A Empresa na Hora permite constituir uma sociedade num balcão do IRN em menos de uma hora, por 360 euros. O que inclui, que documentos levar e o que fazer depois.
Criar uma empresa em Portugal pode demorar menos do que um almoço: através do serviço Empresa na Hora, uma sociedade fica constituída num único balcão, num único momento, por 360 euros. É provavelmente o serviço público português mais elogiado por quem chega de fora — e continua a ser, em 2026, o caminho mais rápido para passar de ideia a empresa com número de matrícula.
Quanto custa a Empresa na Hora?
O valor base é 360 euros, pago no ato, e inclui o essencial: o registo comercial da sociedade, as publicações legais obrigatórias e um ano de acesso à certidão permanente. Há custos adicionais em casos específicos: associar uma marca no mesmo ato custa mais 200 euros (e 44 euros por cada classe extra de produtos ou serviços), e entradas de capital com bens não monetários pagam 50 euros por cada imóvel, quota ou participação.
Quem preferir tratar de tudo à distância tem a alternativa Empresa Online, no portal ePortugal: sai por 220 euros se usar um pacto social pré-aprovado, ou 360 euros com pacto elaborado pelos sócios. O serviço presencial está disponível nos balcões do IRN, em conservatórias e Lojas do Cidadão por todo o país — a lista oficial e as condições estão na página do serviço no gov.pt.
Que documentos são precisos?
Menos do que se imagina. Cada sócio leva documento de identificação (cartão de cidadão, passaporte ou título de residência), NIF português e, se aplicável, número de Segurança Social. No balcão, escolhe-se uma firma da bolsa de nomes pré-aprovados — ou leva-se um certificado de admissibilidade pedido previamente, se quiser um nome à medida — e adota-se um dos pactos sociais padrão. O capital social é livre: desde a reforma de 2011, uma sociedade por quotas pode nascer com um euro por sócio, embora um capital simbólico demasiado baixo possa pesar na credibilidade junto de bancos e fornecedores.
No fim do balcão, sai com quase tudo: matrícula, NIPC (o NIF da empresa), pacto social, código de acesso à certidão permanente e inscrição automática na Segurança Social.
E depois da constituição?
A empresa existe, mas ainda não pode faturar. Faltam três passos que tramam quem se distrai: entregar a declaração de início de atividade nas Finanças no prazo de 15 dias (exige contabilista certificado para sociedades), abrir conta bancária da empresa e depositar o capital, e verificar se a atividade exige licenças específicas. Só depois disso chegam as primeiras faturas.
Vale a pena fazer contas antes de escolher o figurino: para quem vai começar sozinho e sem estrutura, abrir atividade como trabalhador independente é mais barato e reversível; a sociedade compensa quando há sócios, risco a limitar ou faturação a crescer. E para quem está a chegar a Portugal com um projeto de negócio, o processo encaixa no percurso do visto D2 para empreendedores.
Perguntas frequentes
Um estrangeiro pode usar a Empresa na Hora?
Sim. Basta ter documento de identificação válido e NIF português — não é preciso ser residente. Sócios não residentes devem contar com o passo prévio de obter o NIF, que pode exigir representante fiscal.
Posso criar qualquer tipo de empresa neste balcão?
O serviço cobre sociedades por quotas (Lda.), unipessoais por quotas e anónimas (SA). Ficam de fora sociedades cujo capital envolva entradas em espécie que exijam avaliação, e atividades que dependam de autorizações prévias especiais.
A Empresa na Hora inclui contabilista?
Não. A empresa sai do balcão constituída, mas a declaração de início de atividade nas Finanças exige um contabilista certificado — convém ter um escolhido antes de ir ao balcão.