O Pentágono está a levar a IA para as armas — e a testar uma linha que era vermelha
O Pentágono acelera a inteligência artificial nos sistemas militares, incluindo armas com autonomia para escolher alvos. No Congresso, há quem tente travar o passo.
Durante anos, a regra não escrita da defesa americana era simples: a máquina ajuda, o humano decide. Essa linha está a ficar cada vez mais ténue. A administração norte-americana está a pressionar as forças armadas para acelerar a adoção de inteligência artificial — incluindo, segundo a imprensa dos EUA, em sistemas de armas com autonomia para escolher e atacar alvos, o degrau que sempre foi tratado como tabu.
Quanto vai o Pentágono gastar em armas com IA?
O orçamento pedido para 2026 inclui 13,4 mil milhões de dólares só para sistemas autónomos apoiados por IA, dos quais 9,4 mil milhões para aeronaves não tripuladas. A cúpula militar já não esconde a direção: o chefe do Estado-Maior Conjunto disse esta primavera que as armas autónomas serão uma peça-chave da forma americana de fazer a guerra. O Pentágono criou entretanto uma estrutura para unificar a tecnologia de guerra autónoma, a reportar diretamente ao número dois do departamento.
O que propõe a Responsible AI Defense Act?
É o travão que uma parte do Congresso tenta puxar: um grupo de senadores apresentou uma proposta que obriga o Pentágono a classificar os sistemas de IA militar por nível de risco e a sujeitar os mais perigosos a escrutínio adicional antes de serem desenvolvidos ou usados. Os críticos argumentam que a política do departamento não acompanha a velocidade da tecnologia — e que decidir vida ou morte não devia caber a um algoritmo. O texto da proposta pode ser consultado no portal oficial do Congresso.
O tema não é novo em Washington — já tinha dado que falar quando o Pentágono decidiu medir a testosterona dos militares, sinal de uma liderança que gosta de forçar limites. Mas desta vez o que está em jogo não é análises ao sangue: é quem carrega no gatilho. E essa pergunta, uma vez respondida por uma máquina, não tem tecla de desfazer.
Por Oliver Grant
Imagem: David / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)