isoladas, sem que a burocracia decida a resposta por eles.
Numa segunda fase, a instituição quer avaliar a capacidade do gabinete e alargá-lo à restante população migrante de Évora e da região, em articulação com a autarquia e a Santa Casa da Misericórdia.
Quem está a meio de um processo faz bem em cruzar isto com o nosso acompanhamento contínuo da AIMA e, se é estudante, com as novas regras do visto de estudante que entraram em vigor este mês. A informação institucional para quem vem de fora está na página de estudantes internacionais da Universidade de Évora.
Por Juliana Castilho
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)