Preços das casas em Portugal: o acompanhamento
Acompanhamento contínuo do mercado da habitação em Portugal — índice de preços do INE, avaliação bancária, rendas e acessibilidade. Atualizado a cada novo dado.
Reunimos aqui, num só sítio, a evolução do mercado da habitação em Portugal. Em vez de um artigo por cada dado novo, atualizamos esta página com o essencial: o índice de preços do INE, a avaliação bancária, as rendas e a acessibilidade para quem compra ou arrenda — que desde 1 de agosto passa também pelas novas regras do crédito à habitação, com a taxa de esforço a descer para 45%. Os dados oficiais estão no INE.
Atualizações
2 de setembro de 2026
A banca emprestou 2,3 mil milhões de euros para compra de casa em julho, o valor mensal mais alto de que há registo, segundo o Banco de Portugal. No mesmo mês entraram 13,7 mil milhões em novos depósitos a prazo, também um recorde, com a taxa a subir pelo sexto mês seguido. As duas pontas contam a mesma história: quem consegue comprar está a pedir mais crédito, e quem não consegue está a estacionar o dinheiro. Um estudo do McKinsey Global Institute divulgado esta quarta-feira acrescenta o desfecho — a riqueza líquida das famílias portuguesas por habitante caiu 1,6 por cento entre 2024 e 2025, contra um máximo histórico a nível global.
27 de agosto de 2026
A avaliação bancária voltou a bater máximo em julho: 2.240 euros por metro quadrado, mais 12 euros do que em junho e mais 15,2 por cento do que há um ano, segundo o INE. A Grande Lisboa está 51,7 por cento acima da média nacional, nos 3.397 euros, mais 441 euros do que em julho de 2025. A subida homóloga mais forte foi na Península de Setúbal, 20,4 por cento, de 2.310 para 2.781 euros. Nos apartamentos a mediana ficou nos 2.627 euros por metro quadrado, mais 16,5 por cento em termos homólogos, num apuramento que considerou 34.053 avaliações.
19 de agosto de 2026
Há agora um número que resume a crise da habitação melhor do que qualquer índice de preços: em Faro, a renda média consome 101 por cento do rendimento líquido de uma família. Ou seja, o salário não chega. Os dados do idealista relativos ao segundo trimestre põem a taxa de esforço nacional em 82 por cento para quem arrenda e 76 por cento para quem compra com crédito, bem acima do limite de 33 por cento habitualmente recomendado. No arrendamento seguem-se ao Faro o Funchal (99 por cento), Lisboa (80) e Porto (69), e só Portalegre (30) fica dentro do patamar recomendado. Na compra, o Funchal é o caso mais extremo, com 115 por cento, seguido de Lisboa (99), Faro (84) e Porto (82).
17 de agosto de 2026
Compra e arrendamento deixaram de andar ao mesmo ritmo. Os preços de venda subiram 11,2 por cento num ano, enquanto as rendas avançaram 3,6 por cento no mesmo período — uma diferença de sete pontos e meio entre os dois mercados. Os dados do Infocasa mostram um arrendamento praticamente parado no curto prazo: 87,9 por cento dos apartamentos anunciados não mexeram no preço nos últimos 30 dias, 9 por cento baixaram e apenas 3 por cento subiram. Nas rendas médias pedidas, o T2 lidera em valor absoluto com 1.577 euros por mês, seguido do T3 com 1.842 euros e do T1 com 1.231 euros; por metro quadrado, porém, é o T1 o mais caro, a 22 euros/m2, contra 18,63 no T2 e 15,66 no T3.
8 de agosto de 2026
O fosso entre comprar e arrendar ganhou números novos. Uma análise da DECO PROteste Investe divulgada esta semana aponta para uma subida homóloga de 11,2% nos preços das casas, contra apenas 3,6% nas rendas. É a tendência que já vinha de trás, agora mais explícita: quem compra enfrenta uma valorização a dois dígitos, quem arrenda vê a renda subir a um ritmo bem mais perto da inflação. Para quem compra para arrendar, a conta é desconfortável — o preço de entrada sobe mais depressa do que aquilo que a casa rende.
6 de agosto de 2026
As rendas inverteram a tendência. Depois de seis meses consecutivos a descer, os preços pedidos no arrendamento subiram 0,9% em julho em termos homólogos, para um valor mediano de 17,7 euros por metro quadrado, segundo o idealista. E houve troca no topo: o Algarve ultrapassou a Área Metropolitana de Lisboa e passou a ser a região mais cara do país para arrendar, com 22,5 euros/m2. Do lado da venda, o mês fechou no nono recorde mensal seguido — já contámos essa parte em detalhe.
28 de julho de 2026
Os preços pedidos voltaram a subir em julho. O valor médio anunciado para venda chegou aos 435 mil euros, mais 1,4% do que em junho e mais 2,4% do que em julho do ano passado. No arrendamento a subida foi mais acentuada: 1.350 euros por mês, mais 3,8% em cadeia e em termos homólogos. O mapa continua a partir-se em dois — Bragança e Portalegre lideram as valorizações do mês, enquanto Lisboa e Porto dão sinais de estabilização depois de anos a puxar o país inteiro para cima.
25 de julho de 2026
A avaliação bancária da habitação bateu novo máximo em junho: 2.228 euros por metro quadrado, mais 16,6% do que no mesmo mês de 2025, segundo o INE. Do lado das vendas, o mercado voltou a acelerar — transacionaram-se 39.210 casas no Continente entre abril e junho, cerca de 7% acima dos três meses anteriores. Compra-se mais e avalia-se mais alto ao mesmo tempo, o que não costuma ser o prenúncio de uma correção.
24 de julho de 2026
Vende-se menos, mas cada vez mais caro. A oferta de casas à venda em Portugal recuou cerca de 6% até junho, segundo o Idealista, o que mantém a pressão nos preços mesmo com a procura a arrefecer. Os dados do INE para o arranque de 2026 contam a mesma história: transacionaram-se menos casas (à volta de menos 10% em cadeia), mas o preço mediano bateu novo recorde, perto dos 2.337 euros por metro quadrado.
22 de julho de 2026
A oferta de casas para arrendar em Portugal caiu 22% no segundo trimestre face ao ano anterior, para cerca de 40,7 mil imóveis de longa duração, segundo o Idealista, ficando quase na mesma face ao trimestre anterior. As descidas mais fortes foram em Coimbra (-58%), Porto (-52%) e Lisboa (-27%), mas a oferta até subiu em 14 dos 20 territórios analisados, com destaque para Beja (+65%), Madeira (+50%) e Bragança (+44%).
20 de julho de 2026
O idealista fechou junho com o preço mediano das casas à venda em novo máximo: 3.156 euros por metro quadrado, o oitavo recorde mensal consecutivo. A subida anual abrandou de 10,2 para 8,9 por cento — sinal de moderação, não de alívio: Lisboa segue nos 4.724 euros/m2 e Faro nos 4.069, e a falta de oferta continua a impedir qualquer correção.
19 de julho de 2026
O balanço do INE a 2025 confirma um mercado a duas velocidades: venderam-se 169.812 casas (+8,6%), num total recorde de 41,2 mil milhões de euros (+21,7%, o valor mais alto da série iniciada em 2009), e o preço mediano subiu 16,8% para 2.076 euros/m2. No arrendamento, os 149.628 novos contratos (+5,4%) e a renda mediana de 9,29 euros/m2 (+9,7%) cresceram a quase metade do ritmo dos preços de venda. Nota curiosa: só 86,2% das compras recorreram a avaliação bancária, contra 89,7% em 2024 — há cada vez mais casas pagas sem crédito.
O custo da habitação está a obrigar os mais novos a trabalhar a dobrar: segundo um estudo divulgado esta semana pela imprensa do setor, quatro em cada dez jovens entre os 18 e os 35 anos acumulam mais do que um emprego para pagar as contas. Entre os jovens que vivem em casa arrendada, quase metade gasta mais de 30% do rendimento só na renda — o limiar a partir do qual os especialistas falam em sobrecarga habitacional.
3 de agosto de 2026
Nono recorde consecutivo, e desta vez com o travão mais carregado: o preço mediano à venda chegou aos 3.210 euros/m2 em julho, com uma subida anual de 8% (era 8,9% em junho) e uma variação trimestral de apenas 0,4%. Lisboa foi a capital que menos subiu (+4,1%) e continua a mais cara, nos 6.260 euros/m2, contra os 1.041 de Castelo Branco. As maiores subidas do ano estão no interior: Viseu (+20,2%), Portalegre (+19,9%) e Guarda (+18,7%). Detalhes em preços das casas em julho.
18 de julho de 2026
O INE confirmou o que o mercado já gritava: no primeiro trimestre, o preço mediano das casas efetivamente vendidas chegou aos 2.337 euros/m2, um recorde absoluto, depois de subir 19,8% num ano — e a acelerar (era 17,5% no trimestre anterior). Venderam-se 35.953 casas, menos 10,5%, com os compradores estrangeiros a pagar em mediana 3.000 euros/m2 contra 2.313 dos residentes. Lisboa (5.292), Cascais (5.000) e Oeiras (4.511) lideram; Guimarães foi o concelho grande que mais subiu (+41,9%).
