Ruben Alves filmou os Casamentos de Santo António (e pôs uma empresa francesa a querer modernizá-los)
Santo António — O Casamenteiro de Lisboa estreia esta quinta-feira nas salas portuguesas, com Rita Blanco e Joaquim Monchique como os funcionários camarários que organizam a cerimónia há 25 anos. É a nova comédia do realizador de A Gaiola Dourada.
Ruben Alves ficou conhecido por filmar portugueses em França. No filme que estreou esta quinta-feira nas salas portuguesas, inverteu a direção da viagem: é a França que chega a Lisboa, e quer mexer numa coisa que ninguém em Lisboa acha que lhe pertença.
Santo António — O Casamenteiro de Lisboa é uma comédia com os Casamentos de Santo António no centro. Uma empresa francesa quer ficar com a organização e torná-la mais moderna. Carmo e Valentim, dois funcionários da Câmara Municipal de Lisboa que preparam a cerimónia há 25 anos, não estão dispostos a ver a coisa perder o que tem, e decidem responder da única maneira que lhes ocorre: fazendo a melhor edição de sempre.
São Rita Blanco e Joaquim Monchique nos dois papéis principais. À volta deles anda um elenco largo, com Maria Rueff, Isabel Abreu, Maria João Bastos, Ana Bola, Miguel Amorim, João Catarré, Jacqueline Corado, Valerie Braddell e Joaquim de Almeida, e a distribuição em Portugal é da NOS Audiovisuais.
A mesma costura, do outro lado
Vale a pena olhar para o percurso, porque a premissa não caiu do céu. Alves assinou A Gaiola Dourada em 2013 — a história de um casal de porteiros portugueses em Paris que herda uma fortuna — e voltou ao tema francês em Miss França, em 2020, antes da série Escort Boys, em 2025. É sempre o mesmo tecido: dois países a olharem um para o outro e a não se entenderem bem. A diferença agora é o ponto de observação. Desta vez o forasteiro é o francês, e a tradição em risco é uma cerimónia municipal que acontece em junho e que meia Lisboa considera património pessoal.
Debaixo da comédia está uma discussão que a cidade tem quase todos os dias, sobre o que sobrevive quando um símbolo passa a ser também um produto.
Chega numa quinta-feira cheia
A estreia acontece numa semana com cinco filmes novos nas salas portuguesas, entre eles o documentário sobre a digressão dos Oasis, que também chegou aos cinemas esta quinta-feira, e uma reposição de Shrek pelos 25 anos do original.
A concorrência interna importa mais do que parece. O cinema português tem tido um ano magro nas bilheteiras: em agosto, 9.208 espectadores chegavam para ser o filme português mais visto de 2026. Uma comédia com estes nomes e com um feriado lisboeta no título é exatamente o tipo de filme que costuma mexer nesse número — e é por isso que a primeira semana vai valer a pena acompanhar.
Por Lucy Bennett
Imagem: Blablabla Media