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Sede da OpenAI, o Pioneer Building em São Francisco
Tecnologia 1 de julho de 2026

O homem por trás do Transformer troca a Google pela OpenAI

Noam Shazeer, coautor do artigo que deu origem à IA moderna, deixa a Google DeepMind para se juntar à OpenAI — a maior contratação do setor em meses.

Há nomes que não dizem nada ao grande público mas que fazem os engenheiros de inteligência artificial levantar a sobrancelha. Noam Shazeer é um deles, e a notícia da sua mudança é das mais faladas do setor este ano.

A 18 de junho, Shazeer anunciou que deixa a Google DeepMind para se juntar à OpenAI. Porque é que isto importa? Porque ele é coautor de um artigo de 2017 chamado “Attention Is All You Need”, o texto que introduziu a arquitetura Transformer — a peça de engenharia que está por baixo de praticamente todos os modelos de IA que hoje usamos, do ChatGPT ao tradutor do telemóvel.

Uma transferência de peso

No mundo do futebol chamar-se-ia a isto uma transferência estrela, e não é exagero. Trata-se do maior movimento individual de talento na IA desde que Andrej Karpathy trocou de casa, e ilustra bem a guerra por cérebros que se trava entre as grandes tecnológicas. As empresas já não competem só por chips e centros de dados; competem por um punhado de pessoas capazes de desenhar a próxima geração de modelos.

Para a OpenAI, que fecha uma fase de crescimento acelerado, é um reforço simbólico e prático. Para a Google, é uma perda que dói, sobretudo por ser alguém que ajudou a inventar a tecnologia que agora todos exploram.

O que fica por dizer

A verdadeira pergunta é o que Shazeer vai construir a seguir. Quem desenhou os alicerces de uma tecnologia raramente muda de casa para fazer mais do mesmo — e é isso que torna esta contratação tão intrigante.

Veja também: a startup portuguesa e os apoios à inovação. Mais sobre a empresa no site oficial da OpenAI.

Imagem: Wikimedia Commons

Palácio das Nações, sede da ONU em Genebra
Tecnologia 6 de julho de 2026

Governação da IA: ONU junta 193 países em Genebra para o primeiro Diálogo Global

Arranca hoje em Genebra o Diálogo Global sobre Governação da Inteligência Artificial, a primeira plataforma da ONU onde todos os países discutem as regras da IA.

A inteligência artificial ganhou finalmente uma mesa onde se sentam todos. O Diálogo Global sobre Governação da IA arranca hoje, 6 de julho, em Genebra, juntando os 193 Estados-membros da ONU, empresas tecnológicas, academia e sociedade civil durante dois dias — a primeira vez que a governação da IA é discutida numa plataforma universal, e não apenas em clubes restritos de países ricos.

O que é o Diálogo Global sobre Governação da IA?

É o fórum criado pela Assembleia Geral da ONU, no âmbito do Pacto Digital Global, para os governos trocarem práticas e aproximarem abordagens sobre como regular a inteligência artificial. Não produz regras vinculativas — o modelo é o do Fórum de Governação da Internet: dois dias de discussão e um resumo dos copresidentes no fim. Esta primeira sessão decorre a 6 e 7 de julho em Genebra; a segunda está marcada para Nova Iorque, em maio de 2027.

Serve para alguma coisa, se não vincula ninguém?

É a pergunta certa — e a resposta honesta é: depende do que se lhe pedir. Ninguém sai de Genebra com uma “lei mundial da IA”. Mas num momento em que a tecnologia evolui mais depressa do que qualquer regulador nacional consegue acompanhar, e em que os avisos sobre riscos sérios se multiplicam, ter os 193 países na mesma sala é o primeiro passo para que as regras não sejam escritas apenas por meia dúzia de capitais e meia dúzia de empresas. Para a Europa — e Portugal —, que aposta numa via própria para a IA, é também palco para defender essa visão.

Veja também: a corrida europeia à IA soberana. Programa oficial em un.org.

