O Gemini 3.5 Pro falhou nos testes e a Google adiou tudo — 200 mil milhões evaporaram num dia
A Google adiou o Gemini 3.5 Pro por meses depois de o modelo falhar em programação e raciocínio complexo. As ações da Alphabet caíram cerca de 4% e apagaram 200 mil milhões de dólares.
O Gemini 3.5 Pro era para ter chegado em junho — e a Google já tinha empurrado o lançamento para julho a prometer afinações. Agora, a Google admite que o seu modelo de inteligência artificial mais poderoso está atrasado por meses — e Wall Street não gostou nada da conversa. As ações da Alphabet caíram cerca de 4% num só dia, o equivalente a uns impressionantes 200 mil milhões de dólares de valor de mercado.
Porque é que a Google adiou o Gemini 3.5 Pro?
Porque o modelo não está à altura do que a própria empresa prometeu. Nos testes internos, a capacidade de escrever, entender e corrigir código — precisamente o terreno onde a OpenAI e a Meta têm mostrado mais músculo — ficou aquém do esperado. A Google ainda tentou salvar o calendário: no final de junho, reforçou os dados de treino com mais exemplos de programação. Os resultados continuaram a desiludir e a empresa voltou atrás, reiniciando partes do processo de treino sem se comprometer com uma nova data. O modelo tinha sido anunciado em maio no I/O, a conferência anual cujas novidades a empresa publica no blog oficial da Google.
O que significa isto para a corrida da IA?
Que a liderança técnica mudou de mãos mais depressa do que a Google gostaria de admitir. O tropeção chega numa semana em que a empresa já digere a ordem de Bruxelas para abrir o Android aos rivais, e num mercado onde os investidores começam a exigir provas, não promessas — a mesma lógica que tem empurrado a Apple para o topo das cotadas mundiais à boleia de resultados concretos.
Para quem usa estas ferramentas todos os dias, a leitura é mais simples: o Gemini atual continua lá, mas o salto prometido fica para depois do verão — na melhor das hipóteses. Na corrida da IA, prometer é fácil; treinar é que custa.
Por Oliver Grant
Imagem: Photographer: Lukasz Kobus (European Commission) / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)