A nova Siri e o Gemini vão chegar atrasados à Europa — e a culpa é da lei
A Apple diz que funções de IA do Siri ficam adiadas na UE por causa do Digital Markets Act. E, surpresa, alinha-se com a Google nesta batalha.
Se está na Europa e contava estrear já as novas funções de inteligência artificial do Siri, prepare-se para esperar. A Apple anunciou que parte das novidades de IA fica adiada na União Europeia, e aponta o dedo ao Digital Markets Act — a lei que obriga as gigantes a abrir as suas plataformas a concorrentes.
O que está em causa
A Comissão Europeia quer que, sempre que a Apple ou a Google constroem uma nova função no seu sistema, a façam de forma que terceiros também a possam usar. A Bruxelas pediu ainda à Google que dê a assistentes de IA rivais o mesmo acesso ao Android que a sua própria tecnologia tem. As empresas dizem que essas exigências colidem com privacidade e segurança; os reguladores respondem que sem elas não há concorrência a sério.
O lado curioso
O detalhe saboroso é a aliança improvável: a Apple, normalmente rival da Google, saiu em sua defesa nesta queda de braço com Bruxelas. Faz sentido — o que está em jogo é o princípio de quanto controlo as plataformas mantêm sobre o que constroem. Para o utilizador europeu, o resultado prático é ficar a ver outros estrear funções primeiro.
É o velho dilema: regras que protegem a concorrência podem, no curto prazo, atrasar novidades para quem vive deste lado do Atlântico. Justo ou não, é o preço que a Europa decidiu pagar.
Veja também: a Apple e os novos modelos AFM3. O texto da lei está no portal oficial do Digital Markets Act.
Imagem: Wikimedia Commons