Imagem: Wikimedia Commons

Emblema do Tribunal de Justiça da União Europeia
Tecnologia 5 de julho de 2026

Google perde recurso: multa de 4,1 mil milhões pelo Android é definitiva

O Tribunal de Justiça da UE confirmou a multa recorde à Google pelo abuso do Android. Não há mais recursos e a fatura fica selada.

Fim da linha para a Google. O Tribunal de Justiça da União Europeia, a instância máxima europeia, chumbou o último recurso da empresa e confirmou a multa de cerca de 4,1 mil milhões de euros pelo caso Android. A decisão é definitiva: não há mais para onde recorrer.

Porque é que a Google foi multada?

A Comissão Europeia acusou a Google de abusar do domínio do Android para dar vantagem às suas próprias aplicações, obrigando os fabricantes de telemóveis a pré-instalar a pesquisa Google e o Chrome em troca do acesso à loja Play. A coima original, aplicada em 2018, era de 4,34 mil milhões; um tribunal inferior baixou-a para 4,1 mil milhões em 2022, e é esse valor que agora fica em pedra.

O que muda para quem usa Android?

No imediato, pouco no ecrã do telemóvel. Mas a sentença abre a porta a pedidos de indemnização de rivais que se sentiram prejudicados durante anos, e reforça a mão de Bruxelas noutros processos abertos contra as gigantes tecnológicas. Para um país como Portugal, onde a esmagadora maioria dos telemóveis corre Android, é mais um sinal de que a Europa quer regras claras sobre quem controla a porta de entrada da internet no bolso de cada um.

Foi uma batalha de oito anos nos tribunais, e a Google saiu a perder em toda a linha.

Veja também: Mistral e a IA soberana europeia.

Detalhes oficiais no Tribunal de Justiça da UE.

Imagem: Wikimedia Commons

Satya Nadella, presidente executivo da Microsoft
Tecnologia 5 de julho de 2026

Microsoft cria a Frontier: 2,5 mil milhões para meter IA dentro das empresas

A Microsoft lançou uma nova unidade, a Frontier, com investimento de 2,5 mil milhões de dólares e milhares de especialistas para instalar IA nos grandes clientes.

A Microsoft decidiu que já não basta vender software de IA por licença: quer entrar porta dentro das empresas e montar os sistemas ela própria. Para isso criou a Microsoft Frontier Company, uma unidade nova com um investimento anunciado de 2,5 mil milhões de dólares.

O que é a Microsoft Frontier?

É uma equipa de cerca de 6 mil pessoas, entre engenheiros, especialistas de indústria e comerciais, que vão trabalhar lado a lado com os grandes clientes para desenhar, instalar e afinar sistemas de inteligência artificial à medida. Em vez de entregar uma ferramenta e desejar boa sorte, a Microsoft passa a sentar os seus técnicos dentro da casa do cliente.

O que muda para as empresas?

Muda a forma como a IA entra na empresa: em vez de comprar uma licença e ficar à espera de resultados, o cliente passa a ter técnicos da Microsoft a montar e a afinar os sistemas por dentro. É a confirmação de que a batalha da IA já não se joga só nos modelos, mas na implementação — e quem ajudar a pôr isto a funcionar no dia a dia fica com o cliente amarrado durante anos. Para o tecido empresarial português, cada vez mais dependente destas plataformas, é um lembrete de que a dependência tecnológica também se mede em quem faz a instalação.

A jogada mostra a pressa das gigantes em transformar promessa em faturação concreta.

Veja também: a aposta da Anthropic na ciência.

Mais informação no site oficial da Microsoft.

Imagem: Wikimedia Commons

Arthur Mensch, cofundador e CEO da Mistral AI
Tecnologia 5 de julho de 2026

IA soberana europeia: a Europa quer deixar de depender dos EUA (e a Mistral lidera)

IA soberana europeia é a capacidade de a Europa treinar e operar os seus próprios modelos de inteligência artificial. A francesa Mistral e uma rede de fábricas de IA lideram a aposta.

IA soberana europeia é a capacidade de a Europa treinar e operar a sua própria inteligência artificial — nos seus centros de dados e sob as suas regras — sem depender de empresas de fora. É a aposta que está a crescer bem mais perto de nós enquanto o mundo fala de OpenAI, Google e Anthropic, quase sempre americanas, e a francesa Mistral tornou-se o rosto dela.

