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Bateria de mísseis Patriot operada por militares norte-americanos
Política 10 de julho de 2026

NATO em Ancara fecha com licença para a Ucrânia produzir mísseis Patriot

A cimeira da NATO em Ancara terminou com Trump a prometer a Zelensky uma licença para a Ucrânia fabricar sistemas Patriot e 70 mil milhões de euros em apoio.

A 36.ª cimeira da NATO fechou as portas em Ancara com um resultado que Kiev perseguia há anos. No encontro bilateral com Volodymyr Zelensky, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão conceder à Ucrânia uma licença para produzir os seus próprios sistemas de defesa aérea Patriot — «façam-nos vocês mesmos», resumiu o presidente norte-americano.

O que ficou decidido na cimeira da NATO em Ancara?

Duas coisas com peso real. Primeiro, a licença de produção dos Patriot, o sistema antiaéreo que Zelensky há muito pedia em maior quantidade — os mísseis são caros, escassos e demoram a fabricar, e produzi-los em solo ucraniano muda a aritmética da defesa aérea do país. Segundo, a declaração final da cimeira, em que os aliados prometem 70 mil milhões de euros em equipamento militar, assistência e treino para a Ucrânia em 2026.

Porque é que a licença dos Patriot importa tanto?

Porque os ataques russos não abrandam — o mês começou com Kiev atingida por uma vaga maciça de mísseis e drones — e cada bateria Patriot disponível decide, literalmente, o que cai e o que é intercetado. Depender de entregas aliadas tem sido o calcanhar de Aquiles ucraniano; uma linha de produção própria é o tipo de compromisso estrutural que sobrevive a ciclos eleitorais.

O tom final contrastou com o arranque tenso que se antecipava quando a cimeira abriu com a fatura dos 5% do PIB em cima da mesa. Erdogan deu a cimeira por concluída com êxito, Trump elogiou a «unidade» da aliança, e a declaração final ficou disponível no site oficial da NATO. Se as promessas sobrevivem ao regresso a casa de cada líder, isso é outra cimeira.

Por Tomás Vasconcelos

Imagem: DoD Photo By Glenn Fawcett / Wikimedia Commons (domínio público)

Gráfico de barras comparando os limiares do ajuste direto antes e depois do Decreto-Lei 177/2026: obras 30 mil para 150 mil euros, bens e serviços 20 mil para 75 mil
Política 5 de setembro de 2026

As obras públicas até 150 mil euros deixam de precisar de concurso. Até agora o limite eram 30 mil

O Decreto-Lei n.º 177/2026, publicado esta sexta-feira em Diário da República, faz a décima sétima alteração ao Código dos Contratos Públicos e sobe quatro limiares de uma só vez. Entra em vigor a 1 de outubro.

Uma câmara municipal que queira mandar refazer o telhado de uma escola pode, a partir do mês que vem, escolher a empresa e assinar o contrato sem abrir concurso nenhum, desde que a obra não passe dos 150 mil euros. Até agora esse teto estava nos 30 mil. É cinco vezes mais. A regra saiu esta sexta-feira em Diário da República. O Decreto-Lei n.º 177/2026 é a décima sétima alteração ao Código dos Contratos Públicos desde 2008 e entra em vigor a 1 de outubro,…

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Tribuna e mesa da Sala das Sessões da Assembleia da República, no Palácio de São Bento, com a bandeira nacional
Política 4 de setembro de 2026

O Orçamento de 2027 já tem 4.783 milhões de euros comprometidos antes de existir

É o que custam, no próximo ano, as medidas que já foram aprovadas. As pensões pesam 1.993 milhões, os salários da função pública mais de mil milhões e os juros da dívida mais 776 milhões do que em 2026.

