Cimeira da NATO em Ancara: das promessas de 5% à hora de pagar a conta
Os líderes dos 32 aliados reúnem-se a 7 e 8 de julho em Ancara. Em cima da mesa: o cumprimento das metas de despesa, a indústria de defesa e 70 mil milhões para a Ucrânia.
A cimeira da NATO de 2026 arranca terça-feira, 7 de julho, em Ancara, e desta vez o tema não é prometer — é cumprir. Um ano depois de os aliados se terem comprometido em Haia a chegar aos 5% do PIB em despesa ligada à defesa até 2035, os 32 líderes, Donald Trump incluído, vão medir quem está mesmo a pagar a conta.
O que está em jogo na cimeira da NATO?
Três dossiês dominam a agenda definida pelo secretário-geral Mark Rutte: o aumento do investimento em defesa, o reforço da produção industrial transatlântica e o apoio à Ucrânia — com os aliados a preparar-se para prometer 70 mil milhões de euros em ajuda militar para 2026 e níveis “pelo menos equivalentes” em 2027. O texto da declaração final deverá reafirmar o compromisso “inabalável” com a defesa coletiva, uma frase que este ano vale mais do que o costume: as tensões com Washington, do processo do Irão à retórica sobre a Gronelândia, deixaram os europeus a precisar de garantias.
E o que muda para Portugal?
Para Portugal, como para a maioria dos aliados europeus, a cimeira é sobretudo sobre dinheiro e calendário: a trajetória até aos 5% obriga a escolhas orçamentais pesadas nos próximos anos, entre a defesa e tudo o resto. E há a fatura industrial — Rutte promete milhares de milhões em novos contratos de defesa, e os países com indústria própria querem a sua fatia. O ataque desta madrugada a Kiev, na véspera da cimeira, encarregou-se de lembrar a todos porque é que a conversa deixou de ser teórica.
Veja também: o novo ataque em massa contra Kiev. Documentação oficial da cimeira em nato.int.
Imagem: Wikimedia Commons