O IPO de Lisboa fez a primeira broncoscopia robótica do país. Durou pouco mais de 40 minutos
A plataforma ION, financiada pelo PRR, chega a nódulos pulmonares periféricos que os exames convencionais têm dificuldade em alcançar. É o segundo equipamento do género na Península Ibérica.
Um homem de cerca de 70 anos, com suspeita de cancro do pulmão, foi o primeiro doente em Portugal a fazer uma broncoscopia robótica. O exame decorreu no Instituto Português de Oncologia de Lisboa e durou pouco mais de 40 minutos.
A tecnologia chama-se ION e resolve um problema concreto da pneumologia oncológica. Os nódulos que aparecem na periferia do pulmão, longe das vias aéreas principais, são difíceis de alcançar com um broncoscópio convencional, e muitas vezes obrigam a biópsias por agulha através da parede do tórax ou a esperar que a lesão cresça o suficiente para ser abordável. A plataforma robótica navega ramificações finas com uma estabilidade que a mão não consegue manter, e traz tecido para análise numa fase mais precoce.
No cancro do pulmão, precoce é a palavra que decide tudo. É o tumor que mais mata em Portugal, em boa parte porque a maioria dos diagnósticos chega quando já há disseminação.
Porque é que isto é notícia para além de Lisboa
O equipamento foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no mesmo pacote de investimento em robótica médica que já tinha colocado o IPO a fazer cirurgia robótica no início do ano. Segundo a instituição, é o segundo aparelho deste tipo na Península Ibérica, o que coloca Lisboa num grupo ainda restrito de centros europeus com acesso à tecnologia.
Por agora, a plataforma serve para diagnosticar. A expectativa do IPO é que, mais adiante, permita tratar certas lesões no mesmo procedimento, poupando ao doente uma intervenção mais invasiva numa segunda ida ao bloco.
Vale a nota de contexto: um exame de 40 minutos num hospital de Lisboa não muda o acesso de quem vive longe. O SNS continua a jogar-se no básico, e o crescimento de soluções mistas como o primeiro centro de saúde privado a funcionar dentro do SNS mostra bem onde estão as pressões. Ainda assim, quando um doente português deixa de ter de esperar que um nódulo cresça, é ganho real.
Por Oliver Grant
Imagem: Bextrel / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)