Casas em novo máximo: preços sobem 10,2%, mas o ritmo começa a abrandar
O preço mediano das casas atingiu um novo recorde em Portugal. Ainda assim, agências e analistas começam a falar de uma travagem suave no horizonte.
Quem anda à procura de casa em Portugal já desconfiava, mas agora há números a confirmá-lo: os preços voltaram a bater recorde. O valor mediano subiu 10,2% num ano e chegou a cerca de 3.142 euros por metro quadrado, um novo máximo histórico. Em bom português, comprar nunca custou tanto.
As diferenças regionais continuam abismais. A Área Metropolitana de Lisboa lidera com um preço mediano à volta dos 4.391 euros/m², seguida pelo Algarve (cerca de 4.057 euros/m²) e pela Madeira (perto de 3.647 euros/m²). Procurar uma casa em Lisboa ou no litoral algarvio é, hoje, um exercício para carteiras robustas — ou para muita paciência e quilómetros para o interior.
Mas há uma nuance importante nesta história, e é aqui que mora a esperança de quem ainda não comprou. Vários sinais apontam para um arrefecimento gradual. A agência de notação financeira DBRS antecipa um abrandamento do crescimento dos preços, alimentado por fatores como a redução do número de imigrantes, a inflação mais alta e um crédito menos generoso. Não fala em queda nem em bolha — pelo contrário, afasta esse cenário —, mas sim numa subida que perde fôlego.
Os próprios anúncios começam a contar essa história. No início de 2026, 8% das casas à venda tinham baixado de preço — pouco, mas mais do que os 6% de há um ano. É um movimento tímido, quase imperceptível, mas que mostra que algumas famílias estão mais cautelosas e que nem tudo se vende ao primeiro preço pedido.
A leitura geral é, portanto, de dois tempos. No curto prazo, o mercado continua caro e apertado, com a oferta limitada a segurar os valores lá em cima. No médio prazo, a expectativa é de uma travagem suave, sem grandes solavancos. Para quem compra, não é propriamente um alívio imediato — mas talvez seja o primeiro sinal de que a corrida desenfreada dos últimos anos está, finalmente, a perder velocidade.
Imagem ilustrativa · Foto: Vera Emilie / Pexels