A Apple Intelligence vai chegar à China pela mão da Alibaba — e as ações agradeceram
O regulador chinês aprovou a Apple Intelligence com o modelo Qwen da Alibaba integrado no iPhone. As ações da Alibaba somaram milhares de milhões.
A Apple Intelligence tem finalmente luz verde para entrar na China — e vai fazê-lo a falar Qwen. O regulador chinês do ciberespaço aprovou o lançamento dos serviços de inteligência artificial da Apple no país, assente num acordo que integra o modelo da Alibaba nos sistemas operativos da marca: iPhone, iPad, Mac e Vision Pro.
Para a Apple, destrava-se um dos maiores bloqueios comerciais dos últimos anos: vender iPhones num mercado gigante onde a sua IA simplesmente não podia funcionar. Para a Alibaba, é a consagração do Qwen como o modelo que a maior marca de consumo do mundo escolheu para a China.
Porque é que as ações da Alibaba dispararam?
Porque o mercado fez as contas depressa. Os títulos da Alibaba cotados nos Estados Unidos subiram mais de 4% com a notícia, um ganho avaliado em cerca de 17 mil milhões de dólares em capitalização, e o entusiasmo contagiou Hong Kong, com a Baidu também a valorizar. A Apple somou perto de 2% — num arranque de mês em que voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo, a caminho dos 5 biliões.
Há um detalhe técnico que explica muito do otimismo: o Qwen foi comprimido de 54 GB para menos de 4 GB, o suficiente para correr localmente em iPhones tão antigos como o 15. Ou seja, não é uma IA presa à nuvem — é o modelo dentro do telefone, com as funções de texto e imagem integradas no sistema.
A ironia geográfica não escapou a ninguém: enquanto Pequim abre a porta, Bruxelas ainda discute com a Apple os atrasos da Siri na Europa — e o anúncio chega dias depois de Xi Jinping ter feito da IA bandeira nacional na WAIC. Os detalhes oficiais do acordo constam das comunicações da Apple e da Alibaba.
No xadrez da IA global, foi Hangzhou quem ganhou a jogada da semana.
Por Oliver Grant
Imagem: Charlie fong / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)