NATO em Ancara fecha com licença para a Ucrânia produzir mísseis Patriot
A cimeira da NATO em Ancara terminou com Trump a prometer a Zelensky uma licença para a Ucrânia fabricar sistemas Patriot e 70 mil milhões de euros em apoio.
A 36.ª cimeira da NATO fechou as portas em Ancara com um resultado que Kiev perseguia há anos. No encontro bilateral com Volodymyr Zelensky, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão conceder à Ucrânia uma licença para produzir os seus próprios sistemas de defesa aérea Patriot — «façam-nos vocês mesmos», resumiu o presidente norte-americano.
O que ficou decidido na cimeira da NATO em Ancara?
Duas coisas com peso real. Primeiro, a licença de produção dos Patriot, o sistema antiaéreo que Zelensky há muito pedia em maior quantidade — os mísseis são caros, escassos e demoram a fabricar, e produzi-los em solo ucraniano muda a aritmética da defesa aérea do país. Segundo, a declaração final da cimeira, em que os aliados prometem 70 mil milhões de euros em equipamento militar, assistência e treino para a Ucrânia em 2026.
Porque é que a licença dos Patriot importa tanto?
Porque os ataques russos não abrandam — o mês começou com Kiev atingida por uma vaga maciça de mísseis e drones — e cada bateria Patriot disponível decide, literalmente, o que cai e o que é intercetado. Depender de entregas aliadas tem sido o calcanhar de Aquiles ucraniano; uma linha de produção própria é o tipo de compromisso estrutural que sobrevive a ciclos eleitorais.
O tom final contrastou com o arranque tenso que se antecipava quando a cimeira abriu com a fatura dos 5% do PIB em cima da mesa. Erdogan deu a cimeira por concluída com êxito, Trump elogiou a «unidade» da aliança, e a declaração final ficou disponível no site oficial da NATO. Se as promessas sobrevivem ao regresso a casa de cada líder, isso é outra cimeira.
Imagem: DoD Photo By Glenn Fawcett / Wikimedia Commons (domínio público)