Washington bloqueia uma empresa de IA. Pequim responde com 56
A guerra das exportações de tecnologia deixou de ser de sentido único. E o estopim, segundo a própria empresa, foi um pedido banal de programação.
A queda de braço tecnológica entre os EUA e a China subiu de tom — e desta vez nos dois sentidos. A 12 de junho, Washington bloqueou o acesso estrangeiro a modelos de topo de uma empresa americana de IA, alegando segurança nacional. Dias depois, Pequim respondeu a dobrar: pôs 56 empresas americanas na lista negra, entre controlos de exportação e proibições de compras públicas, atingindo sobretudo gigantes da defesa e mineiras de terras raras.
O detalhe que dá que pensar está na justificação. Segundo a própria empresa de IA, o tal “uso perigoso” que desencadeou o bloqueio era… um pedido para ler um código e corrigir falhas. Uma tarefa que, admite a empresa, qualquer modelo rival também faz. Ou seja: muito barulho à volta de uma capacidade banal.
Porque é que isto nos toca
Pode parecer uma briga distante entre superpotências, mas estas decisões mexem com toda a cadeia da tecnologia — preços, acesso a modelos, terras raras que entram em quase tudo, do telemóvel ao carro elétrico. Quando os dois maiores fecham portas um ao outro, o resto do mundo, Portugal incluído, acaba por sentir a corrente de ar.
Imagem ilustrativa · Foto: Brett Jordan / Pexels