O ETIAS deve escorregar para 2027 — e a culpa é do caos nas fronteiras
O ETIAS já não deve arrancar em 2026: a eu-LISA admite que o calendário não fecha e Bruxelas recusa comprometer-se com uma data. O que muda para quem viaja para Portugal.
Quem andava a fazer contas ao ETIAS pode desacelerar: a nova autorização de viagem europeia já não deve arrancar este ano. A eu-LISA, a agência que constrói o sistema, admitiu que o lançamento no último trimestre de 2026 deixou de ser viável, e a Comissão Europeia recusa comprometer-se com uma nova data — o que, na prática, empurra o ETIAS para 2027. Oficialmente, o calendário só muda quando Bruxelas o anunciar; até lá, o quarto trimestre de 2026 continua a ser a data no papel, mas já poucos acreditam nela.
Porque é que o ETIAS foi adiado?
Por causa do vizinho do lado. O ETIAS depende do EES, o sistema biométrico de entradas e saídas que substituiu o carimbo no passaporte — e cujo arranque provocou filas e atrasos consideráveis nas fronteiras europeias este verão. Enquanto o EES não estiver a funcionar sem soluços, ligar mais um sistema por cima é pedir problemas, e Bruxelas preferiu tirar o pé do acelerador.
Quem precisa do ETIAS para vir a Portugal?
Ninguém, para já — e é essa a boa notícia prática. Cidadãos isentos de visto, como brasileiros, britânicos ou norte-americanos, continuam a entrar como até aqui, sem autorização prévia nem taxa. Quando o sistema arrancar, o ETIAS será uma autorização eletrónica paga uma vez e válida por três anos, com um período de transição de cerca de seis meses antes de se tornar obrigatória a sério. A informação oficial está no portal da União Europeia.
Para quem tem família a planear visitas cá a casa em 2026, o resumo é simples: passaporte válido chega. O resto fica para o ano — provavelmente.
Por Juliana Castilho
Imagem: Wikimedia Commons (CC BY 4.0)