O que é a IA soberana europeia?

É a inteligência artificial treinada e operada dentro da Europa, em infraestrutura europeia e ao abrigo das leis europeias. Para o bloco, é uma questão de autonomia estratégica: dados sensíveis que ficam em casa, modelos que percebem as línguas europeias e servidores que não ficam reféns de decisões tomadas noutro continente.

Porque é que a Mistral lidera esta corrida?

A Mistral, criada em Paris, foi apontada como a grande campeã europeia de computação soberana. Juntou-se à coligação Nemotron da Nvidia como membro fundador, para co-desenvolver modelos abertos, e garantiu 830 milhões de dólares para um centro de dados alimentado por tecnologia Nvidia perto de Paris, previsto para arrancar ainda em 2026. Em paralelo, a Nvidia prometeu ajudar a levantar mais de 20 “fábricas de IA” no continente — instalações pensadas para produzir inteligência artificial à escala industrial.

E porque é que isto interessa a Portugal?

Portugal joga do lado europeu deste tabuleiro: quanto mais perto estiver a infraestrutura de IA, e quanto melhor os modelos souberem lidar com o português, menos dependentes ficamos de plataformas de fora. É a diferença entre usar a tecnologia dos outros e ter voz a decidir como ela é feita.

Veja também: as novas regras europeias para marcar conteúdos de IA. Mais sobre a empresa no site oficial da Mistral.

Imagem: Wikimedia Commons

Tecnologia e inteligência artificial
Tecnologia 5 de julho de 2026

IA vira-se para a ciência — e os grandes modelos ganham calendário próprio

A Anthropic lançou uma aplicação dedicada à investigação científica, enquanto Google e OpenAI adiam os seus modelos de topo. O verão da IA está agitado.

Se pensava que a inteligência artificial já só servia para escrever emails e resumir reuniões, o início de julho traz um recado diferente: as grandes empresas querem agora pôr a IA a fazer ciência a sério.

Claude vai para o laboratório

A Anthropic anunciou uma aplicação dedicada à investigação científica, com a ambição declarada de encurtar os ciclos de investigação e desenvolvimento na área das ciências da vida — leia-se, ajudar a descobrir medicamentos e a testar hipóteses mais depressa. A jogada vem acompanhada de contratações de peso e de uma aquisição na casa das centenas de milhões de dólares, sinal de que isto não é apenas um anúncio de marketing.

Por trás está uma ideia simples de explicar e difícil de executar: se um modelo consegue ler milhares de artigos, sugerir experiências e analisar resultados, talvez consiga comprimir anos de trabalho de laboratório em meses. É uma promessa ousada, e convém recebê-la com o saudável ceticismo de quem já ouviu promessas ousadas antes.

Os modelos de topo em fila de espera

Ao mesmo tempo, os pesos-pesados andam a gerir calendários. A Google adiou o seu próximo modelo de topo depois de os clientes empresariais se queixarem de que gastava tokens a mais em tarefas longas. A OpenAI, por seu lado, travou o lançamento alargado da sua nova geração a pedido do governo dos Estados Unidos, que quis analisar o modelo antes de chegar ao público.

Traduzindo para o dia a dia: a corrida continua intensa, mas já não é só quem lança primeiro — é quem lança de forma fiável e sem levantar bandeiras vermelhas junto dos reguladores.

Para contexto, veja o que escrevemos sobre a chegada do Claude ao iPhone e sobre o custo real de usar IA. Os detalhes oficiais estão no site da Anthropic.

Imagem ilustrativa · Foto: Ron Lach / Pexels

A página inicial do ChatGPT num portátil
Tecnologia 4 de julho de 2026

OpenAI abre o GPT-5.6 a poucos: Sol, Terra e Luna em pré-visualização

A nova geração chega primeiro à API e ao Codex, para parceiros de confiança, com mais raciocínio, um modo ultra e novas regras de preços.

