Falso rapto em Coimbra: burlões usaram IA para exigir resgate por mulher desaparecida
Burlões manipularam uma fotografia com inteligência artificial para simular o rapto de uma mulher desaparecida em Coimbra e exigir resgate à família. A PJ encontrou-a bem — saiu por vontade própria.
Uma mulher de 37 anos desaparece na Baixa de Coimbra. Dias depois, a família recebe uma fotografia dela, aparentemente amarrada, com um pedido de resgate. Só que o rapto nunca existiu: a imagem tinha sido manipulada com inteligência artificial, e a mulher — natural de Miranda do Corvo — tinha-se ausentado por vontade própria.
O caso, revelado esta semana pela Polícia Judiciária, começou a 1 de julho com a participação do desaparecimento. Enquanto a família vivia dias de angústia e o caso ganhava espaço nas notícias, burlões aproveitaram exatamente essa exposição mediática para montar a extorsão, dando credibilidade ao esquema com a fotografia gerada por IA. A mulher foi localizada em segurança a 8 de julho, em articulação com a PSP e a GNR, e a investigação concluiu que não houve crime algum no desaparecimento em si.
Como funciona este tipo de burla com IA?
A receita é simples e é isso que a torna perigosa: os burlões pegam em fotografias públicas — de redes sociais ou da própria cobertura noticiosa — e usam ferramentas de manipulação de imagem para fabricar a “prova” de um sequestro, apostando no pânico da família para arrancar um pagamento rápido. É o mesmo padrão dos esquemas de voz clonada que têm circulado lá fora, agora ao domicílio e em português.
A PJ continua a investigar para identificar os autores, já indiciados por burla, e o caso pode ser acompanhado nos canais oficiais da Polícia Judiciária. O pano de fundo é conhecido: a União Europeia vai obrigar conteúdo gerado por IA a identificar-se como tal, mas nenhuma marca de água trava quem já decidiu usar a ferramenta para o crime.
Fica a regra prática, à moda antiga: perante um pedido de resgate ou uma “prova” aflitiva, parar, verificar por outro canal e ligar às autoridades — antes de transferir seja o que for.
Por Oliver Grant
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)