EN
Mapa-mundo com os países aderentes à Convenção de Haia da apostila assinalados
Imigração 31 de julho de 2026

A apostila de Haia custa 10,20 euros e é o que faz o seu documento valer noutro país

Guia 2026 da apostila de Haia em Portugal: o que é, que documentos precisam dela, quanto custa, onde se pede e quando não é preciso nenhuma legalização.

A apostila de Haia custa cerca de 10,20 euros por documento, pede-se à Procuradoria-Geral da República e serve para uma coisa só: fazer com que um documento público português seja aceite noutro país sem mais burocracia. É um selo que diz “isto é mesmo autêntico” numa linguagem que 120 e tal países entendem.

Se está a tratar de nacionalidade, de um casamento no estrangeiro, de um diploma que quer ver reconhecido lá fora ou de uma certidão que uma repartição num outro continente lhe pediu, mais cedo ou mais tarde alguém lhe vai dizer a palavra apostila. Vale a pena perceber o que é antes de gastar dinheiro em coisas que não precisa.

O que é a apostila de Haia, afinal?

É uma certificação prevista na Convenção de Haia de 1961. Antes dela, para um documento português ter valor no Brasil, no Canadá ou na Ucrânia, era preciso uma cadeia de legalizações consulares que podia demorar semanas. A convenção substituiu tudo isso por um único carimbo, emitido no país de origem, que os restantes países signatários se comprometem a aceitar.

Importante: a apostila certifica a assinatura, a qualidade de quem assinou e o selo do documento. Não certifica o conteúdo. Ninguém está a dizer que o que está escrito é verdade — está apenas a dizer que quem o emitiu é mesmo quem diz ser.

Que documentos precisam de apostila?

Os documentos públicos. Na prática, são apostilados os atos emitidos por ministérios, tribunais, conservatórias dos registos, cartórios notariais, estabelecimentos públicos de ensino, câmaras municipais e juntas de freguesia.

Traduzido para a vida real, isto é: certidões de nascimento, casamento e óbito; registos criminais; certificados de habilitações e diplomas de escolas públicas; procurações notariais; sentenças e certidões judiciais; e documentos passados pela junta, como o atestado de residência — e sobre esse já explicámos como se pede e quanto custa.

Documentos privados (um contrato entre particulares, uma declaração escrita em casa) não se apostilam diretamente. Têm primeiro de passar por um notário, que os transforma num ato notarial. Aí sim.

Onde se pede a apostila em Portugal?

A autoridade competente é a Procuradoria-Geral da República, com competência delegada nas Procuradorias-Gerais Regionais do Porto, Coimbra, Évora e Guimarães, e ainda nos Açores e na Madeira. Ou seja: não precisa de ir a Lisboa.

Desde 2025 há serviço online, o que mudou a vida a quem está no estrangeiro ou longe de uma procuradoria. O pedido faz-se por formulário no portal do Ministério Público, e continua a existir a via presencial por marcação para quem preferir.

Quanto custa e quanto tempo demora?

Ronda os 10,20 euros por documento — e o “por documento” é a parte que apanha as pessoas desprevenidas. Se precisa de apostilar uma certidão de nascimento, um registo criminal e um diploma, são três apostilas, três taxas.

Os prazos variam com o canal e com a época do ano. O verão e o início do ano letivo são, previsivelmente, os piores meses. Se tem uma data marcada lá fora, trate disto com semanas de antecedência, não com dias.

Quando é que NÃO precisa de apostila?

Esta é a poupança que quase ninguém conhece. Dentro da União Europeia, um regulamento europeu dispensa a apostila para várias certidões — nascimento, óbito, casamento, residência, ausência de registo criminal, entre outras — quando circulam entre Estados-membros. Em vez de apostila, pede-se um formulário multilingue anexo à certidão, que a conservatória emite e que dispensa também a tradução.

Ou seja: se vai apresentar uma certidão de nascimento portuguesa na Alemanha ou em Espanha, provavelmente não precisa de apostila nenhuma. Se vai apresentá-la no Brasil, no Reino Unido ou nos Estados Unidos, precisa.

E se o país de destino não aderiu à Convenção de Haia? Aí volta o método antigo: legalização em cadeia, com passagem pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pelo consulado desse país em Portugal. É mais lento e mais caro, mas é o único caminho.

E os documentos estrangeiros que quero usar em Portugal?

