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Imagem oficial da Anthropic
Tecnologia 29 de junho de 2026

Anthropic trava operação com 25 mil contas falsas no Claude

A dona do Claude diz ter detetado uma rede que usou quase 25 mil contas fraudulentas para gerar mais de 28 milhões de interações com a IA.

À medida que os assistentes de inteligência artificial entram no dia a dia, entra com eles um problema antigo com roupa nova: quem os tenta usar para fins menos limpos. A Anthropic, dona do Claude, revelou ter detetado e travado uma operação em larga escala que recorreu a quase 25 mil contas fraudulentas para gerar mais de 28 milhões de interações com o modelo.

Os números impressionam pela escala. Não se trata de um utilizador curioso a fazer perguntas estranhas, mas de uma rede organizada a explorar o serviço de forma automatizada e massiva — o tipo de abuso que obriga as empresas de IA a investir cada vez mais em deteção e em limites de utilização.

Porque é que isto interessa a todos

A história é um lembrete útil de que estas ferramentas são alvos. Redes deste género podem servir para produzir conteúdo em massa, testar fraudes ou contornar regras de utilização, e cada caso destes ajuda a afinar as defesas para o seguinte. Para o utilizador comum, o efeito prático é o reforço de verificações, limites e pedidos de confirmação que por vezes parecem chatos, mas existem por boas razões.

Mostra também a outra metade da corrida da IA: além de modelos mais capazes, é preciso vigilância constante para impedir que essa capacidade seja virada do avesso.

Veja também: a Anthropic, o valor e o caminho para a bolsa. A informação oficial está em anthropic.com.

Imagem: Anthropic

Vista aérea do Apple Park, em Cupertino
Tecnologia 29 de junho de 2026

Apple revela os AFM 3, a sua nova família de modelos de IA

São cinco modelos, do telemóvel ao servidor, desenvolvidos em parceria com a Google. A Apple tenta finalmente acertar o passo na inteligência artificial.

A Apple anunciou os Apple Foundation Models de terceira geração — os AFM 3 — uma família de cinco modelos de inteligência artificial que vão do que corre dentro do telemóvel até ao que vive nos servidores. A novidade que mais chamou a atenção: foram construídos em parceria com a Google.

Para quem tem seguido a saga, faz sentido. A Apple chegou tarde e a custo à corrida da IA, com uma Siri que prometeu muito e entregou pouco. Em vez de tentar fazer tudo sozinha, a empresa de Cupertino parece ter decidido que mais vale apoiar-se em quem já tem músculo na área.

On-device e na nuvem

A lógica dos AFM 3 é dividir tarefas: os modelos mais pequenos correm diretamente no aparelho, rápidos e mais respeitadores da privacidade porque os dados não saem do telemóvel; os maiores ficam nos servidores, para pedidos mais pesados. É o mesmo equilíbrio que toda a indústria persegue, entre rapidez, custo e proteção de dados.

A grande questão é se isto chega para a Apple recuperar terreno perante a OpenAI e a Google nos próprios produtos. Ter bons modelos é uma coisa; transformá-los numa assistente que as pessoas usem todos os dias é outra bem diferente — e é precisamente aí que a Apple tem tropeçado.

Veja também: a Apple e a escolha do parceiro de IA. Os anúncios oficiais estão em apple.com.

Imagem: Wikimedia Commons

Sam Altman, presidente executivo da OpenAI
Tecnologia 29 de junho de 2026

OpenAI prepara entrada em bolsa: a maior IPO da era da inteligência artificial

A dona do ChatGPT entregou em segredo os documentos para se estrear em bolsa, depois de ser avaliada em 852 mil milhões de dólares.

A empresa que pôs o ChatGPT na boca do mundo deu o passo que muitos esperavam: a OpenAI entregou de forma confidencial os documentos para entrar em bolsa. Por outras palavras, prepara-se para se tornar uma empresa cotada — e não uma qualquer. Depois de uma ronda de financiamento gigantesca que a avaliou em cerca de 852 mil milhões de dólares, falamos potencialmente da maior estreia em bolsa da era da inteligência artificial.

Porque é que isto importa

Uma IPO obriga a abrir os livros. Até agora, a OpenAI moveu-se com a discrição de uma empresa privada; cotada, terá de mostrar receitas, custos e — o ponto mais sensível — quanto está realmente a gastar para treinar e operar os seus modelos. Numa altura em que o mercado começa a perguntar quando é que toda esta IA dá lucro, esses números vão ser dissecados ao milímetro.

Há também a leitura de bastidores: a empresa tem investido em chips próprios para inferência, numa tentativa de depender menos das placas da Nvidia e controlar melhor a fatura energética. Sinal de que a próxima batalha não é só de software — é de infraestrutura.

E para nós, do lado de cá?

Para o utilizador comum, no imediato muda pouco. Mas uma OpenAI em bolsa fica mais exposta ao escrutínio público e à pressão dos resultados trimestrais, o que tende a disciplinar gastos e a acelerar produtos que paguem as contas. Vale a pena seguir. A informação oficial sobre os produtos está em openai.com.

Veja também: a IA a mudar de tom, do gastar para o mostrar resultados.

Imagem: Wikimedia Commons

Centro de dados visto do exterior
Tecnologia 29 de junho de 2026

A IA muda de tom: do "gastar a todo o custo" para mostrar resultados

Depois de meses a queimar dinheiro, as empresas começam a exigir retorno. OpenAI e Anthropic preparam-se para bolsa num clima bem mais exigente.

Durante uns bons dois anos, a regra no mundo da inteligência artificial foi simples: gastar sem olhar à fatura. Mais modelos, mais chips, mais centros de dados, na convicção de que quem chegasse maior chegaria primeiro. Esse clima começou a virar.

As notícias da última semana apontam todas na mesma direção. Os clientes empresariais deixaram de assinar cheques em branco e passaram a fazer a pergunta chata de sempre: isto dá retorno? A mudança tem nome — em vez de “tokenmaxxing”, o gastar à bruta, fala-se agora em eficiência, em fazer mais com menos.

Bolsa à porta

O timing não é inocente. Tanto a OpenAI como a Anthropic apresentaram pedidos confidenciais para irem à bolsa, e uma estreia destas exige números que convençam investidores, não só promessas. A Anthropic terá reportado um ritmo anualizado de receitas a rondar os 47 mil milhões de dólares, um salto enorme face ao ano passado — mas o mercado quer ver lucro à vista, não só crescimento.

Pelo meio, a guerra dos chips continua. A OpenAI juntou-se à Broadcom para desenhar o seu próprio processador, e quase toda a gente — Google, Meta, Apple — corre para ter silício à medida e fugir à fatura salgada da Nvidia.

Porque é que isto importa para quem está em Portugal? Porque define o preço e a velocidade das ferramentas que já usamos no trabalho e na escola. Uma corrida mais focada em eficiência costuma significar produtos mais baratos e mais bem feitos para o utilizador final.

Veja também: a corrida ao IPO da Anthropic e a Siri com modelos externos. Mais detalhe no blog oficial da Anthropic.

Imagem: Wikimedia Commons

Vista aérea do Apple Park, sede da Apple em Cupertino
Tecnologia 28 de junho de 2026

A nova Siri da Apple vai correr com Gemini e deixar-te escolher a IA

Na WWDC, a Apple apresentou uma Siri reconstruída assente num modelo Google Gemini e um sistema que permite escolher entre ChatGPT, Gemini e Claude.

A Apple costuma chegar tarde às festas, mas chega de fato a rigor. Na sua conferência de programadores, a empresa apresentou finalmente a grande reformulação da Siri, a assistente que andava anos a precisar de uma reviravolta.

A novidade que deu mais que falar é com quem a Apple se juntou. A nova Siri vai assentar num modelo personalizado da Google, o Gemini, num acordo que pagará à dona do Android cerca de mil milhões de dólares por ano. A assistente passa a falar de forma mais natural, ida e volta, e a encadear tarefas: verificar datas de um concerto, criar um lembrete para comprar bilhetes e até traçar o caminho para ir buscar um amigo.

Escolhe o teu motor

O detalhe mais interessante para os curiosos é o sistema de extensões. A Apple vai deixar o utilizador escolher qual a inteligência artificial por trás de algumas funções, entre o ChatGPT, o Gemini e o Claude, da Anthropic. É a Apple a fazer aquilo que faz melhor: pegar em tecnologia dos outros e embrulhá-la à sua maneira.

A empresa insiste no argumento da privacidade, lembrando que recolhe menos dados do que os serviços de IA na nuvem e que usa a informação guardada no próprio telemóvel para personalizar. Os investidores não ficaram totalmente convencidos: a ação chegou a cair perto de 2 por cento depois do anúncio.

Para o utilizador comum, a leitura é simples. A guerra da IA já não se joga só nos laboratórios, joga-se no telemóvel que temos no bolso, e a Apple acaba de entrar nela a sério.

Veja também: O GPT-5.6 da OpenAI. Mais no site oficial da Apple.

Imagem: Wikimedia Commons

Tesla Cybercab, o táxi autónomo da Tesla
Tecnologia 28 de junho de 2026

Os robotáxis da Tesla já andam nas ruas (com humano a vigiar)

Depois de anos de promessas, a Tesla pôs finalmente os seus táxis autónomos a circular em Austin, ainda com um supervisor de segurança a bordo.

Há promessas que Elon Musk repete há tanto tempo que já soavam a anedota. A da condução totalmente autónoma era uma delas. Pois bem, em junho a Tesla finalmente colocou os seus robotáxis a circular nas ruas de Austin, no Texas.

Há, claro, uma letra pequena importante: por agora, cada carro leva um supervisor de segurança humano a bordo, pronto a intervir se algo correr mal. Ou seja, autónomo sim, mas com rede de segurança. É o passo cauteloso de quem sabe que um único acidente mediático pode atrasar o projeto anos.

A grande aposta da Tesla

Este lançamento encaixa numa viragem maior. A Tesla entrou naquilo que os analistas chamam um ciclo de forte investimento, a deslocar o foco da pura venda de carros elétricos para a inteligência artificial, a robótica e os próprios chips. O Cybercab, o táxi feito de propósito para isto, arranca com o hardware atual, sem esperar pela próxima geração de processadores.

E não está sozinho na corrida. A Nvidia já anunciou que se juntou à Uber para lançar uma rede global de robotáxis, com arranque previsto para Los Angeles e São Francisco no início de 2027. A guerra dos carros sem condutor vai aquecer.

Por cá, nada disto chega amanhã. Mas vale a pena ir percebendo para onde caminha o setor, porque o carro que se conduz sozinho deixou de ser ficção científica para passar a ser um problema de engenharia, regulação e confiança.

Veja também: A Samsung e os novos dobráveis. Mais no site da Tesla.

Imagem: Wikimedia Commons

Um smartphone dobrável da gama Galaxy Z Fold
Tecnologia 28 de junho de 2026

Samsung marca Unpacked para 22 de julho: chegam os novos dobráveis

A Samsung deverá apresentar o Galaxy Z Fold 8, o Z Flip 8 e novidades em Londres, no seu evento de verão.

Os dobráveis voltam ao palco. A próxima grande apresentação da Samsung, o chamado Galaxy Unpacked de verão, aponta para 22 de julho, em Londres. Vários meios convergem na mesma data, ainda que, à data de fecho, a Samsung não tivesse confirmado oficialmente, por isso convém ler isto como um rumor forte, não como pedra de lei.

O cardápio esperado é apetitoso para quem gosta de telemóveis que se desdobram. Deverão surgir o Galaxy Z Fold 8 e o Z Flip 8, e há quem fale ainda de um modelo Fold mais largo e de uns óculos inteligentes da marca. Pelo meio, é provável que apareça uma nova geração do relógio Galaxy Watch.

Porque é que isto importa

Os dobráveis deixaram de ser uma curiosidade cara para se tornarem o palco onde a Samsung mostra músculo. Cada geração afina as dobradiças, reforça os ecrãs e tenta convencer o público de que vale a pena pagar mais por um telemóvel que também é um pequeno tablet.

Para o consumidor em Portugal, a parte prática chega depois: novos modelos costumam empurrar os anteriores para promoções. Quem anda de olho num Fold ou num Flip pode ganhar em esperar umas semanas, mesmo que não queira o último grito.

Vale a pena guardar a data e desconfiar dos exageros. Em tecnologia, entre o rumor e a caixa na loja há sempre um caminho cheio de surpresas.

Veja também: OpenAI revela o GPT-5.6: três modelos para três bolsos.

Imagem: Wikimedia Commons

Servidores num centro de dados
Tecnologia 28 de junho de 2026

A IA vira-se para a eficiência: o fim do 'quanto maior, melhor'

As empresas trocam o 'tokenmaxxing' por modelos mais baratos. Há quem já tenha migrado totalmente para alternativas de baixo custo.

Durante anos, a regra na IA foi simples: maior é melhor, gastem-se os tokens que forem precisos. Essa fase está a passar. As empresas começaram a olhar para a fatura e a perguntar se precisam mesmo do modelo mais caro para cada tarefa, ou se um mais barato chega.

O exemplo que deu que falar veio da startup Lindy, cujo CEO desligou os modelos da Anthropic e moveu 100% do tráfego para a DeepSeek, uma empresa chinesa que oferece alternativas de pesos abertos e custo bem mais baixo. Não é um caso isolado: é o sintoma de uma viragem.

Porque é que isto importa cá

Para programadores e empresas portuguesas, esta corrida à eficiência é uma prenda. Significa preços a cair, mais concorrência e a possibilidade de testar IA sem queimar o orçamento. O segredo passa a ser escolher o modelo certo para cada tarefa, em vez de usar sempre o mais potente por reflexo.

A lição é velha mas aplica-se: não é o tamanho do motor, é saber conduzir.

Veja também: o novo GPT-5.6 e os modelos da Microsoft. Mais sobre a alternativa em DeepSeek.

Imagem ilustrativa · Foto: panumas nikhomkhai / Pexels

Sam Altman, CEO da OpenAI
Tecnologia 28 de junho de 2026

OpenAI revela o GPT-5.6: três modelos para três bolsos

A OpenAI antecipou o GPT-5.6 com três variantes — Sol, Terra e Luna — apostando em raciocínio de fronteira e custos mais baixos.

A OpenAI voltou a mexer no tabuleiro. A empresa antecipou o GPT-5.6, o seu novo modelo de topo para programadores e empresas, e desta vez veio acompanhado: além do Sol, surgem o Terra e o Luna, cada um pensado para um uso diferente.

O Sol é o cérebro pesado, feito para raciocínio de fronteira e tarefas longas e autónomas, do tipo que exige planeamento e várias etapas. O Terra é o equilibrado do dia a dia, com desempenho próximo do GPT-5.5 mas a metade do custo. E o Luna é o mais rápido e barato da família, para quem quer respostas ágeis sem grandes complicações.

A guerra mudou de eixo

O destaque técnico está em código, raciocínio científico e fluxos de trabalho agénticos, com novos níveis de esforço de raciocínio. Mas a leitura de mercado é outra: a corrida deixou de ser só por modelos maiores e passou a ser por modelos eficientes, que fazem o mesmo a gastar menos.

Para empresas em Portugal, isto é boa notícia: mais opções e preços mais baixos significam que a IA deixa de ser um luxo para grandes orçamentos.

Veja também: o anúncio anterior da OpenAI e a viragem para a eficiência. Detalhes oficiais em OpenAI.

Imagem: Wikimedia Commons

Robô humanoide futurista num cenário interior
Tecnologia 27 de junho de 2026

Portugal tem agora um plano nacional para a inteligência artificial — e 25 milhões para o Estado

O Governo aprovou a Agenda Nacional de IA para 2026-2030, com investimento na Administração Pública e um centro de excelência.

Toda a gente fala de inteligência artificial, mas faltava saber o que é que o país tenciona, em concreto, fazer com ela. Agora há um documento que tenta responder: a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, aprovada para o quinquénio 2026-2030.

A premissa é honesta e até um bocadinho dura: a produtividade portuguesa está em torno de 75% da média europeia, e o Governo vê na IA uma oportunidade rara de fechar parte dessa distância — acelerando o crescimento, modernizando o Estado e libertando trabalhadores de tarefas repetitivas.

Onde entra o dinheiro

A primeira aposta concreta é dentro de casa: estão previstos 25 milhões de euros para a Administração Pública adotar soluções de IA, a arrancar já no primeiro semestre. A juntar a isso, nasce um Centro de Excelência em IA na Administração Pública, com a missão de desenvolver, testar e escalar ferramentas aplicadas aos serviços públicos — daquelas que, no melhor dos cenários, fazem uma ida às Finanças ou ao centro de saúde doer menos.

Há ainda uma Semana Nacional da Inteligência Artificial planeada para o segundo semestre, com demonstrações e eventos abertos a quem quiser perceber a tecnologia sem ser engenheiro.

Vale o entusiasmo?

Planos não faltam neste país; o que costuma faltar é execução. A diferença será medida não no papel, mas em serviços públicos que funcionem melhor e em empresas que de facto adotem estas ferramentas. Para já, fica o sinal certo: Portugal decidiu tratar a IA como prioridade de Estado, e não como moda passageira.

Resta a parte difícil — passar da apresentação em PowerPoint para o terreno.

Imagem ilustrativa · Foto: Alex Knight / Pexels

Microprocessador numa placa de circuito
Tecnologia 27 de junho de 2026

A nova IA da Apple corre em servidores da Google e da Nvidia — e a promessa da privacidade?

A Apple sempre se vendeu como a marca da privacidade. Agora que o seu modelo mais avançado vive na nuvem, em chips de outros, vale a pena perceber o que muda.

Durante anos, a Apple martelou uma ideia: “o que se passa no teu iPhone fica no teu iPhone”. Era o argumento de venda contra rivais que vivem de recolher dados. Agora que o seu modelo de IA mais potente passou a correr na nuvem — em parte com tecnologia da Google e em servidores com chips Nvidia — há quem pergunte se a promessa ainda se aguenta.

A resposta honesta é: depende do que se entende por privacidade. Muita coisa continua a acontecer no próprio aparelho, sem sair de lá. Para tarefas mais pesadas, porém, o pedido viaja para a nuvem.

O que a Apple diz fazer diferente

A aposta chama-se, em traços gerais, computação na nuvem “privada”: a ideia de que os dados são processados sem ficarem guardados e sem serem acessíveis nem à própria Apple nem aos parceiros. No papel, é mais protegido do que mandar tudo para um servidor qualquer. Na prática, os utilizadores ficam a depender de que essas garantias sejam mesmo cumpridas — e auditadas.

