O investimento estrangeiro bateu recorde em Portugal — e Montenegro diz que o país nunca foi tão amigo de quem investe
Portugal fechou 2025 com um recorde de investimento estrangeiro contratado pela AICEP. O primeiro-ministro garante estabilidade, mas o Banco de Portugal prevê um crescimento mais modesto até 2027.
Portugal está a puxar mais dinheiro de fora do que alguma vez puxou. Em 2025, o investimento estrangeiro contratado pela AICEP, a agência que capta investimento para o país, bateu um recorde — e o primeiro-ministro fez questão de o sublinhar esta semana, numa cerimónia de arranque de obras na Figueira da Foz.
Luís Montenegro resumiu a mensagem numa frase: Portugal é hoje “mais amigo do investimento”. O argumento é a estabilidade — política, económica e financeira — como o ingrediente que faz uma empresa estrangeira escolher pôr aqui uma fábrica em vez de a levar para outro país qualquer. E, nos últimos meses, os anúncios de novas unidades industriais têm-se sucedido, de norte a sul.
Porque é que o investimento está a subir?
Pesa a combinação de mão de obra qualificada, custos ainda competitivos face à média europeia e um empurrão dos fundos europeus, que co-financiam parte destes projetos. A aposta em setores como a energia, os data centers e a indústria de precisão tem trazido nomes internacionais — e, com eles, milhares de postos de trabalho prometidos.
Quanto cresce a economia portuguesa este ano?
Aqui o tom é mais contido. O Banco de Portugal, no seu boletim de junho, prevê que a economia cresça 1,8% em 2026 e abrande para 1,6% em 2027 — números sólidos, mas longe de um foguetão. Ou seja: o investimento recorde é uma boa notícia de fundo, mas não chega, por si só, para acelerar o país. Vale a pena ler isto ao lado das novas fábricas que continuam a escolher Portugal. Os dados oficiais de captação estão no portal da AICEP.
Por Beatriz Mota
Imagem: GualdimG / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)