Mais de 1,6 milhões sem médico de família: o SNS entra no verão sob pressão
Os números de utentes sem médico de família voltaram a subir e as listas de espera engrossam, enquanto o pacto para a saúde ainda não junta os partidos.
O verão costuma ser a estação mais dura para o Serviço Nacional de Saúde, e 2026 não é exceção. Os dados mais recentes mostram que o número de pessoas sem médico de família atribuído voltou a subir, ultrapassando já os 1,6 milhões de utentes — uma tendência que se arrasta há cerca de um ano e não dá sinais de inverter.
Porque há 1,6 milhões sem médico de família?
Não é só o médico de família. No primeiro trimestre do ano registaram-se menos cirurgias e menos primeiras consultas do que no mesmo período de 2025, e as listas de espera voltaram a engrossar. Para quem aguarda por uma operação ou por uma consulta de especialidade, isto traduz-se em meses que se somam a meses.
Parte da explicação está no lado orçamental. Para 2026 foi aprovado um corte significativo na verba destinada à aquisição de bens e serviços na saúde, e as regras de contratação de pessoal apertaram, limitando o crescimento dos quadros. Menos margem para contratar e para comprar significa, no terreno, serviços mais esticados.
O pacto que não chega
No plano político, a tentativa de um pacto estratégico para a saúde — pensado para dar estabilidade às políticas para lá de cada governo — continua sem reunir consenso. Uns veem nele uma oportunidade rara para reformar; outros temem que abra a porta a mais gestão privada dentro do SNS. Enquanto os partidos não se entendem, é o utente que espera.
Para contexto, veja o que escrevemos sobre a inscrição de imigrantes no SNS. Os números e serviços oficiais estão no portal do SNS.
Este é um tema sensível; se precisar de apoio de saúde, contacte a linha SNS 24 (808 24 24 24).
Imagem: Wikimedia Commons