Rendas: a nova mediana é 9,46 euros por metro quadrado — e o INE já mostra rua a rua
O INE passou a divulgar as rendas ao nível local. A mediana dos novos contratos subiu 9,1% no primeiro trimestre de 2026.
Quem anda à procura de casa para arrendar não precisa que ninguém lhe diga que está caro. Mas agora há um número oficial — e, melhor ainda, dá para ver quanto custa em cada zona do país.
O Instituto Nacional de Estatística começou a publicar as rendas da habitação ao nível local, uma série nova construída a partir da informação do Imposto do Selo que a Autoridade Tributária passou a partilhar. Na prática, deixa de haver só uma média nacional vaga e passa a haver detalhe município a município.
O retrato do primeiro trimestre
A renda mediana dos novos contratos fixou-se em 9,46 euros por metro quadrado no arranque de 2026 — uma subida de 9,1% face ao mesmo período do ano passado. Traduzindo para um apartamento de 70 metros quadrados, falamos de qualquer coisa como 660 euros por mês de mediana, e isso é a mediana: em Lisboa, Porto e Algarve os valores disparam bem acima.
A palavra a reter é “novos contratos”. Quem já tem casa arrendada há anos costuma pagar bastante menos; o choque sente-se sobretudo em quem muda agora, em quem chega de fora e em quem se emancipa. É o velho fosso entre quem entrou cedo no mercado e quem está a bater à porta hoje.
Porque é que estes números importam
Ter dados ao nível local não baixa as rendas, mas muda a conversa. Câmaras, investidores e famílias passam a discutir com factos em vez de palpites, e políticas como rendas acessíveis ou apoios ao arrendamento podem finalmente ser desenhadas onde o aperto é maior.
Para já, fica a confirmação fria do que toda a gente sentia na carteira: arrendar em Portugal continua a subir mais depressa do que os salários.
Imagem ilustrativa · Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels