A Tekever vai substituir os drones de vigilância do Exército britânico
O Ministério da Defesa do Reino Unido escolheu o AR5 da empresa portuguesa para o programa CORVUS, num contrato que pode chegar a 400 milhões de libras ao longo de dez anos. Sai o Watchkeeper, entra um sistema com autonomia baseada em IA.
A Tekever foi selecionada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para fornecer o CORVUS, a nova capacidade de vigilância do Exército britânico. O contrato pode atingir 400 milhões de libras, cerca de 460 milhões de euros, ao longo dos próximos dez anos.
O sistema escolhido é o AR5, a plataforma autónoma da empresa portuguesa. Vai substituir o Watchkeeper, o drone que o Exército britânico usa há mais de uma década, e deverá começar a entrar em serviço ainda este ano, sujeito à assinatura do contrato e às aprovações finais.
O que o AR5 faz
O AR5 transporta até 50 quilogramas de carga útil de vigilância, entre câmaras e sensores. Foi desenhado para voar durante longos períodos, recolher informação 24 horas por dia e entregar dados em tempo real a quem está a decidir no terreno.
A Tekever descreve o CORVUS como um programa de evolução contínua, pensado para integrar tecnologia nova e lições operacionais ao longo de toda a vida útil do sistema, mantendo o controlo soberano do Reino Unido sobre a capacidade. Ricardo Mendes, presidente executivo da empresa, resumiu a ideia dizendo que o programa reúne experiência operacional, autonomia baseada em IA e capacidade industrial soberana.
A Ucrânia explica muito
A escolha não caiu do céu. Os sistemas autónomos da Tekever acumularam mais de 50 mil horas de voo operacional na Ucrânia desde 2022, e é essa experiência que a empresa aponta como a razão de conseguir adaptar as suas soluções ao ritmo a que o campo de batalha muda.
O secretário da Defesa britânico, Wes Streeting, destacou precisamente esse historial ucraniano e o facto de o AR5 ser fabricado no Reino Unido, argumentando que o investimento apoia as tropas em missão e ao mesmo tempo impulsiona a reindustrialização britânica.
Onde fica feito
A produção vai concentrar-se nas novas instalações da Tekever em Swindon. Bristol e Southampton ficam com a engenharia, e o País de Gales Ocidental com a formação, os ensaios e a avaliação. O acordo prevê a criação e manutenção de centenas de postos de trabalho qualificados, e a Tekever vai liderar um consórcio de pequenas e médias empresas britânicas.
O contrato tem um período inicial de pelo menos cinco anos, com possibilidade de extensão, e integra o investimento OVERMATCH, também de 400 milhões de libras. É mais um passo de uma empresa que este ano já tinha comprado a CloudSweep para reforçar a componente de inteligência artificial. Os comunicados oficiais são publicados pelo Ministério da Defesa do Reino Unido.
Por Oliver Grant
Imagem: Wikimedia Commons (CC BY 2.0)