Carros novos na UE já têm de vigiar a atenção do condutor
Desde 7 de julho, todos os carros novos vendidos na União Europeia têm de detetar sonolência e distração ao volante. Explicamos o que muda e se a câmara grava a sua cara.
Se comprar um carro novo em Portugal a partir de agora, ele vai estar de olho em si — literalmente. Desde 7 de julho de 2026, todos os automóveis e carrinhas novos matriculados na União Europeia têm de trazer sistemas que detetam sonolência e distração ao volante. É uma regra europeia, por isso aplica-se a Portugal tal como a qualquer outro país da UE.
A obrigação vem do Regulamento Geral de Segurança da UE e junta duas tecnologias. Uma vigia a sonolência (o chamado DDAW) e ativa-se acima dos 70 km/h, cruzando sinais como a forma de conduzir e de corrigir a trajetória. A outra (ADDW) usa uma câmara de infravermelhos virada ao condutor para perceber para onde olha, se pisca muito ou se boceja — sinais de que a atenção fugiu da estrada.
O que muda nos carros novos?
Na prática, o carro avisa quando acha que se está a distrair. Se mantiver os olhos fora da estrada mais de cerca de 6 segundos a baixa velocidade — ou mais de 3,5 segundos em andamento mais rápido — recebe um alerta visual e sonoro. Não trava por si, não liga a lado nenhum: apenas chama a atenção, como um copiloto chato mas bem-intencionado.
A câmara grava a minha cara?
Esta é a pergunta que mais preocupa, e a resposta curta é não. A lei exige que o sistema funcione sem reconhecimento facial nem dados biométricos sensíveis, e que guarde apenas o mínimo necessário para operar. A informação é processada dentro do carro, não é um sistema para vigiar quem conduz. As regras oficiais estão detalhadas no portal de segurança rodoviária da Comissão Europeia.
Desde quando é obrigatório?
Para todos os carros novos matriculados, desde 7 de julho de 2026 — os modelos mais recentes já traziam parte destes sistemas por causa de regras anteriores, à boleia da mesma lógica europeia que também atrasou funções como a nova Siri e o Gemini na Europa. Bruxelas estima que o pacote de segurança evite mais de 25 mil mortes e 140 mil feridos graves até 2038. Carros usados e os que já tem em casa não são afetados.
Por Oliver Grant
Imagem ilustrativa · Foto: nappy / Pexels