Onde param os dados dos exames do secundário? Não estão na página onde deviam estar
Abrimos a página de Relatórios e Estatísticas do Júri Nacional de Exames a 20 de agosto e contámos o que lá está. A entrada mais recente sobre o ensino secundário é de 2024. Para 2025 e 2026 há zero ficheiros, apesar de as médias deste ano já terem circulado.
Esta manhã fizemos uma coisa simples. Abrimos a página Relatórios/Estatísticas do Júri Nacional de Exames, que é onde o Estado publica os resultados dos exames nacionais, e contámos os ficheiros ano a ano. Não é uma investigação complicada. É uma página pública, aberta em separador único, e demora dez minutos.
Eis o que lá está. Para 2024, cinco entradas sobre o ensino secundário: a base de dados ENES 2024 e os quatro documentos de estatística — resultados por disciplina e distribuições de classificações, para a 1.ª e a 2.ª fase. Para 2023, exatamente as mesmas cinco. Para 2022, o mesmo padrão. É um formato estável, repetido durante mais de uma década.
Para 2025, a página tem quatro documentos, e são todos do ensino básico: a base de dados ENEB 2025 e as estatísticas das provas finais do 3.º ciclo. Nenhum é do secundário. Para 2026 não há sequer um bloco na página.
O que isto significa na prática
A base de dados ENES é o ficheiro que permite a qualquer pessoa — jornalista, investigador, professor, pai — refazer as contas sobre os exames em vez de aceitar as que lhe dão. Sem ela, as médias de um ano existem apenas na forma em que foram anunciadas. Foi exatamente esse o ponto que registámos quando escrevemos que as médias da 2.ª fase subiram em 16 de 24 provas: os números circularam, o conjunto de dados que os sustenta não abriu. Uma semana depois, continua sem abrir.
Vale a pena ser justo com a DGE em dois pontos. Primeiro, a página tem uma notícia datada de 12 de julho a anunciar que os dados estatísticos da 1.ª fase do secundário já estão disponíveis nesse separador — ou seja, a intenção de publicar existe e está registada. Segundo, um atraso de verão numa direção-geral não é um escândalo; as bases de dados de anos anteriores chegaram a aparecer em outubro. Um mês de atraso é uma coisa. Duas épocas de exames seguidas sem ficheiro do secundário é outra.
Porque é que isto interessa a quem não é professor
Interessa porque agosto é o mês em que estes números decidem vidas. É agora que se fecham as candidaturas ao superior e se comparam médias, e é agora que se discute se os exames estão mais fáceis ou mais difíceis. Essa discussão acontece com ou sem dados; a diferença é se acontece com dados. E interessa porque o mesmo ministério publicou esta semana, sem dificuldade nenhuma, a lista dos 20.404 professores colocados para 2026/27. Quando um número serve de boa notícia, sai depressa.
Nada disto quer dizer que os ficheiros não apareçam amanhã. Se aparecerem, atualizamos esta página e ficamos contentes. Até lá, a página de Relatórios e Estatísticas do JNE está aberta a quem quiser confirmar a contagem — é a mesma que nós abrimos.
Por Marta Carneiro
Infografia: Tugadaily · contagem própria na página do JNE