A OpenAI voltou a mexer o tabuleiro. A empresa começou uma pré-visualização limitada do GPT-5.6, a próxima geração dos seus modelos, apresentada em três sabores com nomes que sabem a sistema solar: Sol, Terra e Luna. A promessa é um salto no raciocínio, na programação, na biologia e até na cibersegurança, além de um novo modo ultra para tarefas mais exigentes.

Para já, o acesso é apertado. Durante a pré-visualização, o GPT-5.6 fica disponível através da API e do Codex apenas para um grupo restrito de parceiros e organizações de confiança, com a chegada ao ChatGPT prometida para mais tarde. Vêm também regras de preços atualizadas e um sistema de cache de pedidos mais previsível — pormenores técnicos que, na prática, decidem quanto custa pôr estas ferramentas a trabalhar.

Não é só o modelo

No mesmo fôlego, a OpenAI apresentou o GeneBench-Pro, um teste de nível de investigação para avaliar agentes de inteligência artificial em biologia computacional, com tarefas mais difíceis e realistas. É mais um sinal de para onde a corrida está a ir: modelos que não se limitam a conversar, mas que tentam resolver problemas científicos concretos.

Para quem vive em Portugal e trabalha com estas ferramentas, o padrão mantém-se: as novidades chegam primeiro a quem paga por API e só depois descem ao utilizador comum. Vale a pena não correr atrás de cada anúncio e esperar que a poeira assente. Já tínhamos falado da aposta da OpenAI em hardware e no Codex, e esta pré-visualização encaixa nessa estratégia de ocupar terreno em todas as frentes. Os detalhes oficiais vão sendo publicados no site da OpenAI.

Foto: Emiliano Vittoriosi / Unsplash

Um iPhone com o assistente Siri ativo no ecrã
Tecnologia 4 de julho de 2026

O iPhone abre-se à concorrência: Claude entra como opção ao lado da Siri

Na WWDC 2026, a Apple passou a deixar escolher o assistente de IA no iPhone. O Claude, da Anthropic, junta-se à lista — um sinal de como a guerra da IA mudou.

Durante anos, o iPhone teve uma única voz: a Siri, para o bem e para o mal. Na WWDC 2026, a Apple mudou o guião e passou a permitir escolher qual o assistente de inteligência artificial a usar no telemóvel — e o Claude, da Anthropic, entrou para essa lista de opções. Para quem carrega um iPhone no bolso, é uma pequena grande novidade.

O que muda no dia a dia

A ideia é simples: em vez de ficar preso a um só assistente, o utilizador pode encaminhar pedidos mais complexos — escrever, resumir, programar, organizar — para o modelo que preferir. A Apple mantém a Siri como porta de entrada e a camada de privacidade, mas deixa a parte pesada do raciocínio a cargo de parceiros externos quando faz sentido.

Porque é que isto é importante

Há dois anos, a conversa era se a Apple estava atrasada na corrida da IA. Ao abrir o iPhone a vários modelos, a empresa transformou uma fraqueza numa posição de força: em vez de tentar vencer sozinha, tornou-se o palco onde os melhores assistentes competem pela atenção do utilizador. Para a Anthropic e para as rivais, chegar a centenas de milhões de iPhones é o tipo de vitrina que nenhum orçamento de marketing compra.

Fica por ver como fica a fatura — quem paga o quê, e que dados saem do telefone. Mas a direção é clara: o assistente do seu telemóvel deixou de ser uma imposição para passar a ser uma escolha.

Veja também: como a Siri passou a usar extensões e modelos externos. Detalhes e datas oficiais ficam disponíveis na página de eventos da Apple.

Foto: Omid Armin / Unsplash

Mulher a usar o smartphone em viagem
Tecnologia 3 de julho de 2026

Roaming e férias: como usar o telemóvel lá fora sem levar um susto

Dentro da União Europeia o roaming é como em casa, mas fora dela a fatura pode disparar. Dicas simples para viajar ligado e sem sobressaltos.

As férias chegaram e, com elas, a velha dúvida: posso usar o telemóvel à vontade lá fora? A resposta depende muito de para onde vai. Dentro da União Europeia, o roaming funciona há anos segundo a regra do roam like at home — usa dados, chamadas e mensagens ao mesmo preço que em Portugal, sem extras escondidos. É viajar e continuar a vida digital como se estivesse em casa.

