Casas: a DBRS acha que a escalada de preços vai abrandar — e explica porquê
A agência DBRS antecipa um travão gradual na subida dos preços da habitação se a imigração descer, a inflação subir e o crédito apertar.
Boa notícia para quem sonha comprar casa? Talvez. A agência de rating DBRS veio dizer que a subida em flecha dos preços da habitação em Portugal deve perder fôlego nos próximos tempos. Antes de abrir o champanhe, convém perceber o “porquê” — porque ele tem espinhos.
Lembremos o ponto de partida: os preços das casas subiram 10,2% no último ano, para um novo máximo histórico de 3.142 euros por metro quadrado. Não é sustentável manter este ritmo eternamente, e a DBRS aponta três travões a entrar em cena.
Os três travões
O primeiro é a imigração. Menos gente a chegar significa menos procura por casa, e a procura tem sido um dos grandes motores dos preços. O segundo é a inflação, que corrói o rendimento disponível e deixa menos margem para a prestação. O terceiro é o crédito mais apertado — com taxas e exigências dos bancos a filtrarem quem consegue comprar.
Repare na ironia: o abrandamento dos preços não viria de mais casas construídas (o que toda a gente quer), mas sobretudo de menos gente em condições de comprar. É alívio pelo lado errado da equação.
O que isto quer dizer para si
Abrandar não é descer. A DBRS fala num crescimento mais lento, não numa queda de preços nem numa bolha a rebentar — aliás, vários especialistas insistem que Portugal tem uma crise de habitação, mas não uma bolha. Quem espera por uma derrocada para entrar no mercado pode ficar muito tempo à espera.
A leitura honesta: o foguetão pode passar a avião, mas continua a subir. Construir mais casas é que mudaria mesmo o jogo.
Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels