Porque é que os teus gadgets ficaram de repente mais caros
Portáteis, consolas, telemóveis: a culpa é de um componente que ninguém vê. Explicámos a crise das memórias sem dramas e sem jargão.
Se andavas a namorar um portátil novo e ele parece ter ganho uns euros da noite para o dia, não é impressão tua. Há uma crise silenciosa a empurrar os preços para cima, e o culpado é uma peça do tamanho de uma unha que vive lá dentro do aparelho: a memória.
A memória, em duas palavras
Todo o gadget precisa de memória. Há a DRAM, que é a “mesa de trabalho” onde o aparelho mexe nas coisas enquanto está ligado, e a NAND, que é a “gaveta” onde ficam guardadas as fotos e as apps. Quanto mais memória, mais rápido e espaçoso o aparelho — e mais caro de fabricar.
O problema é que o preço destas memórias quadruplicou desde 2025. As fábricas que as produzem decidiram dedicar-se a um tipo especial e muito mais lucrativo — a HBM, a memória que alimenta os centros de dados de inteligência artificial. Resultado: sobra pouca para os portáteis, consolas e telemóveis do comum dos mortais, e o pouco que sobra ficou caro.
Onde já se nota
A Apple subiu vários modelos, alguns até 300 dólares — um MacBook Pro de topo passou a custar 1.999 em vez de 1.699. A Microsoft avisou que as Xbox ficam 100 a 150 dólares mais caras a partir de agosto. E isto é só o princípio: quem fabrica praticamente qualquer coisa com um chip lá dentro está a sentir o mesmo aperto.
Vale a pena esperar?
Honestamente, ninguém tem bola de cristal. Mas a lógica diz que enquanto a IA continuar esfomeada por memória, a pressão mantém-se. Se o teu aparelho atual ainda aguenta, talvez valha a pena esticá-lo mais uns meses. E se vais mesmo comprar, compara bem as configurações: às vezes pagar menos por um pouco menos de armazenamento é a diferença entre o preço do ano passado e o deste.
Imagem ilustrativa · Foto: Akaaljotsingh Anandpuria / Pexels