Fora da UE, atenção à fatura

O problema começa quando se sai do espaço europeu. Em muitos destinos, os dados em roaming custam pequenas fortunas por megabyte, e basta o telemóvel andar a atualizar aplicações em segundo plano para a conta disparar sem se dar conta. A regra de ouro é simples: antes de viajar, confirme com o operador as condições do país de destino.

Truques para não gastar de mais

Há saídas fáceis. Comprar um pacote de roaming temporário do operador, usar um cartão eSIM local do destino, ou simplesmente desligar os dados móveis e apoiar-se no wi-fi de hotéis e cafés. Desativar as atualizações automáticas e o backup de fotografias enquanto está fora também poupa muito. Assim, aproveita o mapa e as mensagens sem o susto no regresso.

Ligado é bom; ligado e tranquilo é melhor.

Veja também: o iPhone abre-se a novos assistentes de IA. Regras de roaming europeias na Comissão Europeia.

Foto: Nicolas Lobos / Unsplash

Tecnologia e inteligência artificial
Tecnologia 1 de julho de 2026

Google adia o Gemini 3.5 Pro para julho — e explica porquê

A nova versão do modelo de IA da Google chega mais tarde do que o previsto. A empresa diz que é para afinar a eficiência e o desempenho em tarefas longas.

Quem esperava colocar as mãos no novo Gemini 3.5 Pro vai ter de ter mais um bocadinho de paciência. A Google confirmou que adia o lançamento do seu modelo de inteligência artificial mais recente para julho, depois de recolher opiniões dos testadores.

Porque é que atrasou

Segundo a empresa, o adiamento serve para melhorar dois pontos que os utilizadores mais técnicos valorizam: a eficiência no uso de tokens — ou seja, gastar menos recursos para fazer o mesmo trabalho — e o desempenho em tarefas longas e agênticas, aquelas em que a IA tem de encadear muitos passos sem se perder pelo caminho.

Pode parecer um pormenor, mas é aqui que se joga a próxima fase da corrida da IA. Já não basta responder bem a uma pergunta: os modelos têm de conseguir executar tarefas complexas de forma autónoma, com fiabilidade. E é aí que ainda há muito para afinar.

O que isto significa para nós

Para o utilizador comum, um atraso destes é sobretudo sinal de que a concorrência está feroz. Google, OpenAI e companhia estão a lançar versões a um ritmo alucinante, e ninguém quer arriscar pôr cá fora um produto meio cozinhado.

Curiosamente, esta corrida também se joga nas pessoas: a OpenAI tem andado a contratar peso-pesado da própria Google, como contámos no caso do criador do Transformer. Para acompanhar os anúncios em primeira mão, o melhor é seguir o blog oficial da Google.

Imagem ilustrativa · Foto: ThisIsEngineering / Pexels

Tecnologia e inteligência artificial
Tecnologia 1 de julho de 2026

OpenAI prepara hardware para o Codex — a IA sai do ecrã

A empresa de Sam Altman quer revelar a 15 de julho um painel físico para o seu agente de programação. A IA começa a ganhar corpo.

A inteligência artificial tem vivido quase toda dentro do ecrã. A OpenAI quer mudar isso: a empresa prepara-se para revelar, a 15 de julho, um novo equipamento físico para o Codex, o seu agente de programação.

Um painel de controlo para a IA

A ideia, segundo o que se sabe, é criar uma espécie de painel de controlo físico — um dispositivo dedicado que sirva de ponte entre o programador e o agente de IA que escreve código. Em vez de ser apenas mais uma janela no computador, o Codex passaria a ter uma presença própria na secretária.

Faz sentido dentro da estratégia da OpenAI. À medida que os agentes de IA se tornam mais capazes de executar tarefas sozinhos, ganha lógica dar-lhes uma interface própria, pensada para acompanhar e controlar o que a máquina anda a fazer. É um passo curioso: a IA a sair do software puro e a começar a ganhar corpo.

