A Gulbenkian paga até 5.000 euros para levar o seu trabalho lá fora (mas não paga honorários)
O Apoio à Internacionalização está aberto até 31 de outubro, para artistas, curadores e programadores de artes performativas, artes visuais, cinema e cruzamentos. Cobre viagem, alojamento e refeições, e obriga a candidatar com 30 dias de antecedência.
Candidatar / Saber maisHá um apoio da Fundação Calouste Gulbenkian aberto desde janeiro que fecha a 31 de outubro e que, ao contrário da maior parte dos concursos, não tem uma data única de submissão: as candidaturas ao Apoio à Internacionalização entram em contínuo e a decisão sai no prazo de 30 dias. O teto de referência é de 5.000 euros por projeto.
Serve para uma coisa concreta: pagar a deslocação de artistas, curadores e programadores que vão participar em iniciativas de instituições culturais internacionais de referência. Artes performativas — dança, teatro, novo circo. Artes visuais, incluindo fotografia, performance e vídeo. Cinema, na realização. E cruzamentos disciplinares, desde que pelo menos duas disciplinas se cruzem e a principal seja uma daquelas.
O que o dinheiro cobre, e o que não cobre
O apoio incide maioritariamente em viagens, alojamento e refeições. Ler a lista do que fica de fora é mais útil do que ler a do que entra, porque é aí que os orçamentos rebentam: não são elegíveis honorários, despesas com aluguer de equipamento ou de espaços de apresentação, montagens e desmontagens, compra de materiais, despesas de comunicação do projeto, custos fixos da atividade regular, nem nada com efeito retroativo. Despesas não elegíveis não excluem a candidatura — apenas encolhem o valor atribuído.
Ficam também de fora, por natureza, os projetos comerciais, os de carácter académico, escolar ou amador, e os que sejam exclusivamente de arquitetura, design, edição ou música.
A regra dos 30 dias é a que apanha as pessoas
O projeto tem de ser submetido com pelo menos 30 dias de antecedência em relação à data em que acontece, e concluído no prazo de um ano. Quem descobre o concurso três semanas antes de embarcar chegou tarde, e não há forma de contornar isso. Projetos já em curso podem candidatar-se, mas só para ações ainda não realizadas.
Podem concorrer pessoas individuais portuguesas, pessoas individuais estrangeiras com domicílio fiscal em Portugal, e instituições privadas portuguesas de produção artística sem fins lucrativos. Cada entidade candidata-se uma vez por ano ao mesmo concurso, e as candidaturas só são aceites online e em português.
Uma nota sobre a hora
A página do concurso dá o fim do prazo como 31 de outubro às 17h00, hora de Lisboa, e as perguntas frequentes da mesma página dizem 16h00. É uma hora de diferença que a Fundação não esclarece, e a própria Gulbenkian aconselha a evitar submeter nos últimos dias — o que resolve o problema sem ninguém ter de arbitrar. Se procura financiamento noutra escala, os 6,2 milhões do PESSOAS 2030 para equipas de autonomia supervisionada fecham quase um mês antes, a 2 de outubro.
Por Miguel Sarmento
Imagem: Fundação Calouste Gulbenkian