Nova Iorque disse basta aos data centers da IA — e é o primeiro estado dos EUA a fazê-lo
Kathy Hochul assinou a primeira moratória estadual dos EUA a novos data centers hiperescala: até um ano de pausa nas licenças ambientais, com 39 candidaturas à espera. E a pergunta que fica é quem paga a eletricidade.
Nova Iorque acaba de fazer aquilo que nenhum outro estado norte-americano tinha feito: carregou no botão de pausa aos data centers da inteligência artificial. A governadora Kathy Hochul assinou a 14 de julho uma ordem executiva que suspende, por até um ano, as licenças ambientais estatais para novos centros de dados hiperescala.
O timing não é inocente. Há quatro data centers hiperescala já a funcionar no estado — e 39 candidaturas à espera de resposta. Trinta e nove. É esse número que explica a travagem.
Afinal o que é que a moratória de Nova Iorque trava?
Licenças discricionárias. Durante a elaboração de um estudo genérico de impacto ambiental para data centers, que deve levar até um ano, o Departamento de Conservação Ambiental não emitirá licenças discricionárias que ainda não tenham sido consideradas completas. Quem já estava com o processo fechado, avança; o resto espera pelo enquadramento novo.
O estudo vai avaliar os impactos da construção e operação destes centros na procura de energia, no consumo e na qualidade da água e na qualidade do ar. Traduzindo: Nova Iorque quer perceber quanto é que isto custa à rede elétrica e a quem paga a fatura antes de continuar a dizer que sim.
E isto interessa mesmo a quem está em Portugal?
Porque é o primeiro sinal sério de que o mundo real começou a responder à escala da IA. A corrida aos data centers é a mesma que faz a Meta querer duplicar a capacidade de computação para 14 gigawatts — números que já não se medem em servidores, medem-se em centrais elétricas. Portugal anda a disputar exatamente este investimento, com a vantagem de ter energia renovável e cabos submarinos, e a mesma pergunta por responder: quem paga a rede.
O detalhe que fecha a história: em abril, o parlamento do Maine foi o primeiro do país a aprovar uma moratória — e a governadora Janet Mills vetou-a. Foi por isso que Nova Iorque ficou com o título. Os termos da ordem executiva estão no site do gabinete da governadora.
Durante três anos a conversa foi sobre quem treina o melhor modelo. Está a passar a ser sobre quem tem eletricidade.
Por Oliver Grant
Imagem: Metropolitan Transportation Authority / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)