Esta ideia de empilhar a memória em cima da GPU promete quatro vezes a velocidade e um quarto do consumo
A Samsung apresentou o zHBM na conferência FMS 2026. No mesmo palco, a SK hynix e a Sandisk publicaram a primeira especificação aberta de High-Bandwidth Flash, com até 512 GB por módulo.
O travão do momento na inteligência artificial não é o processador. É a distância que os dados percorrem entre o processador e a memória, e essa distância existe porque, no desenho atual, a memória fica ao lado do chip e não em cima dele.
Foi contra isso que a Samsung apresentou o zHBM, a 4 de agosto, na conferência Future of Memory and Storage, em Santa Clara. A ideia é empilhar a memória de alta largura de banda diretamente sobre o acelerador de IA. A empresa diz que o zHBM entrega quatro vezes a velocidade de transferência do HBM4 com um quarto da energia, e que um sistema de interface de nova geração com zHBM deverá chegar a cerca de oito vezes o desempenho do HBM5.
E a via alternativa, com flash em vez de DRAM
Na mesma conferência, a SK hynix e a Sandisk publicaram, através do Open Compute Project, a primeira especificação técnica aberta de High-Bandwidth Flash. O documento define módulos com capacidades até 512 GB e largura de banda entre cerca de 0,4 e 3 terabytes por segundo, e foi desenvolvido com parceiros que incluem a Google DeepMind e a Tenstorrent.
São duas apostas diferentes no mesmo problema. O HBF troca DRAM por flash para conseguir muito mais capacidade por módulo, ideal para modelos que já não cabem confortavelmente na memória disponível. O zHBM mantém a DRAM e ataca a geometria, encurtando o caminho físico dos dados. A Samsung, note-se, não faz parte do consórcio do HBF.
Porque é que isto se tornou urgente
Porque a procura por capacidade de cálculo não parou de subir e o estrangulamento mudou de sítio. Empresas que antes só compravam GPUs começaram a desenhar os seus próprios chips de inferência para controlar custo e desempenho, e do lado da produção a TSMC acaba de fechar o melhor julho de sempre.
Nenhuma destas tecnologias chega aos centros de dados este ano. Mas são elas que definem quanto vai custar, em eletricidade, correr os modelos de 2028.
Por Oliver Grant
Imagem: ScotXW / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)