O caminho é o mesmo, ao contrário. Um documento emitido no Brasil, na Índia ou no Reino Unido tem de ser apostilado na autoridade competente desse país antes de chegar cá. A AIMA, as conservatórias e as universidades portuguesas vão pedir a apostila no original, não uma fotocópia dela.

Depois, muitas vezes, é preciso tradução certificada para português. E se o documento for um diploma que quer usar profissionalmente, a apostila é só o primeiro passo — o processo de equivalência é outro, e explicámo-lo no guia do reconhecimento de diplomas estrangeiros.

Perguntas frequentes

A apostila tem validade?

A apostila em si não caduca. O que caduca é o documento por baixo dela: uma certidão de registo criminal com seis meses de vida continua a ser uma certidão com seis meses de vida, apostilada ou não. Peça a certidão fresca e só depois a apostila.

Posso apostilar uma fotocópia?

Não uma fotocópia simples. Precisa de uma certidão original ou de uma cópia certificada por notário ou por conservatória — é essa certificação que a apostila vai autenticar.

Preciso de traduzir o documento antes ou depois?

Depende do que o destino pedir. Regra geral, apostila-se o documento original e a tradução certificada é feita a seguir, no país de destino ou por tradutor reconhecido. Alguns países exigem que a própria tradução seja também apostilada — confirme antes, porque repetir o processo custa o dobro.

Onde vejo se o país de destino aceita apostila?

A lista atualizada dos países aderentes está no site oficial da Conferência de Haia. É a fonte que os serviços consultam, portanto é a que interessa.

Por Juliana Castilho

Imagem: BlankMap-World_gray.svg: Original by User:Vardion, svg-if… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Edifício da Junta de Freguesia de Machico, na Madeira
Imigração 31 de julho de 2026

O atestado de residência pede-se na junta de freguesia e custa poucos euros

Guia 2026 do atestado de residência em Portugal: onde se pede, que documentos levar, quanto custa, quanto tempo demora, quanto tempo é válido e para que serve na AIMA, no SNS e na escola.

O atestado de residência pede-se na junta de freguesia da zona onde vive, custa normalmente entre 5 e 15 euros, e na maioria das juntas sai no próprio dia. É o documento que prova onde mora quando não tem — ou não quer usar — uma factura da luz em seu nome, e é pedido em mais sítios do que se imagina. Serve como prova de morada perante quem não aceita outra coisa. Aparece com frequência em processos da AIMA, na inscrição no centro de saúde, na matrícula…

Continuar a ler
Loja do Cidadão, onde funcionam balcões de atendimento da AIMA
Imigração 30 de julho de 2026

AIMA em acompanhamento: prazos, backlog e novidades

Acompanhamento contínuo da AIMA — backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Atualizado a cada novidade.

Se está a tratar de residência ou nacionalidade, esta é a página para guardar nos favoritos. Em vez de um artigo por cada anúncio, reunimos aqui o essencial da AIMA: backlog de processos, prazos de renovação, biometria, golden visa e mudanças de serviço. Para as regras da cidadania, veja a nova lei da nacionalidade. A informação oficial está na AIMA. Boa notícia para quem anda a juntar papéis: a AIMA passou a aceitar a certidão de domicílio fiscal emitida…

Continuar a ler
Edifício de mercado e Loja do Cidadão, com escadas de acesso ao piso superior
Imigração 29 de julho de 2026

Se a AIMA não decidir a renovação em 60 dias úteis, a lei conta isso como aprovado

O deferimento tácito está no artigo 82.º da Lei de Estrangeiros: passados 60 dias úteis sobre o pagamento das taxas sem decisão, a renovação da autorização de residência considera-se deferida. Guia prático.

Se pediu a renovação da autorização de residência, pagou as taxas e passaram mais de 60 dias úteis sem decisão da AIMA, a lei portuguesa trata esse silêncio como um sim. Chama-se deferimento tácito, está previsto no artigo 82.º da Lei de Estrangeiros, e existe precisamente porque o legislador percebeu que a demora do Estado não pode virar-se contra quem cumpriu tudo. Convém dizer já o que isto não é. Não é um atalho, não dispensa requisitos e não serve…

Continuar a ler
Fachada do Palácio Ratton, em Lisboa, sede do Tribunal Constitucional
Imigração 28 de julho de 2026

Os investidores do visto gold querem a lei da nacionalidade no Constitucional e ameaçam ir a tribunal em setembro

Um grupo de 1.260 investidores com visto gold entregou uma queixa coletiva à Provedoria de Justiça e pede que a nova lei da nacionalidade seja enviada para o Tribunal Constitucional. Se nada mudar, avançam com uma ação em setembro.