A corrida do dinheiro

Por trás destes anúncios está uma torrente de investimento difícil de imaginar. A Alphabet, dona da Google, fechou recentemente a maior operação de financiamento em ações da história empresarial — cerca de 84,75 mil milhões de dólares — só para alimentar a sua infraestrutura de IA. É a escala a que se joga agora.

Para Portugal, tudo isto ainda parece distante, mas define as ferramentas que vamos usar amanhã. Veja também a nossa peça sobre o criador do Transformer a mudar de casa e siga os anúncios oficiais em openai.com.

Imagem ilustrativa · Foto: Kindel Media / Pexels

Mão a segurar um smartphone com a aplicação WhatsApp aberta
Tecnologia 1 de julho de 2026

WhatsApp vai deixar-te falar sem dares o número — chegam os nomes de utilizador

A app da Meta vai permitir conversar através de um nome de utilizador, sem trocar o telemóvel. As reservas de nome já abriram. Como funciona.

Quantas vezes deste o teu número a um desconhecido só para combinar a compra do OLX ou falar com uma loja? O WhatsApp quer acabar com esse desconforto. A app da Meta vai passar a permitir que conversemos através de um nome de utilizador, sem termos de partilhar o telemóvel — e as reservas de nome já abriram.

Como vai funcionar

A ideia é simples: em vez de trocar contactos, partilhas um nome único, à maneira do Instagram ou do X. Para o escolher, vais a Definições, Conta e Nome de utilizador. Pode ter entre 3 e 35 caracteres, com letras minúsculas, números, o símbolo _ e pontos. Quem quiser garantir o seu nome preferido antes que alguém o apanhe já o pode reservar.

Há ainda uma camada extra de segurança: uma chave de nome de utilizador, um código que a outra pessoa terá de saber, além do nome, para te conseguir enviar mensagem. Assim evitas que qualquer um te escreva só por adivinhar o nome.

O que não muda

Convém não criar ilusões: a conta continua a precisar de um número de telemóvel para existir. E os números que já partilhaste com contactos, ou que estão visíveis em grupos, continuam à vista de quem já os tem. A novidade protege sobretudo os primeiros contactos — com lojas, marketplaces, comunidades ou pessoas que acabaste de conhecer.

Para um país onde o WhatsApp é praticamente a linha telefónica de toda a gente, é uma mudança bem-vinda. Menos números a passar de mão em mão é, quase sempre, mais sossego.

Veja também: a nova Siri e o Gemini atrasados na Europa. O anúncio oficial está no blogue do WhatsApp.

Imagem ilustrativa · Foto: Anton / Pexels

Tecnologia e inteligência artificial
Tecnologia 30 de junho de 2026

Conteúdo feito por IA vai ter de se identificar na Europa

As regras de transparência da Lei da IA chegam em 2026: marcas de água e rótulos para imagens, vídeos e textos artificiais.

Aquela dúvida de “isto é real ou foi feito por IA?” vai começar a ter resposta obrigatória na Europa. A Lei da Inteligência Artificial da União Europeia traz regras de transparência que obrigam a marcar conteúdos gerados ou manipulados por IA, de forma a que máquinas e, idealmente, pessoas consigam perceber que não são autênticos.

O que muda na prática

Imagens, vídeos, áudio e texto produzidos por sistemas de IA deverão passar a incluir uma espécie de marca de água digital, detetável de forma automática. A ideia é travar a desinformação e os deepfakes, dando ao utilizador uma pista de que aquilo que vê pode não ser uma fotografia real nem uma declaração verdadeira de alguém.

Quando entra em vigor

O calendário sofreu um ajuste. As regras de transparência estavam previstas para agosto de 2026, mas a obrigação de marcar de forma legível por máquina os conteúdos artificiais foi adiada para dezembro de 2026, dando mais tempo às empresas para se adaptarem. A Comissão também já nomeou o painel científico que vai apoiar a fiscalização.

Para o utilizador comum, a promessa é simples: menos enganos. Não resolve tudo, há sempre quem tente contornar, mas é um passo para que a internet volte a distinguir o genuíno do fabricado.

