Estrangeiros compram cada vez menos casas em Portugal
As aquisições por não residentes caíram 15,6% no início do ano. Os preços continuam em máximos, mas o mercado começa a perder fôlego.
Durante anos, o comprador estrangeiro foi a personagem fixa de qualquer conversa sobre habitação em Portugal. Os dados mais recentes do INE contam agora uma história diferente: no início de 2026, as aquisições por não residentes caíram para 1.770 unidades, menos 15,6% face ao ano anterior.
Não é um detalhe isolado. No mesmo período, o total de casas transacionadas recuou 8,7%, para 37.745 habitações. Ou seja, vende-se menos a toda a gente — e os estrangeiros, que ajudaram a empurrar os preços nas zonas mais cobiçadas, estão claramente a abrandar o passo.
Preços altos, procura a arrefecer
O paradoxo é que os preços continuam em máximos históricos, com o valor médio a rondar os 263 mil euros. Mas há sinais de fadiga: a subida homóloga abrandou pela primeira vez em quase dois anos. Juros mais altos, regras mais apertadas para alguns vistos e preços que afastam compradores ajudam a explicar o recuo.
Para quem procura casa em Portugal, isto não significa pechinchas à vista — significa um mercado um pouco menos frenético, em que talvez sobre tempo para negociar. Para quem vende, o aviso é o oposto: a era do “ponho à venda hoje, fecho amanhã” pode estar a chegar ao fim.
Veja também: o preço médio das casas em máximos. Os dados oficiais estão no portal do INE.
Imagem: Wikimedia Commons