Libertado o suspeito dos disparos na Baixa de Lisboa que feriram uma turista sueca
O homem foi detido ao abrigo de um mandado num processo de violência doméstica, ouvido em primeiro interrogatório e ficou obrigado a apresentações quinzenais na PSP. O Governo anunciou o reforço do policiamento nas zonas turísticas de Lisboa.
O homem detido na sequência dos disparos que feriram uma turista sueca na Rua Augusta, em Lisboa, saiu em liberdade. Foi presente a primeiro interrogatório judicial e ficou sujeito a apresentações quinzenais na esquadra da PSP da sua área de residência.
O que explica a decisão do juiz é um pormenor processual que quase desapareceu no barulho dos últimos dois dias. A detenção não foi feita por causa do tiroteio. O homem foi capturado ao abrigo de um mandado de detenção fora de flagrante delito emitido num processo de violência doméstica, e foi nesse processo que o juiz decidiu as medidas de coação. A investigação aos disparos continua.
O que aconteceu na Rua Augusta
Foi na tarde de segunda-feira, 10 de agosto, numa das artérias mais movimentadas do centro de Lisboa. Segundo o relato das autoridades, houve um desacato entre dois grupos e foram disparados tiros.
Uma turista sueca de cerca de 40 anos, que estava dentro de uma pastelaria da Rua Augusta, foi atingida no abdómen por uma bala perdida. Foi transportada para o Hospital de São José, operada, e está fora de perigo.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, classificou a libertação como inaceitável.
O que muda na Baixa a partir de agora
No dia seguinte ao incidente, o Ministério da Administração Interna anunciou o reforço e a manutenção do dispositivo policial na Baixa. O ministério fez questão de sublinhar que a operação não começa agora: desde junho, elementos do Corpo de Intervenção da PSP já tinham reforçado a presença e a visibilidade nas zonas de maior concentração turística da cidade.
A câmara entra pelo lado do comércio. A Polícia Municipal e os serviços camarários vão apertar a fiscalização das atividades comerciais ilícitas e irregulares na zona, com atenção particular às que degradam e ocupam indevidamente o espaço público. O Governo, as forças de segurança e o município comprometeram-se ainda a avaliar em conjunto a realidade criminal destas zonas e a eficácia dos instrumentos que já existem, e é aí que se percebe se isto é uma semana de reforço ou uma mudança de dispositivo. O reforço de que o ministério fala vem de um pacote anunciado em maio, quando o Governo destinou mais 400 agentes da PSP a Lisboa e ao Porto e mandou o Corpo de Intervenção para as zonas urbanas de maior concentração de pessoas.
Não é a primeira vez este verão que o Estado responde a um problema de segurança com mais patrulhas visíveis: no sul, o Algarve passou a ter vigilância diária no mar e em terra por razões completamente diferentes. E o timing não é irrelevante para a cidade, num ano em que o dinheiro do turismo está a voltar para a hotelaria e em que a Baixa vive quase inteiramente de quem chega de fora.
Por Marta Carneiro
Imagem: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)