Quem investiu em Portugal a contar com cinco anos até ao passaporte está agora a contar dez, e há 1.260 pessoas que decidiram não engolir a mudança caladas. O grupo entregou uma queixa coletiva na Provedoria de Justiça e quer reunir-se em breve com a nova provedora, Luísa Neto. O pedido tem duas pernas. A primeira é que a Provedoria peça ao Tribunal Constitucional para avaliar a nova lei da nacionalidade. A segunda é mais prática: um regime transitório…

Continuar a ler
Balcões de atendimento da Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, onde correm os processos de nacionalidade
Imigração 26 de julho de 2026

A nova lei da nacionalidade ainda não tem regulamento, e o Governo só tem prazo até 16 de agosto

A Lei Orgânica 1/2026 deu ao Governo 90 dias para atualizar o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa. O prazo termina a 16 de agosto de 2026 — e é o regulamento que define papéis, provas e formulários.

O Governo tem até 16 de agosto de 2026 para atualizar o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa. É esse o prazo de 90 dias fixado na própria lei que mudou tudo — e, até lá, quem tem um pedido de nacionalidade em mãos vive num intervalo estranho: as regras novas já valem, mas o documento que explica como as cumprir ainda é o antigo. 16 de agosto de 2026. A Lei Orgânica n.º 1/2026 foi publicada a 18 de maio, entrou em vigor no dia seguinte, e o seu artigo…

Continuar a ler
O edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas
Imigração 25 de julho de 2026

Uma ordem de regresso emitida em Espanha já pode ser executada em Portugal

O novo regulamento europeu de regresso cria uma Ordem Europeia de Regresso inscrita no Sistema de Informação de Schengen. Explicamos o que muda para quem vive na UE.

A resposta curta é: vai poder, e ainda não é automático. O novo regulamento europeu de regresso cria as condições para que uma decisão emitida num Estado-membro seja reconhecida e executada noutro, sem recomeçar o processo do zero. Mas o reconhecimento só se torna obrigatório depois de a Comissão Europeia verificar, até 1 de julho de 2027, se os Estados-membros têm mecanismos para o fazer, e adotar a decisão de execução que o imponha. É uma decisão de…

Continuar a ler
Edifício do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria
Imigração 25 de julho de 2026

Já vai poder processar a AIMA no tribunal da sua zona, e não só em Lisboa

O Governo aprovou juízos especializados em imigração e o fim da concentração dos processos contra a AIMA no tribunal de Lisboa. Explicamos o que muda e quando.

Quem vive em Faro e tem um processo parado contra a AIMA continua, hoje, a depender de um tribunal em Lisboa. Isso está prestes a mudar: o Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira uma reforma da justiça administrativa e fiscal que cria juízos especializados em imigração e proteção internacional e acaba com a concentração destas ações no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. A regra passa a ser simples: o processo segue para o tribunal…

Continuar a ler
Página interior de um passaporte português
Imigração 23 de julho de 2026

A AIMA já deixa pedir a residência permanente online, sem marcação presencial

Desde 1 de julho de 2026, a AIMA permite pedir e renovar cartões e certificados de residência permanente pelo Portal das Renovações. Quem pode e como se faz.

Boas notícias para quem já perdeu uma manhã à espera numa loja da AIMA: desde 1 de julho de 2026 é possível tratar da residência permanente sem sair de casa. A agência abriu no Portal das Renovações o pedido de certificados e cartões de residência permanente, e a marcação presencial deixa de ser o único caminho. Passa a poder pedir online a emissão do certificado de residência permanente de cidadão da União Europeia e do cartão de residência permanente…

Continuar a ler
Fachada da sede da Polícia Judiciária, em Lisboa
Imigração 20 de julho de 2026

Candidatos aos vistos gold perderam 1,2 milhões às mãos do próprio advogado — a PJ deteve-o

Um advogado de 58 anos foi detido em Odivelas por desviar cerca de 1,2 milhões de euros a pelo menos 33 clientes estrangeiros candidatos aos vistos gold.

