O Chile declarou estado de catástrofe — as chuvas isolaram quase 100 mil pessoas no norte
O Chile está em estado de catástrofe no norte depois de dias de tempestade: quase 100 mil pessoas isoladas, milhares realojadas e a pior chuvada em décadas em Coquimbo e Atacama.
O norte do Chile está oficialmente em estado de catástrofe. Depois de vários dias de vento e chuva intensa, o presidente José Antonio Kast ativou o regime de exceção que entrega aos militares a coordenação do socorro nas zonas mais atingidas — e os números explicam porquê: quase 100 mil pessoas estão isoladas por estradas cortadas e pontes danificadas.
O temporal começou a bater no país na quarta-feira e concentrou a fúria onde ninguém esperava: Coquimbo e Atacama, regiões onde chuva forte é uma raridade estatística. O deserto mais árido do mundo fica precisamente ali — e foi ali que, segundo o Governo chileno, caiu numa hora o que costuma cair num mês.
Quantas pessoas estão isoladas no Chile?
As autoridades chilenas falam em cerca de 100 mil pessoas isoladas, além de dezenas de milhares de realojados e de pelo menos cinco mortos confirmados até esta segunda-feira. Há ainda cerca de 150 mil casas sem eletricidade e falhas no abastecimento de água em vários municípios. O serviço meteorológico chileno diz que o país não enfrentava uma tempestade tão extensa há cerca de duas décadas.
O que é o estado de catástrofe?
É a figura constitucional chilena para desastres naturais: permite mobilizar as Forças Armadas, restringir circulação e acelerar a distribuição de ajuda. A informação oficial de emergência está centralizada no Senapred, o serviço nacional de proteção civil, que mantém os avisos e as zonas de evacuação atualizados.
A América Latina soma assim mais uma semana negra — ainda este mês, os sismos na Venezuela ultrapassaram os cinco mil mortos, com dezenas de vítimas portuguesas e lusodescendentes. No Chile, a comunidade portuguesa é mais pequena, mas o padrão que preocupa os cientistas é o mesmo: eventos extremos a cair em cima de regiões que não estão construídas para eles.
Por Marta Carneiro
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