Xi Jinping foi pela primeira vez abrir a WAIC — e a mensagem sobre a IA tinha destinatário certo
Xi Jinping fez o discurso de abertura da World AI Conference em Xangai pela primeira vez, a defender uma IA de código aberto e cooperação global, com promessas concretas para os países em desenvolvimento.
A World AI Conference de Xangai já vai na sua nona edição, mas nunca tinha visto isto: Xi Jinping em pessoa a abrir o evento. O líder chinês subiu esta sexta-feira ao palco da WAIC pela primeira vez desde que a conferência nasceu, em 2018, e o gesto diz tanto como o discurso — a IA passou oficialmente para o topo da agenda política chinesa, no preciso momento em que as restrições americanas apertam o acesso da China aos chips mais avançados.
O que prometeu Xi Jinping na WAIC 2026?
Coisas bem concretas. Nos próximos cinco anos, a China vai oferecer 5.000 vagas de formação em IA a países em desenvolvimento, criar centros de cooperação em aplicações de IA com blocos como a ASEAN, a Liga Árabe, a União Africana, a CELAC, a OCX e os BRICS, e pôr 30 países a usar o MAZU, o seu sistema de alertas meteorológicos com inteligência artificial. Tudo embrulhado numa defesa do código aberto e da colaboração — “o desenvolvimento da IA não deve ser um espetáculo a solo de um só país, mas uma sinfonia de cooperação global”, disse, numa farpa que dispensa legendas. O texto integral está publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
E o aviso sobre os riscos?
Também lá esteve: Xi defendeu que a supervisão da IA tem de ser “precisa e eficaz”, com medidas constantes para evitar a perda de controlo da tecnologia. A conferência decorre até 20 de julho — e não é por acaso que arranca no mesmo dia em que a Moonshot lançou o Kimi K3, o maior modelo aberto de sempre. O código aberto é, cada vez mais claramente, a aposta estratégica chinesa para contornar o cerco dos chips.
Uma sinfonia global, portanto — mas com a China a querer ficar com a batuta.
Por Oliver Grant
Imagem: Ermell / Wikimedia Commons (CC0)