O que isto significa para si

Não há motivo para pânico, mas vale a pena saber onde estão os botões. Nas definições, dá para perceber que funções usam a nuvem e quais ficam locais. Se trabalha com informação sensível, é precisamente aí que deve olhar.

A lição maior talvez seja esta: na era da IA, “privacidade total” deixou de ser um interruptor de ligar/desligar e passou a ser uma série de compromissos. Convém saber quais aceitamos — mesmo quando a marca tem fama de boa aluna.

Imagem ilustrativa · Foto: Sergei Starostin / Pexels

Equipa de programadores a trabalhar em computadores num escritório moderno.
Tecnologia 27 de junho de 2026

A nova vaga de startups portuguesas: menos hype, mais provas dadas

De Lisboa a Braga, o ecossistema tecnológico português está a amadurecer. IA, cibersegurança e saúde digital lideram, e há cada vez mais empresas a vender lá fora.

Houve uma altura em que falar de startups em Portugal era, sobretudo, falar de promessas. Hoje a conversa é outra. O ecossistema cresceu, ganhou músculo e, mais importante, começou a mostrar resultados — empresas com clientes reais, receitas a sério e ambição de vender muito para lá das fronteiras.

A geografia já não se resume a Lisboa. O Porto e Braga consolidaram-se como polos que atraem fundadores e talento, ajudados por estruturas públicas como a Startup Portugal e o IAPMEI, que limam algumas das arestas dos primeiros passos. Nomes como a Aptoide, a Jscrambler, a Ethiack ou a Automaise provam que dá para construir aqui e competir no mundo, sem complexos.

Os setores que mais energia concentram dizem muito sobre o momento: software, cibersegurança, inteligência artificial aplicada, saúde digital, ferramentas para a indústria e energia. Não é por acaso. São áreas onde Portugal tem talento técnico a bom preço, boas universidades e uma posição interessante para servir mercados europeus. Programas de aceleração como o Scale Up Now têm ajudado a destacar empresas em fase de crescimento — da saúde (CleoCare, Enhanced Fertility) à IA (Granter.ai, Pluggable AI), passando por realidade virtual e cuidados (Virtuleap, Usawa Care).

A grande mudança, porém, é de mentalidade. A nova vaga é menos sobre o “hype” do pitch perfeito e mais sobre fundamentos: provar que há mercado, que o produto resolve um problema concreto e que a casa está em ordem do ponto de vista legal, de segurança e de produto. É um amadurecimento que se nota — e que torna estas empresas muito mais sólidas do que as da geração anterior.

Claro que nem tudo são rosas. Atrair capital em rondas maiores continua a ser mais difícil do que noutras capitais europeias, e reter talento quando lá fora se paga mais é um desafio permanente. Mas a direção é animadora: Portugal deixou de ser apenas um sítio simpático para fundar uma empresa e passou a ser um sítio onde, com provas dadas e visão de exportação, se constroem negócios que aguentam o pulso. E isso, no fundo, vale mais do que qualquer slide bonito.

Imagem ilustrativa · Foto: cottonbro studio / Pexels

Portátil a mostrar um editor de código com uma caneca de café
Tecnologia 27 de junho de 2026

Bruxelas chama os cientistas para vigiar a IA: o que muda com o novo painel europeu

A Comissão Europeia nomeou um painel científico e um fórum consultivo para ajudar a aplicar o Regulamento da Inteligência Artificial.

Aprovar uma lei é uma coisa; fazê-la funcionar na prática é outra bem diferente — sobretudo quando a lei tenta domar uma tecnologia que muda de cara de seis em seis meses. É exatamente esse o desafio do Regulamento da Inteligência Artificial da União Europeia, e Bruxelas acaba de reforçar a equipa para o enfrentar.

A Comissão Europeia nomeou um painel científico de peritos independentes e um fórum consultivo para aconselhar o Serviço de IA da Comissão e as autoridades nacionais. Por outras palavras: gente que percebe mesmo de IA para ajudar a aplicar as regras sem matar a inovação no processo.

Porque é que isto interessa a Portugal

O AI Act europeu vale para todos os Estados-membros, e Portugal não é exceção. Empresas que usem ou desenvolvam IA por cá vão ter de cumprir o mesmo livro de regras das suas congéneres alemãs ou francesas — o que tanto pode ser um travão como uma vantagem, se as regras derem confiança a quem investe.

Ter cientistas a orientar a aplicação é importante por uma razão simples: a IA evolui depressa de mais para um regulador desatento. Modelos que há um ano eram ficção são hoje rotina. Um painel técnico permite ajustar a interpretação das regras à realidade, em vez de a deixar presa a um texto que envelhece.

O equilíbrio difícil

A Europa joga aqui uma partida delicada: proteger os cidadãos de abusos (vigilância, discriminação algorítmica, manipulação) sem ficar para trás na corrida tecnológica face aos Estados Unidos e à China. Demasiada rédea curta afugenta empresas; rédea solta de mais e perde-se a confiança.

Este painel é a tentativa de manter as duas mãos no volante. Veremos se chega.

Imagem ilustrativa · Foto: Daniil Komov / Pexels

Passaporte e cartões de embarque sobre um portátil
Tecnologia 27 de junho de 2026

Portugal quer roubar talento de IA ao mundo — e vai acelerar os vistos para o conseguir

O Governo prepara um regime mais rápido de vistos para atrair especialistas em inteligência artificial. Uma aposta para travar a fuga de cérebros ao contrário.

Durante anos, a conversa sobre talento em Portugal foi sempre a mesma e sempre triste: os melhores formavam-se cá e iam ganhar lá fora. Agora o Governo quer virar parte dessa equação — e a inteligência artificial é a isca.

A ideia é simples de enunciar, difícil de executar: criar um regime mais rápido de vistos para atrair especialistas em IA de todo o mundo a virem trabalhar para Portugal. Em vez de meses de burocracia, um caminho desimpedido para quem domina uma das competências mais disputadas do planeta.

Porque é que isto faz sentido

A IA não se constrói só com computadores caros; constrói-se com gente que sabe pô-los a pensar. E essa gente é rara, cara e cobiçada por meio mundo — dos Estados Unidos ao Golfo, todos os países querem os mesmos engenheiros. Sem um tapete vermelho à entrada, Portugal arrisca ficar a ver passar o comboio.

Juntando isto à recém-aprovada Agenda Nacional de IA, percebe-se a estratégia: atrair cérebros de fora ao mesmo tempo que se moderniza o Estado e se tenta subir a produtividade nacional, hoje em cerca de 75% da média europeia.

O senão de sempre

O risco mora na execução. Anunciar vistos rápidos é fácil; fazê-los funcionar num sistema que muitos imigrantes conhecem pela lentidão é outra história — basta perguntar a quem já lidou com filas e prazos. Se o regime for mesmo ágil, pode ser um íman; se for só mais uma promessa, os especialistas escolhem outro destino sem pestanejar.

A intenção é boa e a direção é a certa. Falta a parte que costuma falhar: cumprir.

Imagem ilustrativa · Foto: RDNE Stock project / Pexels

Close-up of a smartphone with AI chat interface, showcasing advanced technology in a sleek design.
Tecnologia 26 de junho de 2026

A corrida dos assistentes de IA: o ChatGPT ainda lidera, mas já não sozinho

Um novo relatório mostra a quota do ChatGPT a cair abaixo de metade do mercado, com o Gemini e o Claude a ganhar terreno.

Durante muito tempo, “assistente de IA” e “ChatGPT” eram praticamente sinónimos. Já não são. Segundo o relatório State of AI 2026 da Sensor Tower, a quota global do ChatGPT caiu para 46,4% — ou seja, abaixo de metade do mercado pela primeira vez.

Quem está a ganhar? O Gemini, da Google, subiu para 27,7%, e o Claude, da Anthropic, chegou aos 10,3%. Não é um colapso do líder — é mais um mercado a amadurecer, com utilizadores a experimentar alternativas em vez de ficarem presos a uma só app.

Porque é que isto interessa

Concorrência costuma ser boa notícia para quem usa. Mais rivais sérios significa preços mais baixos, lançamentos mais rápidos e menos dependência de uma única empresa. E há um detalhe de fundo: estas ferramentas já entraram em escolas, escritórios e pequenos negócios — também por cá. Saber que o terreno está dividido ajuda a não pôr todos os ovos no mesmo cesto digital.

Imagem ilustrativa · Foto: Tim Witzdam / Pexels

Flat lay of tech gadgets and personal accessories including camera and smartwatch.
Tecnologia 26 de junho de 2026

Porque é que os teus gadgets ficaram de repente mais caros

Portáteis, consolas, telemóveis: a culpa é de um componente que ninguém vê. Explicámos a crise das memórias sem dramas e sem jargão.

Se andavas a namorar um portátil novo e ele parece ter ganho uns euros da noite para o dia, não é impressão tua. Há uma crise silenciosa a empurrar os preços para cima, e o culpado é uma peça do tamanho de uma unha que vive lá dentro do aparelho: a memória.

A memória, em duas palavras

Todo o gadget precisa de memória. Há a DRAM, que é a “mesa de trabalho” onde o aparelho mexe nas coisas enquanto está ligado, e a NAND, que é a “gaveta” onde ficam guardadas as fotos e as apps. Quanto mais memória, mais rápido e espaçoso o aparelho — e mais caro de fabricar.

O problema é que o preço destas memórias quadruplicou desde 2025. As fábricas que as produzem decidiram dedicar-se a um tipo especial e muito mais lucrativo — a HBM, a memória que alimenta os centros de dados de inteligência artificial. Resultado: sobra pouca para os portáteis, consolas e telemóveis do comum dos mortais, e o pouco que sobra ficou caro.

Onde já se nota

A Apple subiu vários modelos, alguns até 300 dólares — um MacBook Pro de topo passou a custar 1.999 em vez de 1.699. A Microsoft avisou que as Xbox ficam 100 a 150 dólares mais caras a partir de agosto. E isto é só o princípio: quem fabrica praticamente qualquer coisa com um chip lá dentro está a sentir o mesmo aperto.

Vale a pena esperar?

Honestamente, ninguém tem bola de cristal. Mas a lógica diz que enquanto a IA continuar esfomeada por memória, a pressão mantém-se. Se o teu aparelho atual ainda aguenta, talvez valha a pena esticá-lo mais uns meses. E se vais mesmo comprar, compara bem as configurações: às vezes pagar menos por um pouco menos de armazenamento é a diferença entre o preço do ano passado e o deste.

Imagem ilustrativa · Foto: Akaaljotsingh Anandpuria / Pexels

Logótipo da Getty Images
Tecnologia 25 de junho de 2026

Getty e OpenAI fazem as pazes: imagens com licença dentro do ChatGPT

Depois de meses a discutir direitos de autor, o gigante das fotografias fechou acordo com a OpenAI. As ações dispararam mais de 100%.

Reviravolta no mundo das imagens e da inteligência artificial: a Getty, gigante das fotografias de stock, fechou um acordo com a OpenAI para integrar conteúdo licenciado no ChatGPT. Isto vindo de quem andou meses de candeias às avessas com empresas de IA por causa de direitos de autor. A reação dos investidores foi imediata — as ações da Getty dispararam mais de 100% num dia.

A leitura é interessante. Em vez de continuar só a guerra nos tribunais, a Getty escolheu também sentar-se à mesa: se os modelos vão usar imagens na mesma, mais vale serem licenciadas e pagas. Um caminho que pode virar tendência.

O que muda para quem usa

Para o utilizador comum, a promessa é conteúdo visual com a casa em ordem — material licenciado, em vez do nevoeiro legal de “onde é que isto foi buscar a imagem?”. Para criadores e fotógrafos, é a esperança de que a IA passe a pagar pela matéria-prima, em vez de a aspirar de graça. Ainda é cedo, mas o sinal é dos bons.

Imagem: Getty Images / Wikimedia Commons

Scrabble letter tiles arranged to spell 'ONE' in a crossword style on a white background.
Tecnologia 25 de junho de 2026

Washington bloqueia uma empresa de IA. Pequim responde com 56

A guerra das exportações de tecnologia deixou de ser de sentido único. E o estopim, segundo a própria empresa, foi um pedido banal de programação.

A queda de braço tecnológica entre os EUA e a China subiu de tom — e desta vez nos dois sentidos. A 12 de junho, Washington bloqueou o acesso estrangeiro a modelos de topo de uma empresa americana de IA, alegando segurança nacional. Dias depois, Pequim respondeu a dobrar: pôs 56 empresas americanas na lista negra, entre controlos de exportação e proibições de compras públicas, atingindo sobretudo gigantes da defesa e mineiras de terras raras.

