Irão ataca bases dos EUA no Qatar, EAU, Bahrein e Kuwait: a maior retaliação até agora
O Irão lançou vagas simultâneas de mísseis e drones contra bases americanas no Golfo este domingo, após novos ataques dos EUA. Qatar diz ter intercetado tudo.
O Irão lançou este domingo de manhã vagas simultâneas de mísseis e drones contra alvos no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, reivindicando ainda ataques na Jordânia e em Omã. É a retaliação mais ampla de Teerão desde o início do confronto direto com os Estados Unidos — e o alvo são as bases americanas espalhadas pelo Golfo.
O que atacou o Irão este domingo?
A Guarda Revolucionária diz ter atingido a base aérea de Al-Udeid, no Qatar — a maior instalação militar americana na região —, reivindicando a destruição de um centro de comando e de uma unidade de manutenção de aeronaves. Doha contraria a versão: garante que intercetou os mísseis que se dirigiam à base. O Kuwait anunciou que estava a abater alvos aéreos hostis e pediu à população para se abrigar, o Bahrein ativou as defesas antiaéreas e os Emirados confirmaram a interceção de vários projéteis. Teerão reivindica ainda ter atingido a base de Prince Hassan, na Jordânia, e o porto de Duqm, em Omã, usado pela marinha americana.
Porquê agora?
A escalada segue uma lógica de olho por olho que dura há semanas. Na noite de sábado, um navio foi atacado no estreito de Ormuz; os Estados Unidos responderam com uma nova ronda de bombardeamentos em território iraniano, que já tinha somado dezenas de alvos atingidos em dias anteriores; e o Irão respondeu ao ataque com a ofensiva deste domingo. Pelo meio, Donald Trump já tinha ameaçado Teerão com uma resposta de “1.000 mísseis”, o que dá a medida da temperatura retórica entre as duas capitais.
O que pode acontecer a seguir?
O dado novo é o envolvimento direto do espaço aéreo de meia dúzia de países árabes que acolhem meios militares americanos — incluindo aliados que tentavam manter-se fora da linha de fogo. As operações do Comando Central dos EUA na região estão detalhadas no site oficial do CENTCOM. Para já, nenhum dos países atingidos anunciou vítimas, mas cada vaga destas estreita o espaço para a diplomacia — e deixa o preço do petróleo, os voos e as cadeias de abastecimento mundiais em suspenso.
Por Marta Carneiro
Imagem: Stevertigo / Wikimedia Commons (domínio público)