Todos os anos, até 31 de agosto, o Governo entrega ao Parlamento um documento com um nome que ninguém diria em voz alta: o Quadro de Políticas Invariantes. Serve para uma coisa útil. Mostra aos deputados quanto custa, no ano seguinte, aquilo que já foi decidido, antes de se discutir qualquer medida nova. A conta para 2027 é de 4.783 milhões de euros. Do lado da despesa são 5.042 milhões; do lado da receita há uma poupança líquida de 259 milhões que atenua…

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Sala das Sessões da Assembleia da República, no Palácio de São Bento, vista das bancadas superiores
Política 3 de setembro de 2026

Uma moção de censura precisa de 116 votos para derrubar o Governo. É esse o problema do Chega

A moção foi entregue na quarta-feira e a conferência de líderes decide esta quinta se o debate é a 10 ou a 17 de setembro. É a 37.ª desde 1976, e a aritmética explica porque é que quase nenhuma passa.

O Chega entregou na quarta-feira a moção de censura ao Governo, anunciada por André Ventura na sede do partido em Lisboa, acompanhado dos deputados Cristina Rodrigues, Pedro Frazão e Nuno Gabriel. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, remeteu a marcação para a conferência de líderes parlamentares, que decide esta quinta-feira se o debate acontece a 10 ou a 17 de setembro. Antes de olhar para as datas, vale a pena olhar para as…

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Palácio Colinas de Boé, sede da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, em Bissau
Política 2 de setembro de 2026

A Guiné-Bissau aprovou a nova Constituição com 70%. Bissau foi a única região a dizer não

A CNE contou 383.117 votos no sim e 160.904 no não, com 62,6% de participação. O texto concentra o poder no Presidente, corta o parlamento de 102 para 65 deputados e abre caminho às eleições de 6 de dezembro.

A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciou esta terça-feira os resultados provisórios do referendo de domingo, e o sim ganhou com 70% dos votos. Foram 383.117 boletins a favor da nova Constituição e 160.904 contra. De 914.428 eleitores inscritos, votaram 572.714, uma participação de 62,6%. O mapa da votação é mais interessante do que a percentagem nacional. Gabú deu 90% ao sim, Bafatá 85%, Biombo e Quinara 79%, Cacheu e Tombali 70%, Oio 60%…

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Fachada do Tribunal Judicial de Guimarães, um edifício baixo de pedra clara com o largo empedrado à frente
Política 1 de setembro de 2026

A reforma do processo penal entra hoje em vigor (e limita a 20 as testemunhas de cada acusação)

A Lei n.º 34/2026 muda 32 artigos do Código de Processo Penal a partir de 1 de setembro: teto de 20 testemunhas, julgamento marcado em dois meses e multa até 100 UC para quem atrasar o processo de propósito.

Quem tiver um julgamento marcado para esta semana vai encontrar um código diferente daquele que existia na sexta-feira. A Lei n.º 34/2026 entrou hoje em vigor e altera 32 artigos do Código de Processo Penal, acrescenta outros três e mexe ainda no Código Penal e no Regulamento das Custas Processuais. Foi aprovada na Assembleia a 12 de junho e promulgada a 17 de julho, mas só produz efeitos a partir de 1 de setembro.

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José Manuel Pureza, coordenador nacional do Bloco de Esquerda, durante uma intervenção.
Política 31 de agosto de 2026

O Bloco quer a Caixa a segurar a prestação da casa durante 12 meses (e o AIMI a dobrar)

José Manuel Pureza fechou a rentrée bloquista com duas propostas: a CGD baixar o spread para absorver as subidas do BCE decididas em 2026, e a duplicação do adicional ao IMI a favor da Segurança Social.

O Bloco de Esquerda fechou o Fórum Socialismo, em Setúbal, com duas propostas que partilham o mesmo alvo: quem paga crédito à habitação e quem depende da Segurança Social. A primeira chama-se Travão Caixa. O coordenador nacional, José Manuel Pureza, propôs que a Caixa Geral de Depósitos não repercuta durante 12 meses nas prestações de habitação própria e permanente as subidas de taxa decididas pelo Banco Central Europeu ao longo de 2026. Na prática, o…

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André Ventura discursa num palanque com o rosto projetado num ecrã gigante
Política 30 de agosto de 2026

Luís Neves tem até terça-feira. Depois disso, o Chega diz que entrega a moção de censura

André Ventura anunciou na sexta-feira que o Chega apresenta uma moção de censura ao Governo a 1 de setembro caso o ministro da Administração Interna se mantenha no cargo.

O Chega marcou uma data. Se Luís Neves continuar ministro da Administração Interna na próxima terça-feira, 1 de setembro, o partido entrega nesse dia uma moção de censura ao Governo de Luís Montenegro. O anúncio foi feito na sexta-feira por André Ventura, e é a primeira vez neste braço-de-ferro que o Chega põe uma data em cima da mesa em vez de um aviso. Ventura fez questão de separar as duas coisas. Diz que não quer uma crise política, quer a saída de um…

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Gráfico de barras Tugadaily com o aumento mensal do reposicionamento dos conservadores por nível de partida: nível 42 sobe 58 euros, nível 46 sobe 173, nível 50 sobe 231, nível 54 sobe 288, nível 58 sobe 58 e nível 62 sobe 115
Política 28 de agosto de 2026

Registos e notariado com aumentos até 288,49 euros. O maior salto é a meio da tabela

O projeto de decreto-lei que revê as carreiras de conservador e de oficial de registos já passou a consulta pública e segue para Conselho de Ministros. Os efeitos são retroativos a 1 de julho de 2025, mas o valor que cada um recebe depende do degrau em que estava a 30 de junho desse ano.

Quem trabalha numa conservatória vai ter uma tabela salarial nova, e o aumento não é igual para toda a gente. O projeto de decreto-lei que revê as carreiras de conservador de registos e de oficial de registos foi publicado a 3 de agosto na separata 24/2026 do Boletim do Trabalho e Emprego, já cumpriu os vinte dias de consulta pública e espera agora aprovação em Conselho de Ministros. O número que salta à vista é 288,49 euros por mês. É o maior aumento que…

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Uma bicicleta de cicloturismo carregada, encostada na plataforma da estação de Braga, ao lado de uma carruagem Intercidades da CP com o símbolo de bicicleta pintado na porta
Política 27 de agosto de 2026

A sua bicicleta e o seu cão vão ter quem fiscalize as regras no comboio e no barco

O Presidente da República promulgou a 24 de agosto o diploma que garante a execução interna dos regulamentos europeus sobre transporte de passageiros e bagagens por via ferroviária, rodoviária e marítima, incluindo volumes portáteis, animais de companhia e velocípedes.

Levar a bicicleta no comboio, viajar com o gato na caixa de transporte ou despachar mala num barco de carreira são coisas que já estão reguladas na União Europeia há anos. O que faltava em Portugal era a parte aborrecida e decisiva: quem verifica, quem recebe a queixa, quem aplica a coima. Foi esse buraco que o Governo tratou de fechar. A 24 de agosto, o Presidente da República promulgou o diploma que assegura a execução na ordem jurídica interna das…

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Fachada dos Paços do Concelho da Figueira da Foz, na freguesia de São Julião, com pessoas a atravessar a praça em frente
Política 26 de agosto de 2026

As obras do Julgado de Paz da Figueira já acabaram. Falta o papel que diz em que dia abre

O Conselho de Ministros aprovou a 20 de agosto o decreto-lei que cria o Julgado de Paz da Figueira da Foz, para causas cíveis até 15 mil euros. O edifício está reabilitado desde a primavera, mas o tribunal só abre depois de promulgação, publicação em Diário da República e uma portaria com a data.

Há um edifício de três pisos na Praceta Dr. Nogueira de Carvalho, na freguesia de São Julião, com sala de audiências, gabinete para o juiz de paz, sala de testemunhas e uma sala reservada à pré-mediação. As obras custaram cerca de 72 mil euros e estão concluídas. O que ainda não existe é a data em que aquilo abre a porta. O passo que faltava do lado do Governo foi dado a 20 de agosto. Na reunião na Residência Oficial do Primeiro-Ministro, o Conselho de…

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Vista aérea da vila de Vila Nova de Cerveira, com o castelo, o casario e o rio Minho a separar Portugal de Espanha ao fundo
Política 23 de agosto de 2026

Seguro pediu mais Estado para o interior e para a raia (e mais confiança nas autarquias)

Numa sessão solene em Vila Nova de Cerveira, o Presidente da República apontou o despovoamento, o envelhecimento e a distância aos centros de decisão como problemas que exigem investimento do Estado central.

Vila Nova de Cerveira é uma vila raiana do Alto Minho, com um castelo do tempo de D. Dinis e uma bienal de arte contemporânea que já vai na 24.ª edição. Foi de lá que António José Seguro, este domingo, mandou um recado ao Governo. "Sei das dificuldades comuns a tantos territórios do interior e da raia. O despovoamento, o envelhecimento, a distância aos grandes centros de decisão", disse o Presidente da República na sessão solene da XXIV Bienal. "São…

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Fachada do Palácio Palmela, em Lisboa, com a inscrição Procuradoria-Geral da República sobre a entrada
Política 22 de agosto de 2026

Esta lei entra em vigor a 1 de setembro e dá ao Ministério Público uma equipa só para incêndios florestais

A Lei n.º 35/2026 fixa as prioridades da política criminal até 2028. Manda o Procurador-Geral da República constituir uma equipa especial para investigar o crime de incêndio florestal, com Polícia Judiciária, GNR e ICNF, abre a limpeza de matas ao trabalho prisional e prevê revistas em zonas com criminalidade de impacto social.

Daqui a dez dias Portugal passa a ter uma equipa de investigação dedicada só a incêndios florestais. Está escrito no artigo 22.º da Lei n.º 35/2026, o diploma que fixa as prioridades da política criminal para o biénio 2026-2028 e que, pelo seu artigo 29.º, entra em vigor a 1 de setembro. A equipa é constituída pelo Procurador-Geral da República, ouvidos os dirigentes máximos das entidades envolvidas, e integra membros da Polícia Judiciária, da Guarda…

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Motoristas de TVDE numa rua de Lisboa, com o dístico TVDE visível no para-brisas de um dos carros
Política 21 de agosto de 2026

A nova lei dos TVDE já está promulgada. Os motoristas passam a ter 50 horas de formação e um exame de 30 perguntas

O Presidente da República promulgou a 18 de agosto a revisão do regime dos TVDE. Além da formação inicial e do exame, as plataformas passam a ter de garantir que os motoristas dominam português, os táxis podem operar nas apps e a videogravação no interior do carro fica permitida com consentimento das duas partes.

A maior revisão do regime dos TVDE desde que ele existe já passou o último obstáculo. A 18 de agosto, António José Seguro promulgou o decreto da Assembleia da República que altera a Lei n.º 45/2018, o diploma que enquadra o transporte individual remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica. Foi promulgado no mesmo dia que a lei da ocultação do rosto, e passou bastante mais despercebido.

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Péter Magyar, primeiro-ministro húngaro, a falar para uma câmara com um microfone de lapela, ao ar livre
Política 20 de agosto de 2026

A televisão pública húngara esteve 44 dias sem noticiários. Hoje voltam, com uma redação nova

A MTVA suspendeu os noticiários da M1 e da rádio Kossuth a 7 de julho, com um ecrã preto e um pedido de desculpas. O regresso está marcado para hoje, feriado nacional na Hungria.

A 7 de julho, quem ligou a M1 ou a rádio Kossuth encontrou um ecrã preto e um pedido de desculpas por anos de distorção política. Não era uma avaria. Era a MTVA, o operador público húngaro, a desligar os seus próprios noticiários por decisão do novo governo. Quarenta e quatro dias depois, hoje, os boletins regressam. A data não foi escolhida ao acaso: 20 de agosto é feriado nacional na Hungria, o dia de Santo Estêvão, e é a data com maior audiência…

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