O detalhe que dá que pensar está na justificação. Segundo a própria empresa de IA, o tal “uso perigoso” que desencadeou o bloqueio era… um pedido para ler um código e corrigir falhas. Uma tarefa que, admite a empresa, qualquer modelo rival também faz. Ou seja: muito barulho à volta de uma capacidade banal.

Porque é que isto nos toca

Pode parecer uma briga distante entre superpotências, mas estas decisões mexem com toda a cadeia da tecnologia — preços, acesso a modelos, terras raras que entram em quase tudo, do telemóvel ao carro elétrico. Quando os dois maiores fecham portas um ao outro, o resto do mundo, Portugal incluído, acaba por sentir a corrente de ar.

Imagem ilustrativa · Foto: Brett Jordan / Pexels

Minimalistic display of OpenAI logo on a monitor with a gradient blue background, representing modern technology.
Tecnologia 25 de junho de 2026

A OpenAI vai fazer o seu próprio chip — e chama-lhe Jalapeño

Em parceria com a Broadcom, a dona do ChatGPT apresentou o seu primeiro processador de IA. O objetivo: respostas mais rápidas e menos dependência de terceiros.

A OpenAI quer deixar de andar sempre à boleia dos chips dos outros. A empresa apresentou o Jalapeño, o seu primeiro processador dedicado a inteligência artificial, feito em parceria com a Broadcom. A ideia é simples de dizer e difícil de fazer: acelerar as respostas dos modelos e torná-las mais fiáveis e baratas. A estreia está prometida para o final de 2026.

O nome arrojado à parte, a jogada faz sentido. Hoje, treinar e correr modelos de IA depende muito dos chips da Nvidia, caríssimos e disputados a peso de ouro. Desenhar o seu próprio processador é a forma de ganhar autonomia, cortar custos e não ficar refém de um único fornecedor.

O que está em jogo

Se correr bem, é menos um “computador a pensar muito devagar” e mais respostas instantâneas — e, lá no fundo da fatura, serviços de IA potencialmente mais acessíveis para todos. É também mais um sinal de que a corrida da IA já não se joga só no software: agora é também uma guerra de silício.

Imagem ilustrativa · Foto: Andrew Neel / Pexels

Tablet display of stock market data with smartphone and colorful candies on desk.
Tecnologia 24 de junho de 2026

As ações da IA tomaram um banho de água fria

Nvidia, Micron e AMD lideraram uma queda no setor tecnológico depois de o Fed avisar que a inflação ainda está alta. Será o fim da festa ou só uma pausa?

Depois de meses a subir como foguetes, as estrelas da inteligência artificial levaram um valente puxão de orelhas. A Nvidia, a Micron e a AMD lideraram uma vaga de vendas no setor tecnológico, com os investidores a passarem subitamente para o modo cauteloso. O gatilho? O Fed, o banco central americano, sinalizou que a inflação continua alta demais — e isso costuma ser veneno para as ações mais “caras” e dependentes de juros baixos.

Não é necessariamente um drama. Estas empresas valorizaram tanto em 2026 que uma correção de vez em quando é quase higiene de mercado. Mas serve de lembrete: a “trade da IA” — apostar em tudo o que cheire a inteligência artificial — não é uma escada que só sobe.

A leitura calma

Quando um setor sobe tão depressa, há sempre o risco de uma bolha. Pode ser isso, pode ser só uma pausa para apanhar fôlego — ninguém tem a bola de cristal. Para quem tem poupanças em fundos tecnológicos, a moral é a do costume: diversificar, não pôr todos os ovos no cesto da moda, e não entrar em pânico quando o verde vira vermelho por uns dias.

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Flat lay of assorted Apple product boxes showcasing technology packaging design.
Tecnologia 24 de junho de 2026

A Apple reconstruiu a Siri — e por baixo está o Gemini da Google

Na WWDC, a Apple revelou uma Siri renovada movida a um modelo Google de 1,2 biliões de parâmetros, e deixa o utilizador escolher entre ChatGPT, Gemini e Claude.

Durante anos, a Siri foi aquela amiga simpática mas um bocadinho lenta de raciocínio. Na conferência de programadores da Apple, a WWDC, a empresa decidiu fazer-lhe um transplante completo de cérebro — e o doador é, surpresa, a Google.

A nova Siri passa a correr sobre um modelo Gemini feito à medida, com 1,2 biliões de parâmetros, alegadamente licenciado por cerca de mil milhões de dólares por ano. Mas a parte mais interessante é a liberdade: a Apple vai abrir um sistema de “Extensões” que deixa o utilizador escolher o motor de IA por trás das funções — ChatGPT, Gemini ou o Claude da Anthropic.

Porque é que isto é grande

Ver a Apple, sempre tão fechada no seu jardim, a pagar à rival Google e a deixar escolher concorrentes é quase chocante. Diz tudo sobre a corrida à IA: nem a empresa mais valiosa do mundo consegue fazer tudo sozinha.

Para quem usa iPhone, a promessa é simples — uma assistente que finalmente percebe o que lhe pedimos. Resta ver se a prática acompanha a apresentação. Chegaram também o iOS 27 e o macOS 27.

Imagem ilustrativa · Foto: Alan Quirván / Pexels

Sam Altman
Tecnologia 24 de junho de 2026

A OpenAI prepara o GPT-5.6 e rouba uma lenda à Google

Está aí à porta uma nova versão do modelo da OpenAI — e Noam Shazeer, um dos pais da arquitetura que move toda a IA moderna, troca a Google pela OpenAI.

A corrida da inteligência artificial não dá descanso. A OpenAI já anda a preparar o GPT-5.6, apresentado pelo seu cientista-chefe como um salto “significativo” face ao 5.5, com lançamento apontado para o final de junho. Por estes dias, “significativo” é a palavra que toda a gente usa — convém esperar para ver.

A jogada mais saborosa, no entanto, é de contratação. Noam Shazeer — co-autor do célebre artigo de 2017 “Attention Is All You Need”, que inventou a arquitetura Transformer em que assenta praticamente toda a IA atual — vai deixar a Google DeepMind para se juntar à OpenAI.

Porque é que isto importa

Na IA, o talento vale ouro, e Shazeer é dos nomes mais cobiçados do planeta. Vê-lo mudar de camisola é um sinal de força para a OpenAI e uma dor de cabeça para a Google.

