Trump assinou mais uma ordem para baixar o custo das casas. Estas são as 4 medidas
A ordem executiva de 22 de outubro manda criar um piloto para cancelar o seguro hipotecário assim que o dono ganha capital suficiente, junta HUD e FHFA numa task force para casas pré-fabricadas, torna permanente uma alternativa ao seguro de título e baixa os juros dos empréstimos da Agricultura e dos Veteranos.
Donald Trump assinou a 22 de outubro uma nova ordem executiva sobre habitação, a terceira deste ano sobre o tema. Chama-se, sem rodeios, Decreasing Housing Costs for the American People, e não mexe nos preços diretamente. Mexe nos custos que se acumulam à volta de comprar, financiar e refinanciar uma casa.
São quatro medidas.
1. O fim antecipado do seguro hipotecário
Nos EUA, quem compra casa com pouca entrada paga um seguro hipotecário todos os meses até ter capital suficiente no imóvel. A ordem manda o diretor da FHFA, o regulador da Fannie Mae e da Freddie Mac, criar um piloto que cancele esse seguro por iniciativa própria assim que o dono cumpre os requisitos, calculados com base no valor de mercado atual da casa, e não no preço de compra. Quem comprou antes de a casa valorizar pode lá chegar mais cedo do que pensava.
2. Uma task force para casas feitas em fábrica
O secretário da Habitação (HUD) e o diretor da FHFA passam a co-liderar uma Task Force on Manufactured Housing Innovation, para empurrar métodos de construção industrial em casas que possam ser financiadas pelos programas federais. É a medida com mais potencial a prazo, e a que tem menos detalhe no papel.
3. Menos custos para refinanciar
Um piloto que dispensava o seguro de título em certos refinanciamentos passa a permanente. Menos uma fatura no fecho do negócio.
4. Juros mais baixos em dois programas públicos
Os departamentos da Agricultura e dos Veteranos, que emprestam diretamente para casas unifamiliares, têm de baixar as taxas de juro desses créditos. A Casa Branca não diz quanto.
O contexto
A ordem soma-se à de janeiro, que restringiu a compra de casas unifamiliares por grandes investidores institucionais, e à ordem para a Fannie Mae e a Freddie Mac comprarem 200 mil milhões de dólares em títulos hipotecários. Chega também a poucos dias das eleições intercalares de 3 de novembro, onde o custo de vida pesa.
O debate tem eco em Portugal, onde a casa própria fugiu a uma geração inteira. A diferença é a ferramenta. Lá, mexe-se no crédito. Cá, a discussão anda sobretudo à volta das rendas e da oferta.
Imagem: Tony Webster / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)