O imobiliário levou 46% do investimento estrangeiro e nunca tinha pesado tanto
Quase metade do investimento direto estrangeiro que entrou em Portugal em 2025 foi para operações imobiliárias — o peso mais alto em cerca de 17 anos, com hotéis, escritórios e data centers na frente.
Quarenta e seis por cento. É essa a fatia do investimento direto estrangeiro que entrou em Portugal em 2025 e foi parar a operações imobiliárias — quase metade de tudo, e o peso mais alto em pelo menos 17 anos.
Quanto do investimento estrangeiro foi para o imobiliário?
O IDE total de 2025 ficou nos 8,5 mil milhões de euros, bem abaixo dos 13,1 mil milhões do ano anterior. Dentro do investimento em capital de entidades portuguesas, que somou 11,9 mil milhões, 3,9 mil milhões corresponderam a imobiliário. Ou seja: entrou menos dinheiro de fora do que em 2024, mas a parte dele que escolheu tijolo nunca tinha sido tão dominante.
Convém ler os dois lados desse número. Um peso recorde do imobiliário é bom sinal para quem constrói e vende, e é um sinal misto para o resto da economia — significa que o capital estrangeiro está a preferir ativos com renda garantida a fábricas, laboratórios ou software.
Que tipo de imóveis atraem o dinheiro estrangeiro?
Menos apartamentos do que se imagina. O grosso vai para ativos de rendimento: hotéis, edifícios de escritórios, centros comerciais, parques industriais e, cada vez mais, data centers — a categoria que passou de nota de rodapé a protagonista em poucos anos, empurrada pela procura de capacidade de computação na Europa.
É por isso que este número e o recorde de investimento estrangeiro contratado pela AICEP contam histórias complementares: um mede promessas industriais assinadas, o outro mede onde o dinheiro efetivamente aterrou. Para quem anda a comprar casa, o efeito é indireto mas real — capital estrangeiro concentrado em ativos urbanos ajuda a manter a pressão sobre preços e rendas, que é a conversa que o nosso acompanhamento de preços vai fazendo mês a mês. As estatísticas de investimento direto são publicadas pelo Banco de Portugal.
Imagem: DiogoBaptista / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)