Petróleo em alerta: o estreito que mexe com o preço da gasolina
A tensão à volta do estreito de Ormuz volta a pressionar o crude e ameaça o que paga ao encher o depósito.
Há um pedaço de mar estreito que tem o poder de fazer subir o preço que paga na bomba. Falamos do estreito de Ormuz, a passagem por onde escoa uma fatia enorme do petróleo mundial. Com a tensão no Médio Oriente a aquecer, voltaram os receios de disrupção naquela rota, e o crude reagiu em alta. Quando o barril sobe, o resto da cadeia segue atrás.
Do barril ao depósito
Portugal não produz petróleo, importa quase tudo. Por isso, o que acontece a milhares de quilómetros chega rápido aos combustíveis vendidos cá. Um crude mais caro pressiona a gasolina e o gasóleo, e o efeito não fica só no carro: transporte de mercadorias, agricultura e indústria também sentem, e parte disso acaba por se refletir nos preços ao consumidor.
Porque é que o BCE está atento
Não é coincidência que o Banco Central Europeu tenha citado a energia ao subir os juros. Combustível caro alimenta a inflação, e a inflação é precisamente o que os bancos centrais tentam domar. É um ciclo: tensão geopolítica, energia mais cara, preços a subir, juros a reagir.
Para já, convém seguir a evolução semana a semana, sem pânico. Estreitos como Ormuz já assustaram muitas vezes sem que o pior se concretizasse, mas o mercado prefere precaver-se.
Veja também: o BCE a subir os juros e a inflação nos EUA a agitar os mercados.
Contexto sobre o impacto da energia na política monetária no Banco Central Europeu.
Por Beatriz Mota
Imagem ilustrativa · Foto: Loïc Manegarium / Pexels