São 1,25 milhões para empresas que olham para a Terra a partir do espaço, e o primeiro prazo fecha a 2 de outubro
A Agência Espacial Portuguesa fixou três datas de avaliação do programa InCubed da ESA até 2028. As candidaturas estão sempre abertas; o que tem data é a avaliação.
Candidatar / Saber maisUm operador de rede elétrica pode descobrir, sem sair do escritório, que um ramo está a crescer demasiado perto de uma linha de alta tensão. Isso não é ficção nem é caro: é o que faz o VESTA, um sistema da portuguesa Spotlite que cruza imagens de satélite com inteligência artificial para vigiar a vegetação junto de linhas elétricas, vias-férreas e estradas.
O VESTA foi financiado pelo InCubed, o programa de inovação industrial da Agência Espacial Europeia dedicado à Observação da Terra. E o InCubed acaba de fixar o calendário para quem quiser seguir o mesmo caminho: a Agência Espacial Portuguesa anunciou três avaliações anuais até 2028, com um orçamento indicativo de 1,25 milhões de euros para projetos nacionais.
As datas que interessam
A primeira avaliação fecha a 2 de outubro de 2026. Segue-se 30 de abril de 2027 e, sujeita à disponibilidade orçamental, 28 de janeiro de 2028.
Há aqui uma distinção que costuma baralhar quem se candidata pela primeira vez. As candidaturas estão abertas em permanência, no portal ORBIT da ESA — pode submeter-se em qualquer dia do ano. O que tem prazo é a ronda de avaliação em que a proposta entra. Submeter a 3 de outubro não fecha portas; empurra a proposta para abril.
O que conta na avaliação
A Agência Espacial Portuguesa emite a carta de suporte de que a ESA precisa para financiar, e publicou os pesos que usa. O impacto para Portugal vale 30% — medido pelo alinhamento com a Estratégia Nacional para o Espaço e pelo retorno para o país. Depois vêm o nível de inovação e a viabilidade técnica (20%), o caso de negócio (20%), a competência da equipa (15%) e a adequação da gestão, planeamento e cofinanciamento (15%).
O programa cofinancia produtos e serviços comercialmente viáveis assentes em dados de Observação da Terra, em qualquer ponto da cadeia de valor: do desenho de satélites às aplicações finais, passando por modelos de negócio novos. Não é preciso construir hardware para entrar.
Portugal aderiu ao InCubed em 2019 e o programa está aberto às empresas nacionais desde 2020. Nesse período foram cofinanciados 13 projetos portugueses. É um número modesto, e é precisamente por isso que a agência insiste no calendário: previsibilidade é o que falta a quem tenta planear um produto a três anos.
O setor tem crescido — basta ver a empresa de Coimbra que vigia satélites em órbita e levantou 15,6 milhões — mas o funil de entrada continua estreito. Estas três datas são o funil.
Por Miguel Sarmento
Imagem: © União Europeia, imagem Copernicus Sentinel-2