Banco de Portugal: Centeno e Santos Pereira explicam no Parlamento a sede de 192 milhões
O ex-governador e o atual líder do Banco de Portugal foram ouvidos sobre a compra do novo edifício-sede, avaliada em 192 milhões de euros. O que ficou (e não ficou) esclarecido.
Foi um dos dias mais aguardados da agenda parlamentar: Mário Centeno, ex-governador do Banco de Portugal, e Álvaro Santos Pereira, o atual, sentaram-se esta quinta-feira frente aos deputados para explicar a compra do novo edifício-sede do banco central — um negócio avaliado em cerca de 192 milhões de euros que já motivou pedidos de auditoria e meses de polémica política.
Quanto custa a nova sede do Banco de Portugal?
Segundo Centeno, os 192 milhões de euros correspondem ao valor da compra do edifício, e nessa componente, garantiu, não há incertezas. O que ainda não está fechado é a fatura do interior: mobiliário, decoração e equipamentos dependem de decisões futuras. O ex-governador reconheceu que existe um orçamento máximo para essa fase — mas recusou revelar o valor, o que deixou parte da bancada visivelmente insatisfeita.
Santos Pereira, que assumiu a liderança do banco em outubro de 2025, defendeu a lógica do projeto: concentrar os serviços da instituição num único edifício permite poupanças e melhora a eficiência operacional. O governador aproveitou ainda para arrumar outra polémica, assumindo um “mal entendido” a propósito de uma compra de ações e reafirmando que as mais-valias em causa foram doadas.
Porque é que a sede é polémica?
A discussão não é (só) sobre betão: é sobre timing e transparência. A decisão de compra atravessou a transição entre dois governadores, os custos finais continuam em aberto e a audição de hoje já tinha sido adiada duas vezes — o que só aumentou a expectativa. A oposição quer saber se um banco central deve fazer um investimento desta dimensão sem escrutínio prévio mais apertado; o banco responde que a operação se paga com a saída de edifícios dispersos e caros de manter.
O tema não deve morrer aqui. Com o processo de auditoria em cima da mesa e o orçamento do interior por revelar, é provável que a nova sede volte ao Parlamento antes de a primeira secretária mudar de morada. O contexto económico em que tudo isto acontece, esse, até tem corrido bem ao país — o que torna a discussão menos sobre dinheiro e mais sobre princípio. Os documentos institucionais do banco estão disponíveis no site oficial do Banco de Portugal.
Imagem: Foreign and Commonwealth Office / Wikimedia Commons (OGL v1.0)