17 de julho de 2026
Onde é que ainda se arrenda barato? O idealista fez as contas com dados do segundo trimestre e Castelo Branco lidera, com rendas medianas de 7,4 euros por metro quadrado, seguida de Bragança (7,5), Viseu (7,7), Santa Maria da Feira (8,1) e Barcelos (8,3) — ao todo, há mais de uma dezena de concelhos abaixo dos 10 euros/m2, de Famalicão a Tomar. No extremo oposto, Lisboa continua imbatível nos 21,8 euros/m2, à frente de Cascais (20,5), Sines (18,9), Loulé (18,1) e Oeiras (17,3).
16 de julho de 2026
A S&P prevê que Portugal registe a maior subida de preços da habitação na Europa em 2026 — a agência reviu as projeções esta semana, num país que já tinha fechado o primeiro trimestre com uma valorização anual de 16,5%, a quarta mais alta do mundo. Para quem procura casa, o recado é o de sempre: esperar por uma descida continua a não ser estratégia.
O segundo trimestre trouxe a correção que se adivinhava: segundo o idealista, o preço médio de venda caiu 3,4% face ao trimestre anterior, para 3.544 euros por metro quadrado, e as rendas recuaram 4,2%, para 15,46 euros. As casas também demoram mais a vender — 184 dias em média, mais 54% — mas o esforço das famílias continua brutal: a prestação de um T2 absorve cerca de 49% do rendimento líquido de um casal médio. E a queda não é geral: 10 distritos e os Açores ainda subiram.
11 de julho de 2026
Sinal amarelo do lado da oferta: o INE contou apenas 6.586 projetos de construção e reabilitação licenciados até abril, menos 7% do que no mesmo período de 2025, e os custos de construção de habitação nova subiram 6,9% em maio face ao ano anterior. Menos licenças e obra mais cara é uma receita que costuma acabar num sítio conhecido — pressão sobre os preços mais à frente.
10 de julho de 2026
Os preços das casas subiram 8,9% em junho face a há um ano, segundo o idealista — o oitavo máximo histórico consecutivo, com o metro quadrado nos 3.156 euros. O ritmo abrandou (era 10,2% em maio), mas subiu em todas as 20 capitais de distrito e regiões autónomas, com Portalegre (+25,8%), Castelo Branco (+24,3%) e Santarém (+24,2%) à cabeça. Lisboa continua no topo da tabela, com 6.107 euros/m2, seguida do Porto (4.053) e do Funchal (3.921).
9 de julho de 2026
Idealista: em maio o preço mediano dos imóveis à venda estava em 3.142 euros/m2 e o valor médio anunciado subiu para cerca de 430,5 mil euros (+3,7% homólogos), mas com vendas e preços a abrandar a subida. No arrendamento, a renda mediana nacional chegou aos 9,46 euros/m2 no 1.º trimestre (+9,1%), com Lisboa quase no dobro (17,42 euros/m2).
8 de julho de 2026
A Porto Vivo vai colocar no mercado mais 159 casas de renda acessível até dezembro, elevando para 588 os fogos com rendas abaixo do mercado geridos pela sociedade no final de 2026. No mercado de venda, o preço médio dos imóveis anunciados rondava os 430 mil euros em maio, mais 3,7% do que um ano antes, enquanto as transações do primeiro trimestre caíram 8,7% em termos homólogos — preços a subir, negócio a arrefecer.
6 de julho de 2026
O preço médio dos imóveis anunciados para venda chegou aos 430,5 mil euros em maio, mais 3,7% do que um ano antes, segundo o relatório de preços da Imovirtual — mas o mercado dá sinais claros de desaceleração. No primeiro trimestre, os preços de venda chegaram a cair ligeiramente enquanto as rendas subiram na maioria dos distritos. Na prestação da casa, o fosso regional continua enorme: Aveiro tem a prestação média mais alta (perto de 967 euros) e Viseu a mais baixa (cerca de 398 euros), uma diferença de quase 570 euros por mês.
4 de julho de 2026
As rendas descem há cinco meses consecutivos a nível nacional, mas Lisboa continua a ser das capitais menos acessíveis da Europa. Portugal está no top 3 europeu na subida de preços de compra.
1 de julho de 2026
Os preços da habitação bateram novo recorde em maio: subida de 10,2% em cadeia homóloga, com o preço mediano a chegar aos 3.142 euros por metro quadrado, embora o ritmo comece a dar sinais de abrandamento.
30 de junho de 2026
A avaliação bancária das casas atingiu novo máximo (2.208 euros/m²) e o índice de preços do INE confirmou a subida no arranque do ano.
Infografia: Tugadaily · dados idealista