Portugal quer roubar talento de IA ao mundo — e vai acelerar os vistos para o conseguir
O Governo prepara um regime mais rápido de vistos para atrair especialistas em inteligência artificial. Uma aposta para travar a fuga de cérebros ao contrário.
Durante anos, a conversa sobre talento em Portugal foi sempre a mesma e sempre triste: os melhores formavam-se cá e iam ganhar lá fora. Agora o Governo quer virar parte dessa equação — e a inteligência artificial é a isca.
A ideia é simples de enunciar, difícil de executar: criar um regime mais rápido de vistos para atrair especialistas em IA de todo o mundo a virem trabalhar para Portugal. Em vez de meses de burocracia, um caminho desimpedido para quem domina uma das competências mais disputadas do planeta.
Porque é que isto faz sentido
A IA não se constrói só com computadores caros; constrói-se com gente que sabe pô-los a pensar. E essa gente é rara, cara e cobiçada por meio mundo — dos Estados Unidos ao Golfo, todos os países querem os mesmos engenheiros. Sem um tapete vermelho à entrada, Portugal arrisca ficar a ver passar o comboio.
Juntando isto à recém-aprovada Agenda Nacional de IA, percebe-se a estratégia: atrair cérebros de fora ao mesmo tempo que se moderniza o Estado e se tenta subir a produtividade nacional, hoje em cerca de 75% da média europeia.
O senão de sempre
O risco mora na execução. Anunciar vistos rápidos é fácil; fazê-los funcionar num sistema que muitos imigrantes conhecem pela lentidão é outra história — basta perguntar a quem já lidou com filas e prazos. Se o regime for mesmo ágil, pode ser um íman; se for só mais uma promessa, os especialistas escolhem outro destino sem pestanejar.
A intenção é boa e a direção é a certa. Falta a parte que costuma falhar: cumprir.
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