Grafeno português pode tornar drones quase invisíveis ao radar — e a Força Aérea vai testá-lo
A GTechPlasma, spin-off do Técnico, desenvolveu um material à base de grafeno que absorve ondas de radar e reduz a assinatura eletromagnética de drones e aeronaves. Já há material entregue para testes.
Um material português à base de grafeno pode vir a esconder drones e aviões dos radares. A tecnologia nasceu na GTechPlasma, uma spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, e será testada pela Força Aérea — um passo raro para a investigação nacional em plena corrida europeia ao rearmamento tecnológico.
Como funciona o grafeno anti-radar?
Em vez de refletir as ondas de radar, como fazem as superfícies metálicas, o material absorve-as, reduzindo drasticamente a assinatura eletromagnética do que quer que revista. A GTechPlasma produz grafeno de elevada qualidade a um ritmo de cerca de 40 miligramas por minuto e quer transformá-lo em produtos prontos a usar — tintas e revestimentos aplicáveis diretamente em drones, aeronaves ou outro equipamento. Já foram entregues cerca de 260 gramas a um fabricante português de drones para testes de absorção de radar.
Quem mais está a desenvolver esta tecnologia em Portugal?
O grafeno anti-deteção não é aposta isolada. O projeto ASTRAL, liderado pela Controlar com a Graphenest, vai criar um filme flexível ultrafino capaz de absorver radiação eletromagnética entre os 2 e os 110 GHz, com 1,86 milhões de euros do Portugal 2030, execução até maio de 2029 e pelo menos uma patente internacional prevista. Entre a dissimulação militar e usos civis — blindagem eletromagnética de equipamentos sensíveis, por exemplo — o mercado potencial é enorme.
É mais um sinal de que a ciência nacional anda a fazer coisas que voam: a mesma semana em que se soube que a constelação Lusíada da LusoSpace já tem oito satélites em órbita confirma um ecossistema aeroespacial e de defesa a ganhar altitude. Do laboratório de plasmas para o céu, sem passar pelo radar.
Por Oliver Grant
Imagem: AlexanderAlUS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)