A pessoa contratada para proteger o processo era quem estava a esvaziá-lo. A Polícia Judiciária deteve em Odivelas um advogado de 58 anos suspeito de desviar cerca de 1,2 milhões de euros a clientes estrangeiros que lhe confiaram os pedidos de autorização de residência para investimento — os chamados vistos gold. Há pelo menos 33 lesados identificados, muitos deles cidadãos chineses, e a investigação admite que a lista cresça. Da forma mais simples e mais…

Continuar a ler
Cão de grande porte junto a caixas de transporte de madeira usadas em viagens de animais
Imigração 20 de julho de 2026

Trazer o cão ou o gato para Portugal? O microchip vem primeiro — e a ordem importa

Para trazer um cão ou gato para Portugal precisa de microchip, vacina da raiva dada depois do chip e, fora da UE, certificado sanitário. O guia completo, passo a passo.

A resposta curta: para entrar em Portugal, o seu cão ou gato precisa de microchip, de uma vacina antirrábica válida dada DEPOIS do microchip, e de documento de viagem — passaporte europeu de animal de companhia se vem da UE, certificado sanitário se vem de fora. A ordem dos passos não é um detalhe burocrático: uma vacina dada antes de o chip estar colocado é considerada inválida, e é precisamente aí que muitos processos morrem na fronteira. Dentro da…

Continuar a ler
Moedas de euro espalhadas sobre cartões bancários de várias cores
Imigração 19 de julho de 2026

Abrir conta bancária em Portugal pede três documentos — e há uma conta que custa 5,37 euros por ano

Abrir conta bancária em Portugal exige passaporte ou título de residência, NIF e comprovativo de morada. Não residentes podem abrir conta, e os serviços mínimos bancários custam no máximo 5,37 euros por ano em 2026.

Abrir conta bancária em Portugal é, na prática, uma questão de três documentos: identificação (passaporte ou título de residência), número de contribuinte português (NIF) e um comprovativo de morada. Com isso na pasta, a maioria dos bancos abre-lhe conta no próprio dia — e sim, não residentes também podem. Este guia explica o processo, os custos e a conta barata que muitos balcões se esquecem de mencionar. O pacote base é o mesmo em quase todos os bancos:…

Continuar a ler
Edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa, na Cidade Universitária
Imigração 18 de julho de 2026

Emigrantes têm vagas próprias no ensino superior — e o prazo especial fecha já a 27 de julho

O contingente prioritário para emigrantes, familiares e lusodescendentes no acesso ao ensino superior tem candidaturas até 27 de julho, antes do fecho geral de 6 de agosto. Saiba quem conta e como funciona.

Se a sua família vive fora de Portugal e há um filho a sonhar com uma universidade portuguesa, o calendário deste ano tem uma armadilha simpática: o prazo do contingente prioritário para emigrantes fecha a 27 de julho — dez dias antes do fecho geral da primeira fase, a 6 de agosto. É uma quota de vagas reservada, dentro do Concurso Nacional de Acesso, para portugueses emigrados, familiares que com eles residam e lusodescendentes — uma forma de garantir…

Continuar a ler
Interior do terminal do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto
Imigração 18 de julho de 2026

O ETIAS deve escorregar para 2027 — e a culpa é do caos nas fronteiras

O ETIAS já não deve arrancar em 2026: a eu-LISA admite que o calendário não fecha e Bruxelas recusa comprometer-se com uma data. O que muda para quem viaja para Portugal.

Quem andava a fazer contas ao ETIAS pode desacelerar: a nova autorização de viagem europeia já não deve arrancar este ano. A eu-LISA, a agência que constrói o sistema, admitiu que o lançamento no último trimestre de 2026 deixou de ser viável, e a Comissão Europeia recusa comprometer-se com uma nova data — o que, na prática, empurra o ETIAS para 2027. Oficialmente, o calendário só muda quando Bruxelas o anunciar; até lá, o quarto trimestre de 2026 continua…

Continuar a ler
Duas mãos com alianças de casamento
Imigração 17 de julho de 2026

Casar com um português dá mesmo residência e nacionalidade? O que vale em 2026

Casamento ou união de facto com um cidadão português abre caminho à residência (via AIMA) e à nacionalidade ao fim de 3 anos — mas a lei de 2026 apertou as regras. O guia completo.

Sim — casar ou viver em união de facto com um cidadão português continua a ser um dos caminhos mais diretos para a residência legal e, mais tarde, para a nacionalidade. Mas são dois processos diferentes, em duas casas diferentes, e a lei da nacionalidade que entrou em vigor em 2026 tornou o segundo mais exigente. Vamos por partes. O cônjuge ou companheiro estrangeiro de um cidadão português pede a residência através do reagrupamento familiar, tratado na…

Continuar a ler