Veja também: a Google a criar vídeo a partir de tudo e a Europa a apertar com as gigantes.

Texto e calendário oficiais da Lei da IA em digital-strategy.ec.europa.eu.

Imagem ilustrativa · Foto: Matheus Bertelli / Pexels

Jensen Huang, presidente executivo da Nvidia
Tecnologia 30 de junho de 2026

Nvidia e Microsoft querem pôr a IA dentro do seu PC

O novo superchip RTX Spark promete portáteis Windows que correm IA localmente, sem depender da nuvem. O que isto muda — e o que ainda não sabemos.

Durante anos, usar inteligência artificial a sério quis dizer uma coisa: ligação à internet e um servidor algalgures a fazer as contas por si. A Nvidia e a Microsoft querem virar essa lógica do avesso e trazer a IA para dentro da própria máquina.

A peça central chama-se RTX Spark, um superchip apresentado pela Nvidia que, segundo a empresa, foi pensado para a era dos agentes pessoais de IA. A promessa é juntar processador, placa gráfica e memória suficientes para correr versões locais de grandes modelos de linguagem — o tipo de IA que hoje vive na nuvem — em portáteis finos com bateria para o dia todo e em desktops pequenos e eficientes.

Quem vai ter isto

Não é exclusivo de uma marca. A Nvidia diz que os PCs com RTX Spark vão chegar no outono pela mão de fabricantes como ASUS, Dell, HP, Lenovo, a linha Surface da Microsoft e a MSI, com a Acer e a Gigabyte a seguir. Por outras palavras, é uma aposta para o mercado em geral, não um nicho.

A jogada também é estratégica. Com este movimento, a Nvidia entra a fundo no enorme mercado dos processadores para computador, território onde até aqui mandavam outros. Correr IA localmente tem vantagens óbvias: mais privacidade, menos dependência de ligação e respostas mais rápidas para certas tarefas.

O que falta perceber

Falta a parte que só o tempo responde: preço, autonomia real e se os programas do dia a dia vão mesmo tirar partido de tudo isto. Modelos a correr no portátil consomem recursos, e a experiência vai depender muito do software. Para já, é uma das apostas mais ambiciosas do ano — e um sinal de para onde caminham os computadores pessoais.

Veja também: a Apple deixa escolher a IA no iPhone e a OpenAI prepara entrada em bolsa. Anúncio oficial na Nvidia.

Imagem: Wikimedia Commons

Fachada da Bolsa de Nova Iorque
Tecnologia 30 de junho de 2026

OpenAI prepara entrada em bolsa — e o número assusta

A dona do ChatGPT entregou pedido confidencial à SEC para uma IPO, depois de uma avaliação privada de 852 mil milhões de dólares.

A empresa que pôs o ChatGPT na boca do mundo está a dar o passo que muitos esperavam e poucos conseguiam imaginar à escala certa: a OpenAI entregou um pedido confidencial à SEC, o regulador dos mercados nos EUA, para uma entrada em bolsa. Pelo caminho ficou um número que tira o fôlego — uma avaliação privada de 852 mil milhões de dólares em março.

Porque é tão grande

Uma IPO desta dimensão não é só notícia de tecnologia, é notícia de economia. Significa que milhares de milhões em investimento vão circular, que a corrida à inteligência artificial entra numa fase mais madura e mais cara, e que a OpenAI passa a responder perante acionistas com a lupa que isso traz.

A empresa não parou para respirar. Lançou o Daybreak, um programa de cibersegurança, e antecipou um novo modelo, o GPT-5.6 Sol, além de chips de inferência feitos com a Broadcom. É muito movimento para quem ainda agita o tabuleiro de cada vez que respira.

O que isto toca em Portugal

Mais investimento global em IA puxa procura por talento, por data centers e por energia — três coisas em que Portugal tem tentado entrar na conversa. E quanto mais perto a OpenAI estiver da bolsa, mais escrutínio terá sobre preços, segurança e abusos.

Veja também: a Apple a deixar escolher a IA no iPhone e o Gemini Omni da Google. Os registos públicos ficam na SEC.

Imagem: Wikimedia Commons