Helsing: a startup europeia de IA de defesa vale agora 18 mil milhões
A alemã Helsing, especializada em inteligência artificial e drones autónomos para defesa, fechou uma ronda de 1,8 mil milhões de dólares e é já a startup mais valiosa da Europa no setor.
A Europa quer deixar de depender dos Estados Unidos e da China para a sua tecnologia militar — e acaba de pôr muito dinheiro em cima da mesa para o provar. A Helsing, uma startup alemã de inteligência artificial de defesa, fechou uma ronda de financiamento de 1,8 mil milhões de dólares que a avalia em cerca de 18 mil milhões, tornando-a na empresa mais valiosa do género no continente.
O que faz a Helsing?
Sediada em Munique, a Helsing desenvolve software de inteligência artificial para o campo de batalha: sistemas que processam dados de sensores em tempo real e drones autónomos capazes de operar em ambientes onde a comunicação é difícil. A ideia não é substituir soldados por máquinas, mas dar às forças armadas europeias uma leitura mais rápida e clara do que se passa à sua volta. A ronda, uma Série E, foi das maiores alguma vez levantadas por uma tecnológica europeia.
Porque é que a Europa investe em IA militar?
A resposta curta: a guerra na Ucrânia mudou tudo. O conflito mostrou que os drones baratos e o software inteligente podem valer tanto como equipamento pesado e caro, e os governos europeus aumentaram fortemente os orçamentos de defesa. Portugal, como membro da NATO e da UE, faz parte dessa conversa sobre soberania tecnológica — e não parte do zero: a portuguesa Tekever tornou-se uma referência europeia em drones, como contámos quando comprou a britânica CloudSweep. O apetite por computação para treinar estes sistemas é enorme, a ponto de gigantes como a Meta duplicarem a sua capacidade.
Nem toda a gente aplaude. Investir milhares de milhões em IA de guerra levanta questões éticas óbvias sobre até onde deve ir a automação no uso da força — um debate que a própria Helsing diz querer ter, e que se pode acompanhar na sua página oficial. Certo é que a Europa decidiu que não quer ficar de fora desta corrida.
Por Oliver Grant
Imagem ilustrativa · Foto: SHOX ART / Pexels