Para o resto de nós, o recado é que estas ferramentas vão continuar a melhorar a um ritmo alucinante. Boa altura para aprender a usá-las — sem deixar de pensar com a nossa própria cabeça.

Imagem: Wikimedia Commons

Close-up view of hands holding a VR headset, showcasing technology in a studio setting.
Tecnologia 24 de junho de 2026

Porque é que o seu próximo PC vai ter a RAM mais cara

A Micron, fabricante de chips de memória, vive um momento de ouro graças à IA. Boa notícia para a empresa, má notícia para a sua carteira na próxima compra.

Há uma “taxa de IA” escondida e ela vai aparecer no preço do seu próximo computador. A culpada (ou a heroína, depende de quem conta) é a memória. A Micron, uma das grandes fabricantes de chips de memória, está a viver um momento brilhante, com margens recorde — guiou para receitas à volta dos 33,5 mil milhões de dólares e margens brutas perto dos 81%.

Porquê tanta euforia? Porque os centros de dados de inteligência artificial são esfomeados por memória de alta velocidade. Toda a Nvidia e companhia precisa de montanhas de chips para treinar e correr modelos de IA, e isso suga a produção das fábricas. Quando a procura industrial dispara, sobra menos para os PCs e portáteis do dia a dia — e o que é escasso, encarece.

O que fazer com isto

Se está a pensar comprar ou montar um computador, ou simplesmente fazer um upgrade de RAM, conte com preços mais “picantes” do que há um ano. Não é preciso correr para a loja em pânico, mas se encontrar um bom negócio em memória, talvez não valha a pena adiar à espera que baixe — porque, com a IA a puxar deste lado, baixar não é o cenário mais provável.

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Close-up of a smartwatch on a woman's wrist during outdoor fitness activity.
Tecnologia 23 de junho de 2026

IA capaz a correr num portátil normal? A Google diz que sim

O novo Gemma 4 12B processa texto, imagem e som sem precisar da nuvem — e cabe numa máquina com 16 GB de memória.

Quando se fala de inteligência artificial, imagina-se logo enormes data centers a consumir eletricidade de uma cidade. Mas há uma corrida paralela, mais discreta e talvez mais útil para o dia a dia: pôr modelos capazes a correr na sua própria máquina. A Google deu mais um passo nesse sentido com uma nova versão do Gemma 4.

A novidade chama-se Gemma 4 12B “Unified” e tem um truque interessante: percebe texto, imagens e som ao mesmo tempo, numa arquitetura mais simples do que o costume. O mais relevante para o utilizador comum é que cabe num portátil com 16 GB de memória — nada de servidores gigantes nem subscrições mensais.

Porque é que isto é bom

Correr a IA localmente tem duas vantagens fáceis de perceber: privacidade e custo. Os seus dados não saem do computador, e não há fatura a aumentar consoante o uso. Para programadores, escolas ou pequenas empresas, é a diferença entre experimentar à vontade e ter de pensar duas vezes antes de cada pergunta.

Como acontece com a família Gemma, o modelo é aberto e gratuito. Não vai substituir os gigantes da nuvem nas tarefas mais pesadas, mas para muita coisa do dia a dia já chega — e isso, há bem pouco tempo, parecia ficção.

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Microsoft
Tecnologia 23 de junho de 2026

A Microsoft fez os seus próprios modelos de IA — e quer pagar menos à OpenAI

Sete modelos novos, apresentados no Build, prometem custos até dez vezes menores. Tradução: a dependência da OpenAI começa a incomodar.

Durante anos, a Microsoft foi a melhor amiga (e maior financiadora) da OpenAI. Mas amizades caras acabam por pesar — e a empresa decidiu construir alternativas em casa. No seu evento Build, apresentou sete modelos próprios, a família MAI, com um objetivo nada subtil: depender menos da OpenAI e cortar na fatura.

A estrela é o MAI-Thinking-1, o primeiro modelo de “raciocínio” da casa, com 35 mil milhões de parâmetros ativos. Há também modelos para programar, gerar imagens, transcrever e até para voz. O argumento de venda, esse, é o dinheiro: segundo a Microsoft, estes modelos chegam a custar dez vezes menos do que as alternativas, em testes da própria.

Porque é que isto interessa

Quando a empresa corre os modelos na sua nuvem, a Azure, deixa de pagar royalties a terceiros — e parte dessa poupança pode chegar aos programadores. Para quem cria apps e serviços, isso pode significar contas mais leves no fim do mês.

Para o resto de nós, o sinal é mais interessante do que os nomes técnicos: o mercado da IA está a deixar de ter um só fornecedor a mandar nos preços. E quando aparece concorrência a sério, quem costuma ganhar é quem paga a conta.

Imagem: Wikimedia Commons

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Tecnologia 23 de junho de 2026

Portugal aposta 400 milhões na IA — e já lidera a Europa no uso diário

O plano nacional quer gigafábricas, supercomputação e licenciamento mais rápido. E há um dado curioso: somos quem mais usa IA generativa no continente.

Há uma estatística que costuma surpreender quem a ouve: Portugal é o país europeu onde mais gente usa inteligência artificial generativa no dia a dia. Cerca de 62% dos inquiridos dizem usar estas ferramentas com regularidade, bem acima da média europeia, na casa dos 52%. Traduzindo: o ChatGPT e companhia já entraram na rotina de muito português, do estudante ao pequeno empresário.

É com este pano de fundo que o Governo apresentou um plano para a IA com 400 milhões de euros entre 2026 e 2030, em boa parte financiados por programas europeus. A Agenda Nacional para a Inteligência Artificial quer pôr o país a jogar mais à frente — não só a usar a tecnologia, mas também a construí-la.

O que está em cima da mesa

As peças grandes são as “gigafábricas” de IA e a supercomputação, pensadas para dar músculo a investigadores, startups e PMEs que não têm como pagar centros de dados próprios. Há ainda um plano nacional para data centers, com a promessa de simplificar licenciamentos — o género de burocracia que, em Portugal, costuma transformar meses em anos.

E porque é que isto importa para a carteira? O próprio Governo estima que a IA possa somar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao PIB na próxima década. É uma previsão otimista, claro. Mas mesmo que fique a meio caminho, é dinheiro a sério — e empregos que ainda nem têm nome.

Imagem ilustrativa · Foto: Ercan Evcimen / Pexels

Tim Cook
Tecnologia 22 de junho de 2026

A Apple finalmente arregaçou as mangas na IA — e Tim Cook vai sair

Na WWDC 2026, a Siri ganhou conversa a sério, a Apple juntou-se à Google e à Nvidia para os modelos pesados, e Tim Cook anunciou que se despede em setembro.

Durante anos, a piada foi sempre a mesma: a Siri é a assistente que percebe tudo menos o que lhe pedimos. Na WWDC deste ano, a Apple decidiu acabar com a anedota.

A grande estrela foi uma Siri renovada, capaz de manter uma conversa de ida e volta como deve ser. Numa demonstração, tratou de verificar datas de um concerto, criar um lembrete para comprar bilhetes e até traçar o caminho para ir buscar um amigo a meio. É o salto que muita gente esperava — e que a concorrência já dava há um tempo.

A Apple a pedir ajuda (e tudo bem)

O mais revelador foi nos bastidores. A Apple admitiu que o seu modelo de nuvem mais potente corre em GPUs da Nvidia e que está a alargar a sua “Private Cloud Compute” para lá dos próprios data centers, apoiando-se também na Google Cloud. Por outras palavras: a empresa que adora fazer tudo em casa percebeu que, na corrida da IA, mais vale chegar acompanhada.

E a despedida

Pelo meio, a notícia que ninguém esperava no fecho do keynote: Tim Cook, CEO da Apple desde 2011, anunciou que se prepara para sair em setembro. Fim de uma era. Para o resto de nós — incluindo quem usa um iPhone aqui em Portugal — a tradução prática é simples: os telemóveis a partir do iPhone 11 recebem a atualização, com fotos a abrir 70% mais depressa e AirDrop 80% mais rápido. Pequenos luxos do dia a dia.

Imagem: Wikimedia Commons

Nvidia
Tecnologia 22 de junho de 2026

A Nvidia vai entrar nos portáteis — e quer a IA dentro da máquina

Com o chip RTX Spark, a Nvidia mete-se no mundo dos PCs Windows. A promessa: correr modelos de IA gigantes localmente, sem mandar tudo para a nuvem.

A Nvidia ficou famosa pelas placas gráficas e pelos chips que alimentam metade da inteligência artificial do planeta. Agora quer entrar num sítio onde nunca esteve: dentro do seu portátil. No Computex, em Taiwan, apresentou o RTX Spark (também chamado N1X), um “superchip” feito para PCs Windows.

A ficha técnica é de fazer levantar a sobrancelha: até 20 núcleos de CPU em arquitetura Arm, uma GPU Blackwell e 128 GB de memória unificada. Traduzindo o que isto interessa ao comum dos mortais — a máquina consegue correr modelos de IA com 120 mil milhões de parâmetros localmente, ou seja, sem precisar de enviar as suas perguntas para a nuvem de outra empresa.

Porque é que isto é interessante

O argumento de venda é a privacidade. Se o “cérebro” da IA vive no seu computador, os seus dados não andam a passear pela internet. A Nvidia juntou ainda um sistema que decide o que fica na máquina e o que vai para fora, disfarçando informação pessoal quando tem de recorrer à nuvem.

Os primeiros portáteis — de marcas como Dell, HP, Asus, Lenovo, Microsoft e MSI — chegam no outono. Não é para já e não vai ser barato, mas marca uma direção clara: a IA está a sair dos centros de dados e a vir para cima da secretária.

Imagem: Wikimedia Commons

Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic
Tecnologia 21 de junho de 2026

Anthropic passa a OpenAI em valor e prepara bolsa

A dona do Claude fechou uma ronda que a avalia em 965 mil milhões de dólares e já entregou papelada para entrar em bolsa. O motor? Programar com IA.

A corrida da inteligência artificial mudou de líder, pelo menos nas contas dos investidores. A Anthropic, a empresa por trás do Claude, fechou uma ronda de financiamento que a avalia em 965 mil milhões de dólares — à frente da OpenAI — e diz já ter entregado, de forma confidencial, os papéis para entrar em bolsa.

O combustível desta subida tem um nome muito concreto: programar. O Claude Code, o assistente de programação da casa, virou um dos produtos mais usados por quem escreve software, e é em grande parte por aí que a empresa disparou.

Porque é que isto importa

Mesmo para quem nunca vai escrever uma linha de código, há um sinal aqui. A IA deixou de ser só conversa de chatbot e passou a ser ferramenta de trabalho a sério — e o dinheiro grande está a apostar nisso. A Anthropic também alargou o seu programa de proteção de infraestruturas críticas (água, energia, saúde, telecomunicações) a cerca de 150 organizações em mais de 15 países.

Valer quase um bilião de dólares é o tipo de número que custa a imaginar. Mas a leitura simples é: esta tecnologia já não é o futuro distante — é o presente, e está a mexer com setores que nos tocam a todos.

Imagem: Wikimedia Commons

Smartphone screen showing Google search in dark mode with the Google logo in the background.
Tecnologia 21 de junho de 2026

Guerra de preços na IA: a Google entra a cortar

Com uma subscrição para programadores a 100 dólares por mês, a Google quer arrancar terreno à Anthropic e à OpenAI. Boa notícia para quem usa.

Quando os gigantes brigam pelo mesmo cliente, quem ganha costuma ser quem paga a conta. É o que está a acontecer na inteligência artificial para programadores.

A Google lançou uma subscrição de IA para programadores a 100 dólares por mês e está a usar o preço como arma: mais opções baratas para puxar gente para o seu lado, num campo onde a Anthropic (com o Claude Code) e a OpenAI (com o Codex) andam à frente.

O que está em jogo

Por trás disto está o Gemini 3.5 Flash, que ficou disponível em maio e já é o modelo por defeito na app Gemini e na pesquisa. Pelo meio, de maio para junho, ChatGPT, Claude e Gemini trocaram todos os motores por novas gerações — e, na maioria dos casos, mantiveram a mensalidade igual. Mais potência pelo mesmo dinheiro.

Para o utilizador comum a lição é simpática: a concorrência está a empurrar os preços para baixo e a qualidade para cima ao mesmo tempo. Não é preciso escolher já uma equipa — vale a pena ir experimentando e deixar que estas empresas lutem pela nossa preferência. Por agora, é o cliente que está a ganhar a guerra.

Imagem ilustrativa · Foto: Bastian Riccardi / Pexels