As rendas em atraso na habitação pública passam os 48 milhões — e Lisboa deve 44
Lisboa, Porto, Cascais e Sintra acumulavam 48 milhões de euros em rendas por cobrar no final de 2025. O incumprimento está a cair, mas houve 86 despejos.
As rendas em atraso na habitação pública das quatro maiores câmaras do país somavam 48 milhões de euros no final de 2025 — e Lisboa, sozinha, responde por 44,1 milhões. Porto, Cascais e Sintra dividem o resto, com a vila de Cascais em segundo lugar (2,5 milhões), o Porto perto de um milhão e Sintra acima dos 471 mil euros.
Porque é que Lisboa concentra quase tudo?
Escala, sobretudo: a capital gere mais de 21.700 fogos municipais — mais do que Porto, Cascais e Sintra juntos. A Gebalis, a empresa municipal que administra os bairros lisboetas, diz que o reforço do acompanhamento às famílias está a dar frutos, mas avisa que cada renda por cobrar é dinheiro que falta à manutenção dos bairros e às obras — a atividade da empresa pode ser consultada no site oficial da Gebalis.
E há sinais positivos genuínos: a taxa de incumprimento caiu de 19% em 2021 para 9,4% em 2025, e o valor médio mensal em falta desceu de 324 mil para 190 mil euros. A dívida acumulada é uma herança pesada, mas a tendência aponta para baixo há cinco anos.
Quantos despejos houve na habitação pública?
Pelo menos 86 durante 2025, nas quatro autarquias, por falta de pagamento ou uso indevido das casas — sempre apresentado como último recurso. A Associação de Inquilinos Lisbonenses prefere outra via: intervir mais cedo junto das famílias e abater a parte da dívida comprovadamente incobrável, que na prática já ninguém espera receber.
O tema cruza-se com a grande reforma em curso no arrendamento — o Governo prepara mudanças profundas nos contratos, despejos e rendas antigas — e com um mercado privado onde os preços finalmente deram sinal de correção. No parque público, o desafio é mais antigo: cobrar o que é devido sem empurrar para a rua quem não tem para onde ir.
Infografia: Tugadaily · dados Rádio Renascença