A IA muda de tom: do "gastar a todo o custo" para mostrar resultados
Depois de meses a queimar dinheiro, as empresas começam a exigir retorno. OpenAI e Anthropic preparam-se para bolsa num clima bem mais exigente.
Durante uns bons dois anos, a regra no mundo da inteligência artificial foi simples: gastar sem olhar à fatura. Mais modelos, mais chips, mais centros de dados, na convicção de que quem chegasse maior chegaria primeiro. Esse clima começou a virar.
As notícias da última semana apontam todas na mesma direção. Os clientes empresariais deixaram de assinar cheques em branco e passaram a fazer a pergunta chata de sempre: isto dá retorno? A mudança tem nome — em vez de “tokenmaxxing”, o gastar à bruta, fala-se agora em eficiência, em fazer mais com menos.
Bolsa à porta
O timing não é inocente. Tanto a OpenAI como a Anthropic apresentaram pedidos confidenciais para irem à bolsa, e uma estreia destas exige números que convençam investidores, não só promessas. A Anthropic terá reportado um ritmo anualizado de receitas a rondar os 47 mil milhões de dólares, um salto enorme face ao ano passado — mas o mercado quer ver lucro à vista, não só crescimento.
Pelo meio, a guerra dos chips continua. A OpenAI juntou-se à Broadcom para desenhar o seu próprio processador, e quase toda a gente — Google, Meta, Apple — corre para ter silício à medida e fugir à fatura salgada da Nvidia.
Porque é que isto importa para quem está em Portugal? Porque define o preço e a velocidade das ferramentas que já usamos no trabalho e na escola. Uma corrida mais focada em eficiência costuma significar produtos mais baratos e mais bem feitos para o utilizador final.
Veja também: a corrida ao IPO da Anthropic e a Siri com modelos externos. Mais detalhe no blog oficial da Anthropic.
Imagem: Wikimedia Commons