Portugal aposta 400 milhões na IA — e já lidera a Europa no uso diário
O plano nacional quer gigafábricas, supercomputação e licenciamento mais rápido. E há um dado curioso: somos quem mais usa IA generativa no continente.
Há uma estatística que costuma surpreender quem a ouve: Portugal é o país europeu onde mais gente usa inteligência artificial generativa no dia a dia. Cerca de 62% dos inquiridos dizem usar estas ferramentas com regularidade, bem acima da média europeia, na casa dos 52%. Traduzindo: o ChatGPT e companhia já entraram na rotina de muito português, do estudante ao pequeno empresário.
É com este pano de fundo que o Governo apresentou um plano para a IA com 400 milhões de euros entre 2026 e 2030, em boa parte financiados por programas europeus. A Agenda Nacional para a Inteligência Artificial quer pôr o país a jogar mais à frente — não só a usar a tecnologia, mas também a construí-la.
O que está em cima da mesa
As peças grandes são as “gigafábricas” de IA e a supercomputação, pensadas para dar músculo a investigadores, startups e PMEs que não têm como pagar centros de dados próprios. Há ainda um plano nacional para data centers, com a promessa de simplificar licenciamentos — o género de burocracia que, em Portugal, costuma transformar meses em anos.
E porque é que isto importa para a carteira? O próprio Governo estima que a IA possa somar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao PIB na próxima década. É uma previsão otimista, claro. Mas mesmo que fique a meio caminho, é dinheiro a sério — e empregos que ainda nem têm nome.
Imagem ilustrativa · Foto: Ercan Evcimen / Pexels