Preços a subir, vendas a cair: o puzzle da casa em 2026
Os dados mais recentes contam uma história estranha — as casas estão mais caras, mas mudam de mãos menos vezes. O que está por trás disto.
Há um puzzle no mercado da habitação que parece não bater certo: os preços continuam a subir, mas vende-se menos. Como é que as duas coisas andam juntas?
Os números mais recentes do INE apontam para uma mediana à volta dos 2.076 euros por metro quadrado, com uma subida na ordem dos 17% face ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o número de casas que efetivamente mudaram de mãos caiu cerca de 9% no início do ano. Ou seja: caro, e a abrandar nas vendas.
Porquê
A explicação mais simples é a prestação. Com o Euribor outra vez a subir, o crédito ficou mais pesado, e muita gente que queria comprar ou ficou de fora ou pôs o pé no travão. Quem vende, por outro lado, não tem pressa em baixar o preço — segura.
Os números nacionais escondem mapas muito diferentes. Na Grande Lisboa a mediana anda perto dos 3.439 €/m², no Algarve nos 3.139 € e na Área Metropolitana do Porto à volta dos 2.305 €. É aqui que entra o eterno argumento do Vale do Sousa: quem trabalha no Porto e faz contas começa a olhar para concelhos como Lousada, onde o metro quadrado ainda deixa respirar a carteira. Menos vendas não quer dizer mercado parado — quer dizer mercado a escolher com mais cuidado.
Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels