Portugal tem agora um plano nacional para a inteligência artificial — e 25 milhões para o Estado
O Governo aprovou a Agenda Nacional de IA para 2026-2030, com investimento na Administração Pública e um centro de excelência.
Toda a gente fala de inteligência artificial, mas faltava saber o que é que o país tenciona, em concreto, fazer com ela. Agora há um documento que tenta responder: a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, aprovada para o quinquénio 2026-2030.
A premissa é honesta e até um bocadinho dura: a produtividade portuguesa está em torno de 75% da média europeia, e o Governo vê na IA uma oportunidade rara de fechar parte dessa distância — acelerando o crescimento, modernizando o Estado e libertando trabalhadores de tarefas repetitivas.
Onde entra o dinheiro
A primeira aposta concreta é dentro de casa: estão previstos 25 milhões de euros para a Administração Pública adotar soluções de IA, a arrancar já no primeiro semestre. A juntar a isso, nasce um Centro de Excelência em IA na Administração Pública, com a missão de desenvolver, testar e escalar ferramentas aplicadas aos serviços públicos — daquelas que, no melhor dos cenários, fazem uma ida às Finanças ou ao centro de saúde doer menos.
Há ainda uma Semana Nacional da Inteligência Artificial planeada para o segundo semestre, com demonstrações e eventos abertos a quem quiser perceber a tecnologia sem ser engenheiro.
Vale o entusiasmo?
Planos não faltam neste país; o que costuma faltar é execução. A diferença será medida não no papel, mas em serviços públicos que funcionem melhor e em empresas que de facto adotem estas ferramentas. Para já, fica o sinal certo: Portugal decidiu tratar a IA como prioridade de Estado, e não como moda passageira.
Resta a parte difícil — passar da apresentação em PowerPoint para o terreno.
Imagem ilustrativa · Foto: Alex Knight / Pexels